51 Melhores filmes dirigidos por mulheres

O CINEMA DE BUTECO orgulhosamente apresenta uma lista especial com os 51 melhores filmes dirigidos por mulheres!

Desde o cinema clássico, é costume não lembrar grandes nomes femininos na direção. Isso, provavelmente, se deve a uma série de motivos que podemos estar ligados à suposta necessidade da mulher ter que mostrar sua imagem invejável para ser reconhecida ou até mesmo à crença de que a beleza pode ser fator decisivo na hora de firmar em uma carreira. Atrás das câmeras essa avaliação é ainda mais inútil e sem sentido.No fim das contas, a direção de cinema é apenas mais um dos segmentos em que as profissionais femininas lutam para mostrar seus trabalhos, dedicação e esforço.

Levando em consideração somente o talento de grandes diretoras, a equipe do Cinema de Buteco escolheu 51 filmes dirigidos por mulheres. São títulos que abordam diferentes temas e tratam de maneiras específicas os assuntos abordados, deixando em evidência a versatilidade do talento feminino na hora de contar histórias. Algumas dessas profissionais são citadas mais de uma vez na lista.

É provável que na hora de conferir a lista, você se depare com alguém título que traz o seguinte pensamento “Pô, esse filme foi dirigido por uma MULHER?”. Pois é. Mas não se culpe. Esta linha de pensamento é recorrente justamente por causa do modelo de sociedade em que vivemos. Primeiro aprendemos a construir uma imagem de determinados grupos, para depois termos todo o trabalho de desconstruir esse pensamento retrógrado.

Esperamos que essa pequena amostra do que o talento feminino pode e faz pelo cinema te mostre que temos muito que falar.

Textos por Aline Monteiro Homssi, Graciela Paciência, Isabel Wittmann, Juliana Uemoto, Larissa Padron, Leonardo Lopes Carnelos, Marcelo Seabra, Natalia Ranhel, Nathália Pandeló, Priscila Armani, Stephania Amaral e Tullio Dias. 

51- XXY (Lucía Puenzo, 2007) A jovem Alex nasceu com características femininas e masculinas, o que fez com que seus pais optassem por uma criação afastada, em um vilarejo no Uruguai, se isolando de todos. Mas um dia, a família recebe a visita de um casal velho conhecido dos pais de Alex, acompanhado do filho de 16 anos, que desperta o interesse sexual da jovem.

De maneira delicada e eficiente, a diretora toca em um assunto quase totalmente velado e XXY é um dos poucos filmes que possuem a coragem de mostrar a diversidade sexual do ser humano. Alex é retratada de maneira “normal”, como uma típica adolescente criada em um lugar isolado (não podia ser diferente). Ela é curiosa e nos permite compreender um pouquinho o dilema de quem vive essa realidade. (Graciela Paciência)


50- Shrek (Vicky Jenson, Andrew Adamson, 2001) Era uma vez, uma animação com um monstro verde horroroso e um burro dentuço que conquistaram plateias do mundo inteiro no começo dos anos 2000. Parodiando clássicos da Disney e usando e abusando de um senso de humor ácido, Shrek se tornou uma das animações de maior sucesso nos últimos anos.

A história começa num pântano sujo e fedido, onde vivia um ogro peidorreiro chamado Shrek. Sua vida muda drasticamente depois que todos os personagens de contos de fadas passam a morar nas redondezas e acabam com o seu sossego. Decidido a dar um basta na situação, o ogro parte numa aventura para combater a tirania do Lord Farquaad. Só que ele não esperava cruzar com a princesa Fiona e se apaixonar perdidamente. (Tullio Dias)


49- Sob Controle (Surveillance, Jennifer Lynch, 2008) Jennifer Lynch deve ser uma das diretoras mais interessantes em atividade no cinema norte-americano. Especialista em filmes de terror e suspense psicológico, a filha de David Lynch não faz feio e também demonstra ser realmente talentosa. Tanto que Sob Controle não é o único trabalho da cineasta que aparece aqui no ranking.

Lançado em 2008, o thriller apresenta dois agentes do FBI interrogando as únicas testemunhas de uma série de assassinatos violentos no deserto do Novo México. A dupla utiliza equipamentos de última geração para poder interrogar todos aos mesmo tempo e não demora para perceberem que alguém nessa história está mentindo muito sobre o que realmente aconteceu. (Tullio Dias)


48- Respire (Mélanie Laurent, 2014) Charlie é uma estudante francesa medíocre que vive nos subúrbios. Sua vida ganha novo sentido depois que passa a sair e desenvolver uma amizade com Sarah, uma garota rebelde que iniciou seus estudos na mesma escola. A companhia de Sarah faz com que Charlie perceba que está apenas começando a descobrir a vida e se entender.

