Alex Gonçalves e os filmes assistidos em junho | Cinema de Buteco
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Alex Gonçalves e os filmes assistidos em junho

O Alex Gonçalves, do Cine Resenhas, está aqui para compartilhar com a gente todos os filmes assistidos em junho.

stanley-kubrick-self-portrait-with-his-daughter-jack-nicholson-and-the-crew-600x375 Alex Gonçalves e os filmes assistidos em junho

197 – Stanley Kubrick: A Life in Pictures: documentário precioso não apenas por fazer um habilidoso apanhado sobre a vida e a obra de Stanley Kubrick, como por extrair o lado mais afetuoso de um dos gênios mais excêntricos do cinema.

198 – Invocação do Mal: obra-prima de James Wan, é também o ápice de um movimento no gênero de regresso a um período em que as construções de atmosferas se davam com outros mecanismos.

199 – Invocação do Mal 2: um raro exemplo de sequência tão boa quanto a obra original, com uma desconstrução do famoso poltergeist em Enfield privilegiando o arco dramático dos Warren. A primeira metade tem um terror ininterrupto que vai perturbar o sono de muita gente.

200 – Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo: já era hora do UFC se transformar em matéria-prima de um longa nacional, ainda que Afonso Poyart outra vez comprometa a experiência com excessos e uma redenção que não comove.

201- Como Eu Era Antes de Você: nada mais do que um Nicholas Sparks de saias, ainda que o esforço do casal defendido por Emilia Clarke e Sam Claflin garanta que os espectadores mais sisudos cheguem ao final da história sem grandes aborrecimentos.

202 – Annabelle: John R. Leonetti foi um bom aluno de James Wan, entregando o que se espera de um bom e descompromissado terror com bonecos amaldiçoados. As críticas negativas são incompreensíveis.

203 – Na Cama com Madonna: Madonna sempre foi uma das personalidades mais ousadas do cenário musical e o melhor desse documentário é acompanha-la no ápice de sua carreira sem estabelecer qualquer censura.

204 – Hellboy 2: O Exército Dourado: não há aqui aquele encanto macabro que fez o original um filme tão fascinante de ser descoberto após uma trajetória comercial aquém do esperado. Ainda assim, o apego de Guillermo del Toro pelos seus monstros e todo o apuro estético que os envolvem fazem toda a diferença.

205 – Cronos: primeiro longa-metragem de del Toro, soa mais como um aquecimento para projetos futuros (e superiores). Os personagens sem dimensões acabam não sustentando a curiosa premissa.

206 – O Caseiro: eis um terror nacional com toques de suspense psicológico tecnicamente irrepreensível e que causa desconforto ao priorizar uma atmosfera bem construída em detrimento dos sustos fáceis. Pena que a sensação de ter sido trapaceado com o final surpresa comprometa a avaliação.

207 – A Espinha do Diabo: considerado pelo próprio del Toro como o seu melhor filme, soa como uma sessão para o cineasta exorcizar os demônios de seu passado, bem como fez posteriormente em O Labirinto do Fauno. O resultado não poderia ser menos que sensacional.

208 – Cenas de um Shopping: ter Bette Midler e Woody Allen discutindo a relação durante uma hora e meia parece bastar para render um bom filme. O problema é que não há nem um bom texto e muito menos uma direção dinâmica.

209 – Shade: Nos Bastidores do Jogo: boa trama de trapaça, daquelas em que os personagens mais astutos estão sempre um passo a frente do espectador. O elenco é um espetáculo a parte.

210 – Independence Day: antes de ser associado a filmes-catástrofe bobocas, o alemão Roland Emmerich tinha no currículo esse bom exemplar do subgênero, ainda imperdível pela mistura infalível de destruição em massa, humor e discursos heróicos de Whitmore, o melhor presidente americano da ficção.

211 – Sono da Morte: é difícil afirmar se Mike Flanagan é uma promessa que irá ou não se concretizar no gênero e Sono da Morte é daqueles filmes que não colaboram para um julgamento positivo. Que venha Ouija 2 para a avaliação definitiva.

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212 – A Viatura: com muito pouco, Jon Watts entrega um suspense angustiante em que duas crianças assumem um protagonismo inesperado diante da ameaça materializada no xerife de Kevin Bacon. O diretor prova aqui ser uma escolha curiosa para conduzir a próxima encarnação do Homem-Aranha.

213 – Two Friends: então afeita a curtas, Jane Campion carrega um texto que não parece suficiente para o formato de longa-metragem, acreditando que o uso da cronologia inversa irá atrair mais interesse ao material por vezes banal.

214 – Dark Star: a falta de recursos trabalha a favor e contra essa estreia de John Carpenter como diretor. Tem momentos impagáveis, como aquele em que um personagem fica preso em um elevador. Já os efeitos visuais pedestres não funcionam nem como humor involuntário.

