Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Guia de Consumo: O cinema de David Fincher

O Cinema de Buteco presta sua homenagem para o cineasta David Fincher e sua carreira: 

O Cinema de David Fincher

NASCIDO EM 28 DE AGOSTO DE 1962, David Fincher iniciou a sua carreira dirigindo vídeos musicais para artistas como Madonna, Aerosmith e Billy Idol, entre a metade da década de 1980 e começo dos anos 1990. Seu talento logo foi notado por um grande estúdio que o convidou para assinar a direção do terceiro filme de uma conhecida franquia sci-fi. Apesar da primeira experiência negativa, Fincher não desistiu e logo retornou com um suspense daqueles de deixar o espectador sem conseguir piscar. Com o sucesso da produção, as portas estavam abertas para que um dos nomes mais talentosos do cinema moderno conseguisse a atenção do público, da crítica especializada, e especialmente da Academia, que já o reconheceu com duas indicações ao Oscar de Melhor Diretor: O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social.

- Advertisement -

Para apresentar um pouco mais da carreira e das principais obras de David Fincher para quem ainda não o conhece muito bem, a redação do Cinema de Buteco preparou um breve guia comentando toda a sua filmografia.

Apreciem sem moderação.

David Fincher - Alien 3Alien 3

Após Ridley Scott e James Cameron colocarem seu estilo na franquia Alien em duas produções absolutamente geniais e incomparáveis, o estúdio decidiu que poderia contratar qualquer diretor e que teria controle absoluto de tudo que fosse acontecer na trama. O problema é que encontraram David Fincher, um jovem cineasta talentoso e com uma visão bem própria de fazer cinema. Lamentável que Alien 3 seja um produto tão medíocre para ser creditado como o primeiro longa-metragem desse cineasta ímpar.” – Ivan Magalhães

Oriundo do mundo dos videoclipes, onde comandou Aerosmith, Madonna, entre outros, Fincher não poderia ter um cartão de visitas pior. No alto de toda minha experiência com copos de cachaça, garrafas de long necks e os mais variados sabores de pipoca (de microondas) disponíveis, acredito que não há absolutamente nenhum traço de tudo aquilo que o cineasta viria a realizar em seus projetos futuros.” – Tullio Dias


Poster SevenSe7en – Os Sete Crimes Capitais

Confortável em se tratando de narrativas investigativas e procedimentais, Fincher atraiu a atenção do público com uma joia do subgênero de serial killer no trágico e visceral confronto entre os detetives Mills, vítima da própria impulsividade, e Somerset contra o John Doe, o Fulano de tal, que matava cruelmente segundo os pecados capitais. Um dos melhores desfechos que já vi na vida.” – Márcio Sallem, do blog Em Cartaz.

Fincher consegue dar um verdadeiro show ao comandar a dinâmica entre a impulsividade e a experiência em um verdadeiro jogo de gato e rato no qual os heróis são vítimas da mente insana do psicopata vivido por Kevin Spacey. O ambiente sufocante da cidade, as chuvas que nunca dão descanso, e os crimes violentos tornam Se7en uma das obras mais importantes do cinema dos anos 1990 e influenciou diversos outros trabalhos que vieram depois, como Jogos Mortais, por exemplo.” – Tullio Dias

Até hoje não me esqueço da cena final desse suspense genial de David Fincher. Fim que era tudo o que o psicopata interpretado por Kevin Spacey queria, o ciclo perfeito. Morremos com Brad Pitt, mas morremos felizes.” – Dani Pacheco, do blog O Que Rola no Cinema?


David Fincher - The GameVidas em Jogo

“Vida em Jogo costuma ser esquecido quando se comenta sobre o trabalho de David Fincher. Apesar de não ter “ibope”, trata-se de um thriller arrepiante sobre ser enganado pelas aparências e levado a participar de um jogo em que nada parece ser digno de confiança. Michael Douglas e Sean Penn formam uma dupla tão interessante quanto a que Morgan Freeman e Brad Pitt formaram em Se7en e que Pitt viria a formar com Edward Norton em O Clube da Luta.” – Tullio Dias

A obra fala de um milionário amargurado e que está “perdendo sua humanidade”. Talvez como o personagem Scrooge, de Um Conto de Natal, a apatia dominara sua vida. E eis que diante deste cenário, coisas estranhas começam a acontecer. A sua fortuna desaparece e sua vida corre em risco diante de um golpe realizado por uma organização desconhecida. Não quero entrar muito em detalhes para evitar spoilers, mas confesso que esse filme me cativou a acompanhar a obra daquele diretor. E foi o seu primeiro trabalho que assisti. Não fazia ideia de quem era David Fincher antes disso.” – Heliezer Soares

A narrativa ludopática de David Fincher desenvolve-se de forma estanha e inesperada, mas é o fascínio do diretor com a própria premissa e seu desejo de levá-la as últimas consequências, custe o que custar, que joga a pimenta em um dos filmes mais bacanas e menos elogiados do diretor.” –Márcio Sallem, do blog Em Cartaz.