Um longa-metragem tipicamente francês, Respire possui uma bela trama dramática e duas atrizes jovens e talentosas colocando em cena toda a sensibilidade presente na narrativa. (Tullio Dias)


47- O Diário de Bridget Jones (Bridget Jones’s Diary, Sharon Maguire, 2001) No seu aniversário de 30 anos a solteirona Bridget, Renée Zellweger, entra em crise. Para piorar, sua vida vira uma bagunça depois que engata um romance com o chefe egocêntrico, seus pais estão se separando e das investidas desengonçadas de um amigo de infância.

Narrativa bem-humorada e com ótimas sacadas, como aquela série de entrevistas de emprego em que a protagonista mostra que bom-senso não é o seu forte.

É impossível não rir das desventuras da mocinha em busca de um amor! O filme apresenta uma Renée Zellweger inspirada – aliás, até hoje vive o estigma de eterna Bridget Jones – que nos encanta desde a primeira cena pela verossimilhança, mesmo diante da sua aptidão para se meter em encrencas. (Juliana Uemoto)


46- Frozen: Uma Aventura Congelante (Frozen, Jennifer Lee e Chris Buck, 2013) Duas irmãs, muito próximas na infância, acabam se afastando por circunstâncias alheias às suas vontades. O enredo, bastante emotivo, poderia guiar qualquer história, mas coincidentemente pertence a uma animação sucesso de bilheteria. Frozen conquistou corações de crianças e adultos em todo o mundo e a nona maior bilheteria da história do Cinema, com faturamento de mais de US$ 1 bilhão. O filme venceu o Oscar em duas categorias em 2014: Melhor Canção Original e Melhor Animação.

Elsa possui poderes congelantes e, após um incidente, é proibida de usá-los antes de controlá-los. Sua irmã, Anna, fica sem entender nada e acha que a irmã não gosta mais dela. Ao alcançar a idade adulta, Elsa é convidada a assumir o reino, mas teme não estar apta a tal responsabilidade. Nesse meio tempo, Anna, sua irmã, tenta se reaproximar dela. Para quem tem um laço forte com seus irmãos, é impossível não se emocionar. E é uma animação protagonizada por mulheres, além de ser co-dirigida por uma mulher, Jennifer Lee, e deixar às novas gerações uma mensagem de empoderamento feminino. Um filme muito bonito para todos e todas. (Priscila Armani)


45- Guerra ao Terror (The Hurt Locker, Kathryn Bigelow, 2008) Dirigido por Kathryn Bigelow, o longa gerou bastante controvérsia quando foi lançado e, também, por ter ganhado o Oscar de melhor filme e de melhor diretora. Três soldados do esquadrão antibombas norte-americano atuam no Iraque, em meio às tensões de uma ocupação em que tudo se transfigura em ameaça. Um erro faz com que um deles morra e seja substituído por William James, que executa suas tarefas com muito sangue frio. Tudo e todos ao redor dos soldados podem desencadear explosões: a vida no Iraque ocupado é um risco constante.

A tensão permeia o longa, que se configura mais como uma série de desarmes de bombas do que como uma narrativa convencional. Ainda assim, é um interessante contraponto aos tradicionais filmes de guerra, cheios de vitórias e patriotismos. Por isso, o filme é mais humano ao apresentar um rosto mais real para a guerra. Kathryn Bigelow foi a quarta mulher a ser indicada ao Oscar de melhor direção e a primeira e única a levar o prêmio para casa. (Aline Monteiro Homssi)


44- Aos Treze (Thirteen, Catherine Hardwicke, 2003)

Quem nunca foi vida louca na adolescência que atire a primeira pedra… Tracy (Evan Rachel Wood) era uma menina brilhante, só dava alegria para a família e ia super bem nas escolas. Pelo menos até conhecer as drogas, a putaria e começar a tocar o terror como se fosse imortal. Graças às boas influências das “amigas”, a garota se perde totalmente e fica irreconhecível, brigando com todo mundo, principalmente com a mãe.

