Lucas Paio e os filmes assistidos em abril

Minha contagem de filmes vistos no mês vem caindo vertiginosamente: foram 39 em janeiro, 27 em fevereiro, 21 em março e apenas 11 em abril. Mas me compromenti a comentar cada um dos filmes assistidos no ano, e não dá pra pular um mês só porque não atingi uma cota cinéfila decente. Revisões estão marcadas com um asterisco.

44- titanic

88- Titanic (1997) (*): Já assisti ao romance-desastre de James Cameron trocentas vezes, incluindo três no cinema, e escrevi sobre ele no meu blog quando conferi o relançamento 3D em 2012, por isso não vou me repetir. Mas esta foi a primeira vez que vi também as quase 30 cenas deletadas, que deixariam o filme perto das 4h de duração caso não tivessem sido tesouradas. Não há nada assim essencial mas são trechos interessantes, que dão destaque maior a algum personagem secundário, reproduzem um detalhe histórico ou alongam cenas com os personagens principais (dois exemplos: vemos o que aconteceu com a Rose no quarto antes de correr chorando pelo convés e tentar o suicídio; e testemunhamos uma longa perseguição pelo navio inundado depois que Cal percebe que o diamante ficou com a Rose e manda o capanga ir atrás dos dois pombinhos). A única cena extremamente dispensável é um certo “final alternativo” em que o personagem de Bill Paxton vê a Rose velha jogar a joia no fundo do mar e descamba numa gargalhada maluca. Arrisco dizer que Titanic não ganharia tantos Oscars se essa cena continuasse lá.

Behind the Planet of the Apes - Planeta dos Macacos - maquiagem

89- Behind the Planet of the Apes (1998): Conferi este documentário sobre a franquia Planeta dos Macacos depois de fazer uma maratona símia no mês passado. Como seria de se esperar, metade do doc é dedicada ao primeiro filme, cheio de curiosidades (como testes de maquiagem) e anedotas (o orçamento limitado deu origem à civilização primitiva dos macacos, já que no livro eram muito mais desenvolvidos tecnologicamente; na hora do almoço, chimpanzés, gorilas e orangotangos comiam em mesas separadas; a trilha sonora usou uma cuíca brasileira). A segunda metade está mais para um resumão do restante da franquia original: serve apenas se você gosta do clássico de 1968 e não está afim de encarar mais 4 filmes pra saber como a história continua.

O Justiceiro 2004

90- O Justiceiro (2004): Um filme de vingança genérico, com um elenco consistentemente ruim: o anti-herói-título (Thomas Jane lembra Christopher Lambert e apresenta a mesma falta de talento), seus vizinhos (que geram cenas constrangedoras como a do jantar) e os vilões (John Travolta, sua esposa e seus capangas) estão todos péssimos. Fique a com a nova versão de Frank Castle na série do Demolidor, que é infinitamente melhor.

Um Crime de Mestre - Fracture

91- Um Crime de Mestre (2007): Descobri por acaso este filme estrelado por Anthony Hopkins e um ainda desconhecido Ryan Gosling. Apesar do ritmo um pouco lento, é um policial/drama de tribunal competente, sobre um jovem promotor que vê vitória certa no embate contra um acusado de homicídio, mas descobre que o réu é bem mais sagaz e manipulativo do que aparentava à primeira vista. Hopkins, sem dúvida, é o grande destaque.

Hush 2016

92- Hush (2016): Sozinha em sua casa no meio da floresta, uma escritora é perseguida por um psicopata no meio da noite e precisa se virar para sobreviver. Parece um filme de terror absolutamente típico e banal, mas um detalhe muda tudo: a protagonista é surda. Temos, com isso, um terror sem gritaria, com um trabalho de som eficiente e clichês subvertidos. Não oferece muito em termos de trama (lembrando Encurralado nesse ponto), mas aqui é o estilo que importa, e me surpreendeu bastante.

Kung Fu Panda 3 - Po e pai

93- Kung Fu Panda 3 (2016): A terceira aventura do ursídeo lutador mostra nítidos sinais de cansaço. É legal ver a relação entre Po e seus dois pais, e o elenco estelar ganha mais duas adições notáveis (Bryan Cranston como o pai-panda e J.K. Simmons como o vilão-iaque), mas faltaram piadas boas.

Mogli o Menino Lobo - Mogli e Balu

94- Mogli – O Menino-Lobo (2016): “É o Mogli que todos conhecemos, um moleque de tanga vermelha falando com bichos, mas com dois diferenciais fundamentais: um visual impecável e um elenco de vozes de botar respeito.” Leia a crítica completa.

Alpes 2011

95- Alpes (2011): Terceiro filme do cineasta grego Yorgos Lanthimos que vejo este ano. Assim como Dente Canino e The Lobster, este parte de um conceito quase surreal: um grupo de pessoas abrem um negócio onde imitam recém-falecidos para ajudar os parentes a superar o luto. A esquisitice não fica só na trama: está nos diálogos fora de lugar, nas cenas constrangedoras e na falta de explicação para muitas atitudes dos personagens. Gostei menos do que dos outros dois, mas Lanthimos se tornou um diretor cujo trabalho vou sempre querer conferir.

Asterix e o Dominio dos Deuses

96- Asterix e o Domínio dos Deuses (2014): O baixinho gaulês já ganhou diversas adaptações em animação e em live-action (essas bem ruins), mas esta é a primeira vez que aparece em computação gráfica, num filme que chegou agora ao Brasil, com dois anos de atraso. O CGI funcionou muito bem, criando um estilo cartunesco um pouco mais realista e extremamente fiel às HQs. O roteiro também adapta fielmente um dos melhores álbuns de Goscinny e Uderzo, divertindo ao mesmo tempo que coloca na roda temas como inflação, escravidão e assimilação cultural. Uma boa surpresa.

O Gato Fritz - Fritz the Cat 1972

97- O Gato Fritz (1972): Dirigido por Ralph Bakshi (o mesmo que comandou a animação de O Senhor dos Anéis que comentei no mês passado), é uma sátira à contracultura dos anos 60, repleto de sexo, drogas e revoluções. Definitivamente é um “cartoon” para manter longe das crianças.

Curtindo a Vida Adoidado - Ferrari

98- Curtindo a Vida Adoidado (*) (1986): O clássico-mor da Sessão da Tarde. Quando o coloquei na minha lista de filmes favoritos para o nosso top 100, escrevi que era “entretenimento puro, está comigo desde a infância e de quebra ainda me fez conhecer Beatles”. Em breve será tema de discussão no aguardado retorno de uma das atrações do Cinema de Buteco, aproveitando que o dia de folga de Ferris Bueller está completando 30 anos. É, a vida passa mesmo rápido demais…

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Lucas Paio

Lucas Paio é mineiro de Belo Horizonte, passou quatro anos na China e desde 2013 vive em Berlim, onde passa o tempo livre no cinema (os poucos que exibem filmes sem dublagem em alemão) e conhecendo a cerveja, digo, a cultura local.