Lucas Paio e os filmes assistidos em agosto, setembro e outubro

ESTA COLUNA ERA PRA SER MENSAL e estar repleta de recomendações cinematográficas com frequência, mas meu ritmo de filmes diminuiu violentamente ao longo do ano. Pra não abandonar o projeto (como um certo sr. Tullio Dias), venho investindo nessa onde trimestral. Cá estão, portanto, os filmes a que assisti de agosto a outubro de 2016. (As revisões estão marcadas com um asterisco.)

Agosto

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120- A Praia (2000): Tem bons momentos, mas o tom confuso – alternando entre suspense, sociedade secreta hippie e “filme inspiracional” – acaba prejudicando o conjunto final.

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121- Negócio das Arábias (2016): Tom Hanks no deserto tentando conseguir uma reunião com o rei saudita para lhe vender uma tecnologia de videoconferência. A sinopse não parece muito convidativa, mas o filme de Tom Tykwer é uma simpática dramédia sobre crise de meia-idade, ansiedade e romance pouco convencional.

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122- Star Trek – Sem Fronteiras (2016): O elenco entrega mais um bom trabalho, encarnando a tripulação clássica com a ótima química habitual, mas a trama chocha e o vilão genérico (Idris Elba desperdiçado) tornam este terceiro Star Trek pós-reboot mais um exemplo de como 2016 está sendo fraco em blockbusters.

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123- O Enigma de Kaspar Hauser (1974): Clássico de Werner Herzog baseado na improvável história real de um homem que passou infância e adolescência trancafiado num porão e é solto repentinamente por seu captor. É um filme estranho e fascinante (como de praxe na filmografia herzoguiana), com o personagem-título expondo, através de seu jeito infantil, as ilogicidades da “sociedade civilizada”.

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124- Seoul Station (2016): Esta animação sul-coreana sobre um ataque zumbi em Seul não traz nada de muito novo para o subgênero “mortos-vivos”, mas seus comentários sociais sobre moradores de rua, prostituição e outros temas, além do ótimo visual (especialmente o background urbano) valem a conferida.

Melhor Filme Oscar 2015 - Boyhood

125- Boyhood (2014) (*): Se na primeira vez que vi fiquei maravilhado com o feito de Richard Linklater (condensar a adolescência de forma coesa em um longa filmado durante 12 anos), na revisão bateu uma melancolia, à la Patricia Arquette naquela cena da cozinha, de que a vida passa mesmo rápido demais. No aguardo da sequência, Linklater!

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126- Super 8 (2011) (*): Basicamente um Stranger Things em 2 horas, incluindo monstros e referências spielberguianas, e trocando o RPG pela produção cinematográfica. Um bom passatempo para um sábado à tarde.

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127- Viva! A Babá Morreu! (1991): Filme típico de Sessão da Tarde, com uma trama absurdamente improvável (para cuidar dos irmãos pequenos depois que a babá-título bate as botas subitamente, Christina Applegate consegue do nada seu emprego dos sonhos) e piadas que talvez funcionassem há 25 anos, mas envelheceram mal.

128- Anjos da Lei 2 (2014): Repete as mesmas piadas do primeiro, mas tem plena consciência e inclusive usa isso como motor de mais piadas (incluindo a cena pós-créditos que imagina trocentas continuações, talvez o melhor momento do filme). O porém fica principalmente por conta do “bromance”, que às vezes é meloso e excessivo demais.

Setembro

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129- Sala Verde (2015): Suspense claustrofóbico que segue uma banda de punk rock metida numa enrascada das brabas no backstage de uma casa de shows neo-nazista. Bem construído, tem um momento tenso atrás do outro; destaque para o vilão minimalista de Patrick Stewart, um dos melhores do ano.

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130- Café Society (2016): Woody Allen mais uma vez recauchutando temas que já repetiu à exaustão: os bastidores do show-business, a nostalgia dos anos 1920/30, o romance entre uma garota e um homem mais velho, um protagonista judeu fazendo piadas com si mesmo. É um filme simpático, mas nada além.

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131- Cidade de Deus – 10 Anos Depois (2012): Documentário interessante que investiga onde foram parar Zé Pequeno, Buscapé e todo o elenco de um dos melhores filmes brasileiros da década passada. Há histórias de sucesso (como as carreiras internacionais de Alice Braga e Seu Jorge) e fracasso (como Rubens Sabino Silva, o Neguinho, que foi preso por roubo após o filme e continua na pior). Faltou Fernando Meirelles, que se envolveu na produção do documentário mas, sei lá por quê, não deu as caras em frente às câmeras.

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132- Indie Game – The Movie (2012): Interessante documentário que segue a produção de games caseiros, como Fez e Super Meat Boy, que viraram mania mundial. Não foca muito nas minúcias e tecnicalidades, mas no aspecto humano da coisa: os sacrifícios pessoais e sociais para desenvolver os jogos, as disputas judiciais e confusões empresariais, e os momentos de tensão em que algo pode colocar tudo a perder.

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133- The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years (2016): Não oferece muitas informações novas para quem já leu biografias dos Beatles ou assistiu à excelente série Anthology, mas traz muitas imagens raras e fascinantes. Se passa rápido por momentos e anedotas que mereciam mais destaque (como a confusão nas Filipinas), captura bem a loucura da beatlemania. A cereja do bolo foi ver, no cinema, os 30 minutos restaurados do show dos Beatles no Shea Stadium, terminando com a icônica versão de “I’m Down” que traz John Lennon despirocando nos teclados.

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134- A Rede Social (2010) (*): Os diálogos afiados de Aaron Sorkin, a direção segura de David Fincher, o jovem e competente elenco e a trilha viciante de Trent Reznor e Atticus Ross tornam A Rede Social um filme muito melhor do que uma simples história empresarial como tantos outros por aí.

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135- Quero Ficar com Polly (2004): Uma daquelas comédias românticas que todo mundo já tinha visto menos eu. Tenta ser Quem Vai Ficar Com Mary? mas acaba sendo um daqueles genéricos com o Hugh Grant.

Outubro

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136- Capitão Fantástico (2016): Um belo estudo de personagens com excelentes performances (o destaque, sem dúvida, é o protagonista Viggo Mortensen), momentos tocantes e que evoca outros ótimos filmes como Pequena Miss Sunshine e Na Natureza Selvagem.

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137- Esquadrão Suicida (2016): Olha, considerando o tanto que este filme foi espinafrado, pisoteado e execrado nos últimos meses, nem achei assim essa bomba toda. É mais um blockbuster genérico como tantos outros deste ano, com uma escolha óbvia de canções e alguns momentos absurdos (nem falo de magia ou superpoderes, mas daquele papinho de “somos uma família” que permeia a segunda metade). Mas como passatempo descompromissado, até que diverte.

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138- Sing Street (2016): Depois de Apenas Uma Vez e Mesmo Se Nada Der Certo, o irlandês John Carney retorna com mais uma simpática comédia romântica musical, desta vez trocando jovens de 20 e poucos anos por adolescentes e a contemporaneidade pelos anos 80. Se já vimos histórias parecidas (“moleque forma banda para conquistar garota”) em outros filmes, esta aqui tem charme próprio – e ótimas canções originais – para andar com as próprias pernas e merecer seu lugar entre os melhores do ano.

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Lucas Paio

Lucas Paio é mineiro de Belo Horizonte, passou quatro anos na China e desde 2013 vive em Berlim, onde passa o tempo livre no cinema (os poucos que exibem filmes sem dublagem em alemão) e conhecendo a cerveja, digo, a cultura local.