3- Clube da LutaClube da Luta

“Ainda que mal recebido por parte da crítica e público por supostamente fazer apologia à violência e imputado injustamente da responsabilidade pelo massacre praticado por um estudante dentro de uma sala de cinema, a grande obra-prima de Fincher discute as mazelas da vida contemporânea – o consumismo, a insatisfação e o vazio existencial – por meio dos golpes secos desferidos mas recebidos com grandes sorrisos. Com domínio pleno da linguagem cinematográfica, inclusive com emprego de mensagens subliminares, e um senso crítico raramente equiparado noutra produção de estúdio, esta obra-prima incomoda, machuca e gruda na cabeça do espectador para sempre.” – Márcio Sallem, do blog Em Cartaz.

A primeira regra sobre O Clube da Luta é: você não fala sobre O Clube da Luta.” – Tullio Dias

Mais uma parceria inesquecível ao lado de Brad Pitt e que nos prende o tempo todo, até nos revelar uma explicação surpreendente. E que traz um dos melhores finais com música da história do cinema. Nunca mais ouvi “Where Is My Mind?” da mesma forma.” – Dani Pacheco, do blog O Que Rola no Cinema?


Melhores Filmes de Suspense - Quarto do PânicoQuarto do Pânico

David Fincher costuma ser ainda mais eficiente quando afastado de adaptações complexas, como as de Clube da Luta e O Curioso Caso de Benjamin Button. Em O Quarto do Pânico, Fincher faz um trabalho exemplar como diretor de uma trama escrita por David Koepp, evocando Alfred Hitchcock ao encurralar Jodie Foster e Kristen Stewart, mãe e filha, em um cômodo secreto de uma propriedade invadida por bandidos, entre os quais Forest Whitaker e Jared Leto. É um contexto aparentemente simples, mas que traz Fincher em seu momento mais criativo na arquitetura da tensão – lembrem-se da busca em slow motion de Foster por um celular e de insulina para a diabética Stewart.” – Alex Gonçalves, do blog Cine Resenhas

“Foi uma das minhas primeiras experiências com o cinema de David Fincher e apreciei bastante como é que o diretor conseguiu tirar água dessa pedra, afinal de contas, o roteiro tinha tudo para ser bem tedioso. E tédio é algo que passa bem longe de Quarto do Pânico.” Ivan Magalhães

Como um experimento de direção é mega eficaz, mas a narrativa é babaca.” – Thiago Dantas

David Fincher deixaria Edgar Alan Poe orgulhoso com sua própria versão de “O Barril de Amontilado”. Somente um cineasta como Fincher para conseguir tornar interessante uma história sobre mãe e filha presas dentro de um quarto.” – Tullio Dias


Melhores Filmes de Suspense 2000 - ZodiacoZodíaco

A obra celebra os méritos artísticos de Fincher, que renunciou humildemente a qualquer artifício estilístico – decisão só de um diretor seguro e confiante na força da história – para estabelecer uma investigação extensa, minuciosa e não-resolvida assim como as consequências deixadas naqueles que dela participaram.” – Márcio Sallem, do blog Em Cartaz.

Baseado no livro homônimo, o filme relata o caso de um serial killer que aterroriza a região da baia de São Francisco na década de 1960-1970. E bem, não quero falar muito sobre o filme, pois é interessante degustá-lo como o mínimo de informação possível. Investigativo e intenso, Zodíaco nos deixa apreensivo a cada instante. O mistério paira no ar e nunca se sabe em qual direção os protagonistas irão seguir. Fãs do gênero não podem perder essa obra e ela entraria facilmente no meu top 3 do diretor.” – Heliezer Soares

A primeira experiência com Zodíaco não foi positiva. Achei longo, arrastado e cansativo demais. Tudo isso por causa da expectativa de ver um novo suspense com o mesmo nível de violência e tensão de Se7en. Superada essa frustração, me permiti apreciar o trabalho de Fincher comandando Mark Ruffalo, Jake Gyllenhaal e Robert Downey Jr. e hoje as três horas da obra passam voando a cada revisão.” – Tullio Dias


O Curioso Caso de Benjamin Button Poster - David FincherO Curioso Caso de Benjamin Button

Talvez um dos filmes mais bem feitos em termos técnicos, mais especificamente de maquiagem. A transformação que Pitt e Blanchett sofrem no romance é incrível, além de ser uma das maiores motivações que tenho na hora de rever a produção. Linda história de amor da protagonista, a qual literalmente morre em seus braços.” – Dani Pacheco, do blog O Que Rola no Cinema?