215 – Faces: o amadurecimento de John Carpenter como cineasta e roteirista e o seu compromisso definitivo com o cinema independente, ainda que o costumeiro apego ao material bruto torne o resultado relativamente inchado.

216 – Assalto à 13ª DP: com poucos recursos, John Carpenter entrega um thriller de isolamento acima da média, ganhando pontos ainda com um improvável trio central de heróis.

217 – Fuga de Los Angeles: mesmo clonando a premissa do original e cedendo ao cartunesco conforme o roteiro progride, é um bom retorno de Snake Plissken, um herói que merecia uma trilogia.

218 – Pro-life: responsável pelo excelente Pesadelo Mortal, John Carpenter volta para a segunda e última temporada do Mestres do Terror deixando um sentimento de decepção ao final. Do horror classe B para a classe Z.

219 – Mulan: bem antes de Valente, a Disney já continha em seu histórico uma grande personagem que serviu de modelo para as meninas pela sua destreza e honestidade. Não envelheceu nem um pouco.

220 – Starman – O Homem das Estrelas: Carpenter obtém um resultado razoável dentro de todas as limitações de se trabalhar no sistema de estúdio. De memorável, somente o olhar de Karen Allen e a trilha sonora assinada por Jack Nitzsche.

221 – Domicílio Conjugal: François Truffaut parte de um texto mais sereno ao explorar as complicações do relacionamento a dois. Como sempre, rende um resultado acima da média, ainda que não figure na sua lista de obras mais memoráveis.

222 – Reaprendendo a Amar: em tom de crônica, Brett Haley faz um delicado registro sobre as possibilidades que a vida inaugura para uma personagem na terceira idade presa em uma zona de conforto emocional. Blythe Danner tem o papel de sua carreira e todas as cenas em que contracena com Martin Starr são de um encanto singular.

223 – Decisão de Risco: A Hora Mais Escura e Homeland inauguraram os tempos em que o cinema e a tevê compreendem os nossos tempos de guerras à distância. Este retorno à boa forma de Gavin Hood é um reflexo dessa transição, desde já um dos grandes filmes de 2016.

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224 – Independence Day: O Ressurgimento: tudo o que tornou a produção de 1996 em um filme pipoca da mais alta qualidade é destruído nesta continuação tardia e indesejada. Sem dizer a bipolaridade identificada no curso da destruição, daquelas que nos faz desejar abandonar a sessão.

225 – Elvis: sabe-se que John Carpenter lida aqui com algo que não pertence a sua ossada e, por isso mesmo, o resultado é consideravelmente surpreendente. Mesmo dublado, Kurt Russell é uma excelente encarnação de Elvis Presley.

226 – Impacto Profundo: Eis aqui um filme-catástrofe com uma tragédia anunciada que não é maior que os personagens e o drama que eles carregam diante do fim. Não se vê Hollywood produzindo filmes do subgênero com esses riscos e surpreende que essa realização de Mimi Leder tenha sido recebida com pouco entusiasmo.

227 – Mais Forte que Bombas: uma das grandes decepções do ano, com a omissão inconvincente das razões de um luto que se traduzem em uma poesia visual pedante. Até estalos de São João fazem mais barulho.

228 – Fogo Sagrado!: filme menor de Jane Campion, confuso na sua abordagem de temas como religião e desejo sexual e que parece se contentar somente com a entrega física e emocional dos grandes Harvey Keitel e Kate Winslet.

229 – Splendor: Um Amor em Duas Vidas: Gregg Araki parece satirizar a cartilha das comédias românticas com pós-adolescentes perdidos na vida, trazendo para ela uma protagonista atraída por dois homens. Muito divertido.

230 – Planeta Fantástico: bem que o francês René Laloux poderia ter um espaço mais cativo na bancada dos surrealistas, ainda que a sua animação também seja uma esplêndida ficção científica. Uma pena que a sua filmografia seja tão breve.

231 – White God: Kornél Mundruczó estabelece muito bem a dinâmica do cão sendo marginalizado em paralelo à busca de sua dona, uma garota que experimenta rapidamente a hostilidade de seu novo lar. O epílogo é extraordinário.

232 – 8: outra coletânea com segmentos que não se comunicam entre si, tratando de questões sociais com desinteresse ou uma pretensão constrangedora, como o caso do curta assinado por Gus Van Sant. Salvam-se Jane Campion, Gaspar Noé e Mira Nair.

Alex Gonçalves

Jornalista em formação, é editor do Cine Resenhas, no ar desde 2007. Apaixonou-se por cinema aos seis anos ao alugar filmes de terror na saudosa Voyage, começou a pesquisar sobre a linguagem ao conhecer a obra de Brian De Palma e tem uma queda por Nicole Kidman e Parker Posey. É também um leitor voraz e um viciado em música, da erudita ao house.