Catherine Hardwicke mostrou sua qualidade como diretora nesse lançamento de 2003, mas escorregou feio anos depois com produções horrorosas como Crepúsculo e (especialmente) A Garota da Capa Vermelha. A diretora dividiu os créditos de roteiro com Nikki Reed, que faz uma espécie de retrato biográfico de sua própria vida. Aos Treze é um filme obrigatório para quem tem interesse em comportamento adolescente, abuso de drogas e sexo. A produção foi bastante elogiada e recebeu indicações para o Oscar e Globo de Ouro. (Tullio Dias)


43- Across The Universe (Julie Taymor, 2007)

Dirigido por Julie Taymor, o filme é um sensível retrato dos anos 1960, a partir do desejo do inglês Jude de buscar seu pai, nos Estados Unidos. Ao chegar ao país, conhece os irmãos Max e Lucy e tem contato com a contracultura e as reações à Guerra do Vietnã. Toda a obra é permeada pela presença dos Beatles, do título do filme à trilha sonora, passando pelos nomes dos personagens e pelas situações vividas por eles. Bono Vox é o impagável Dr. Robert; Joe Cocker, um ícone de Woodstock (quando interpretou “A little help from my friend”, que posteriormente foi a música de abertura de Anos Incríveis) interpreta três personagens.

Ainda que o personagem principal seja um homem, Across the universe tem toda a leveza de uma visão feminina sobre o período retratado, por si só bastante árduo. As mulheres que compõem o núcleo principal são fortes, determinadas, libertas de amarras. Por outro lado, são os personagens masculinos que se mostram mais frágeis e dependentes emocionalmente, seja das mulheres ou das próprias âncoras estabelecidas com a rotina. Além de tudo, o filme tem as músicas dos Beatles em releituras bastante curiosas. Destaque para “Happiness is a warm gun”e “Strawberry fields forever”. (Aline Monteiro Homssi)


42- Os Batutinhas (The Little Rascals, Penelope Spheeris, 1994)

Penelope Spheeris dirigiu clássicos como Quanto Mais Idiota Melhor e A Família Buscapé. Mas no quesito fofura, nenhum deles bate Os Batutinhas, lançado em 1994. O elenco adulto até surpreende – Whoopi Goldberg, Mel Brooks, Lea Thompson, Daryl Hannah, Reba McEntire e até Donald Trump (claro, interpretando o pai do playboy Waldo) – mas a história é dominada por crianças e sua inocente visão de mundo. Lembra a simplicidade da infância, quando a vida se dividia entre escola e brincadeira. Alfafa é o primeiro membro do Clube dos Homens que Detestam as Mulheres, onde se reúne com os amigos, a perceber que meninos e meninas têm muito em comum e desenvolve um interesse especial por Darla, uma garota adorável do bairro. Embora parecesse que a mensagem do filme era de que os clubinhos fechados deveriam ser dominados pelos rapazes, no fim das contas prevalece a noção de que quem a gente não conhece pode nos surpreender, se dermos ao menos uma chance. Os Batutinhas é um desses filmes doces sobre crescer, descobrir o mundo e a puberdade. Mas com menos rebeldia e espinhas e mais doçura e candura. (Nathália Pandeló)


41- O Jogo do Dinheiro (Money Monster, Jodie Foster, 2016)

O último filme da diretora Jodie Foster, ao contrário do que se pode pensar, não é uma obra sobre o mercado financeiro. O foco é muito mais o jornalismo que é feito hoje e o buraco no qual a profissão vem se escondendo. Mesmo trazendo uma discussão mais rasa, o longa nos mostra que o problema é generalizado, e não apenas no Brasil, e indica que há muito paramos de fazer as perguntas certas, aceitando verdades como fatos. O protagonista é um figurão da mídia que ganha bem fazendo um espetáculo na TV. Não vemos análises ou dicas bem fundamentadas, mas dancinhas, memes e chutes relacionados a ações e ao que poderia ser lucrativo, indicando ações para seu público. Durante uma gravação, ele é surpreendido por um jovem armado que o faz vestir um colete com explosivos. Tudo isso para obter respostas. A tensão da história consegue se manter por quase toda a projeção, mesmo que seja fácil antecipar o final. (Marcelo Seabra)

Graciela Paciência

Graciela Paciência nasceu e cresceu em São Paulo. Por muito tempo acreditou que seu futuro estivesse na direção de videoclipes, mas agora prefere gastar seu tempo livre no cinema, em frente à TV ou na companhia de um bom livro. Gosta de Stephen King, clássicos e cinema europeu. Suas metas de consumo estão (quase) sempre atrasadas, mas o importante é seguir em frente.