Se tratando de drama, David Fincher tem muito o que aprender. Ele pecou em não tentar conseguir arrancar lágrimas do público, o que não seria tão difícil. Acaba que o filme se torna um romântico drama sobre amores impossíveis, mas que não tem a intenção de emocionar demais. Quer ser apenas uma bela história triste.” – Tullio Dias


David Fincher - Social NetworkA Rede Social

A Rede Social é um bom filme, principalmente pela forma como coloca o fator humano por trás da história do Facebook, tão controverso e bem explorado.” – João Paulo Andrade

Com uma fotografia peculiar (principalmente na cena da competição de remo) o filme nos prende com os diálogos intensos, cheios de sentimentos bons e ruins. A montagem ágil é o ponto chave para a construção das ideias da obra” – Tainã Senna

Eu só entrei no Facebook por causa de A Rede Social.” – Tullio Dias

David Fincher já havia se interessado por uma história real interessante e realizou Zodíaco (Zodiac, 2007). Depois, voltou sua atenção para algo mais atual e decidiu contar uma história que vai muito além da criação do Facebook. A Rede Social (The Social Network, 2010) vai mais fundo nas relações entre os personagens, tentando não escolher um lado e evitando mostrar o protagonista, Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), como um vilão.” – Marcelo Seabra, do blog O Pipoqueiro


David Fincher - Poster Os Homens Que Não Amavam as MulheresMillennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres

David Fincher é conhecido por imprimir um estilo bem próprio em seus trabalhos. Mesmo quando se baseia em material pré-existente, caso de O Curioso Caso de Benjamin Button (2008), Clube da Luta (1999) ou A Rede Social (2010), sua mão é facilmente percebível ao longo da projeção. Em Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres (The Girl With the Dragon Tattoo, 2011), ele parece ter sido contratado para executar uma missão, seguindo à risca uma fórmula que lhe foi passada pronta. Em ponto algum o longa desagrada, mas não chega a ter grandes momentos. O brilhantismo do diretor parece estar soterrado pelo livro de Larsson e é ofuscado pelo receio de desagradar os fãs da obra. É um bom filme, que poderia ter sido comandado por vários outros diretores. Não é o que nos acostumamos a esperar de Fincher.” – Marcelo Seabra, do blog O Pipoqueiro

Enquanto a adaptação sueca era conduzida lentamente e dependia quase que exclusivamente da performance de Noomi Rapace, a versão de Fincher não depende das atuações para se sustentar. O estilo de Fincher acaba deixando de explorar muitos detalhes, é tudo realmente muito rápido, mas o que pode ser considerado como um defeito para algumas pessoas, é um ponto que acaba não importando quando se tem uma história envolvente e que os detalhes estão todos lá, exceto que não ficam mastigados. A estrutura narrativa da trama só faz os dois personagens se encontrarem na metade do filme e tudo acontece uma forma natural e extremamente bem construída. A velocidade das informações não impede o público de acompanhar as evoluções e mudanças sutis que acontecem na vida de Lisbeth (Mara) e Mikael (Craig).” – Tullio Dias


poster garota exemplarGarota Exemplar

Garota Exemplar é um daqueles filmes que grudam na nossa cabeça por dias, e você ainda não consegue chegar a uma conclusão sobre o que realmente pensar sobre as ações dos personagens retratados. E o mérito vai para a direção brilhante de Fincher.” – Tullio Dias

“Ben Affleck que nada, quem faz de Garota Exemplar um filme de suspense imperdível é Rosamund Pike. Do início ao fim, ela nos faz amar Amy, mesmo com a revelação que temos no terceiro ato. Não dá, ela é muito divertida e, quando chegamos ao fim, queremos que ela continue com seu domínio sobre Nick. Primeiramente, pois ela pode ser doida, mas é a típica vilã que gostamos de ver aprontar na telona. E, em segundo lugar, porque Nick é um chato, então vê-lo sofrer nas mãos dela é muito bom.” – Dani Pacheco, do blog O Que Rola no Cinema?

David Fincher nos conduz ao longo de toda a obra com maestria. O diretor de Seven, Zodíaco, O Curioso Caso de Benjamin Button e A Rede Social mostra, com este filme, seu talento em ser um par de mãos invisíveis por detrás de tudo o que vemos. Ele está presente nos detalhes, não sendo muito evidente, mas também não passando despercebido. Seu toque de Midas está lá e é graças à sua condução que duas horas e meia passam voando. Chega a ser assustador olhar pro relógio e perceber que sequer respiramos direito durante todo o filme.” – Priscila Armani

“Uma mulher desaparece e seu marido inicia as buscas, ao lado dos pais dela e da polícia. Isso é tudo que você precisa saber sobre a história de Garota Exemplar (Gone Girl, 2014) para decidir enfrentar uma sessão. Ou basta saber que o diretor é David Fincher, o que já é suficiente para muitos, tamanha é a competência que o sujeito vem demonstrando. Calculadamente, ele faz o público mudar de opinião e de sentimento por cada personagem à medida que a história avança. Os longos 149 minutos passam rápido, como é costume na obra do cineasta. Fincher é hábil ao construir o filme, conduzir seus atores, amarrar os talentos técnicos, fazer críticas e entreter. E ainda faz pensar no que foi visto por um bom tempo após o fim da exibição.” – Marcelo Seabra, do blog O Pipoqueiro

Melhores Filmes de Romance 2014 - Garota Exemplar

Comentários