Guia de Consumo: Richard Linklater em cinco filmes essenciais | Cinema de Buteco
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Guia de Consumo: Richard Linklater em cinco filmes essenciais

Richard Linklater e o Oscar 2015

Conheça um pouco da obra do indicado ao Oscar 2015 de Melhor Diretor, Richard Linklater, em cinco filmes essenciais:

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O texano de 54 anos finalmente teve seu reconhecimento também como diretor e não apenas como o excelente roteirista que é.

Linklater não está preocupado com o homem no espaço, a máfia italiana ou qualquer situação mais distante do nosso dia a dia. Seus anseios e sua marca autoral consiste naquelas perguntas que nos assombra geração após geração: o que somos? Por que e como vivemos? Por que e como amamos?

Seus personagens poderiam ser qualquer um de nós, em qualquer cidadezinha americana (ou europeia). O Cinema de Buteco decidiu fazer esse guia sobre aquele tio que entende nossas crises existenciais e confusões mentais muito bem.

E mês que vem teremos um especial completo com a filmografia do diretor em diversas críticas de suas obras! 🙂


Jovens, Loucos e Rebeldes
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Jovens, Loucos e Rebeldes é um filme produzido para garotos. Isso pode irritar um pouco as meninas, mas antes de insinuar um possível posicionamento machista do roteiro é preciso entender a proposta do longa-metragem. As meninas viram coadjuvantes enquanto acompanhamos a trajetória de vários garotos. No entanto, se trata apenas do foco da narrativa. As meninas estão lá fazendo as suas coisas, mas a perspectiva geral é toda em cima dos rapazes. (Tullio Dias)


Trilogia do Antes

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São três filmes diferentes, mas que são impossíveis de serem separados. Não digo que seja difícil eleger um ranking pessoal na trilogia, no entanto. Pessoalmente, nada supera o último episódio. Amo o clima doce e aventureiro da primeira parte. Me identifico com o peso e as frustrações do segundo, mas é justamente com a plenitude da última parte que sinto maior atração. Jesse e Celine são meus amigos prediletos e me deram muitas lições inesquecíveis de vida, como desconfiar daqueles que não apreciam a beleza da trilogia de Richard Linklater. (Tullio Dias)

Para mim uma das melhores trilogias do cinema, os melhores romances também. Sou tão apaixonada por Jesse e Celine que eles me fizeram escrever o meu texto mais longo para o Cinema de Buteco (e olha que eu nunca escrevo pouco). Aos 20 e poucos anos, eles me ensinaram que é possível ser jovem, impulsivo, fazer tolices e inconsequências, sem perder todas aquelas reflexões tão importantes sobre a vida que temos nessa fase de dúvidas. Aos 30 e poucos eles me ensinaram a lidar com as amarguras inerentes dessa virada: não ser jovem o suficiente para se permitir errar tanto e não ser o maduro o suficiente para conseguir deixar os erros para trás. Com 40 e casados, eles me permitiram ver a importância de saber discutir e verdadeiramente enxergar o ao outro. Tudo isso sem nunca perder a fé no amor.

Eu mal posso esperar pelo que eles vão me ensinar aos 50! (Larissa Padron)


Waking Life

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A primeira animação de Linklater é também o primeiro longa feito inteiramente em rotoscopia, técnica que ele utiliza depois em O Homem Duplo (2006) e que consiste em animar por cima de uma filmagem. Inovador como sempre, o filme credita nada menos do que 32 animadores, o que faz com o traço vá mudando a cada cena. Mais uma vez, técnica combina perfeitamente com o tema: o onírico.

Waking Life acompanha o dia de um personagem sem nome que nunca sabe se está dormindo ou acordando. Mantendo conversas filósoficas com os mais diversos tipos de figuras (reais e fictícias), somos confrontados com dezenas de perguntas sobre a nossa existência. Linklater nos lembra que estar acordado não consiste em responder perguntas, consiste em questionar. (Larissa Padron)


Escola de Rock

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Jack Black é o cara e ele se encontra ainda mais quando trabalha com Richard Linklater. Em Bernie, o ator repete a parceria com o diretor e teve uma de suas atuações mais elogiadas pela crítica, mas nada que nos comova o suficiente para superar o seu trabalho como o professor mais sem noção que já se teve notícia na divertida comédia Escola de Rock. (Tullio Dias)

It’s a long way to the top if you wanna rock n roll. Se você viu o filme, você sabe o ritmo dessa frase. E bons filmes musicais tem essa característica: te fazer lembrar das músicas para sempre. Você provavelmente também quis ser uma daquelas crianças cativadas por um dos mais divertidos professores do cinema. (Larissa Padron)


Boyhood

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O trunfo principal de Boyhood é a sua trilha sonora, que agradará em cheio aos fãs de rock n’roll. O longa-metragem ganhou fama por conta da maneira como foi filmado: Linklater demorou 12 anos para concluir as filmagens, pois queria capturar o crescimento do ator principal. Muita gente esperava por algo maior e diferente, mas provavelmente são pessoas que nunca pararam para assistir e conhecer a obra do diretor. Boyhood é exatamente como a maioria dos outros projetos: um monte de papo em que nada realmente acontece e sempre consegue nos cativar. (Tullio Dias)

No projeto mais ambicioso, melhor executado e mais bem dirigido de sua carreira, Linklater resume a sua característica autoral já mencionada na introdução. Ver Mason crescer e passar por todas aquelas fases da juventude que todos conhecem é um presente a si mesmo. É auto conhecimento, é perdoar suas tolices do passado. É a vida, em 24 frames por segundo, em toda a sua sensibilidade. (Larissa Padron)


Bônus: Tape
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Ethan Hawke talvez esteja em um de seus melhores papéis em toda a sua carreira nesse drama tenso que apresenta dois amigos discutindo sobre uma terceira pessoa, que supostamente teria sido estuprada por um deles na época da escola. Com diálogos rápidos e certeiros, além de um completo envolvimento do elenco (além de Hawke, o filme conta apenas com Uma Thurman e Robert Sean Leonard), Tape pode parecer não ser importante na filmografia de Linklater, mas agora você sabe que não é bem assim e precisa assistir ao longa urgentemente. (Tullio Dias)

Redação do Buteco

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