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Cinco grandes trabalhos de Scarlett Johansson

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NA ÚLTIMA QUINTA-FEIRA, dia 28 de agosto, Scarlett Johansson chegou aos cinemas brasileiros com Lucy, uma produção de ação e ficção científica que provou-se um grande sucesso financeiro desde que estreou em território norte-americano. Se isto deveria ser visto como algo natural, Hollywood infelizmente ainda mantém alguns dogmas machistas, e o gênero de ação, por exemplo, ainda é amplamente dominado por estrelas masculinas. Neste contexto, é importantíssimo que alguém como Johansson subverta as restrições impostas por um estereótipo – se o seguisse, ela deveria apenas viver belas e frágeis damas que seduzem os heróis – e consiga alçar grandes voos. Aproveitando a data, esta irresistível e extremamente talentosa figura do Cinema norte-americano ganha uma homenagem do Cinema de Buteco por alguns de seus papéis mais marcantes.

Encontros e Desencontros

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Sob as lentes de Sofia Coppola, Scarlett Johansson deu vida à frágil, jovem e melancólica Charlotte, talvez sua personagem mais marcante, e uma prova de maturidade para uma atriz pouco experiente, então com 19 anos. Podendo facilmente, por suas características físicas, entregar-se à interpretação de jovens populares em “filmes colegiais”, Johansson teve o desafio de viver uma personagem completamente perdida em sua própria vida, até encontrar Bob Harris (um sensacional Bill Murray), um homem de meia idade igualmente perdido. A aproximação de problemas é capaz de unir pessoas aparentemente completamente diferentes, mas que provam-se profundamente semelhantes: a aproximação da vida adulta e a frustrante meia idade são contextos de grande reflexão a respeito da situação vivida por cada um, o que já passou e os planos de futuro, propiciando a capacidade de aproximar faixas etárias tão diferentes, a partir de perspectivas próximas.

O reflexo do vazio representado por Charlotte e Bob é o que torna-os tão marcantes, complexos e dá a Johansson e Murray a oportunidade de trabalhar tão bem.

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Leonardo Lopes

 

Sob a Pele

Através de sua graciosidade jovial e uma beleza estonteante, Scarlett Johansson é hoje uma das maiores estrelas de Hollywood. E como as melhores atrizes, encontrou um projeto que lhe oferecesse uma fuga de sua zona de conforto. Em “Sob a Pele”, ela se despe de todos os seus privilégios para atender à perspectiva pouco favorável de Jonathan Glazer sobre a humanidade. Como uma alienígena sem nome à caça de anônimos que se transformarão em um sacrifício para um propósito não muito claro, Scarlett Johansson adota uma sensualidade calculada abruptamente substituída por uma desorientação desesperadora. E assim desperta em nós uma reação que confirma o seu desempenho em “Sob a Pele” como o mais bárbaro de uma carreira ainda em progresso: a compaixão que temos pela criatura que se reveste com as suas formas diante das contradições de nossas ações.

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Alex Gonçalves, do Cine Resenhas



 

Vicky Cristina Barcelona

Woody Allen não brinca mesmo em serviço. Foi só ser convidado para escrever uma história que se passasse na Espanha, que entregou Vicky Cristina Barcelona, esse filme delicioso do início ao fim, que nunca cai nos clichês das comédias românticas comumente produzidas atualmente, graças ao roteiro e interpretações do elenco. Scarlett Johansson (e sua costumeira beleza) faz bem o papel de Cristina: embora inconseqüente, ela não se deixa manipular por ninguém e não hesita em romper com uma relação que não trouxe a ela o ideal de amor que buscava.

João Andrade

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O Homem Que Não Estava Lá
O principal ponto de fascínio provocado por este trabalho dos irmãos Coen é o estudo de personagem em torno de Ed Crane (Billy Bob Thornton), irrefutavelmente o protagonista da trama, mas nossa homenageada da lista, ainda uma adolescente, rouba a cena até mesmo deste grande ator em alguns momentos da trama, por oferecer um fio de inocência e fragilidade numa trama onde todos parecem ter interesses reprováveis, com sua Birdy Abundas. Uma aparente coadjuvante mirim, a personagem ganha importância inesperada, interferindo diretamente no melancólico caminho do protagonista.

Leonardo Lopes

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Os Vingadores

A Viúva Negra de Scarlett Johansson ainda não ganhou um filme só para ela, muito em decorrência do machismo dos grandes estúdios explanado no parágrafo introdutório, mas isto é algo que não parece estar muito longe de ocorrer. O ápice da bela heroína ocorreu em Os Vingadores, divertidíssimo longa de 2012 que levou-a à ação junto dos mais poderosos heróis da Marvel, e é possível declarar sem medo: sua personagem, envolta por um passado de mistérios, é a mais instigante do poderoso grupo.

Leonardo Lopes

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