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Top 10 – Melhores Filmes de Drama de 2014

O GÊNERO MAIS COMUM DO CINEMA É O DRAMA. Na verdade, qualquer filme pode ser encaixado nessa categoria, mas isso seria um longo papo e o foco aqui é apresentar apenas dez obras que se destacaram ao longo dos últimos 12 meses e mereceram entrar na lista de melhores filmes de drama de 2014. Preparem os lenços, ou não, e divirtam!


10 – Uma Longa Queda

poster uma longa quedaUma Longa Queda é ousado por se arriscar a fazer piada com um tema considerado proibido. Sem ridicularizar a condição do suicida em momento algum, o sucesso do filme está em tentar mostrar que sempre existirá esperança, por pior que seja o momento, maior que seja a dor, encerrar a vida bruscamente não é uma resposta. Citei novamente a cena do discurso de JJ por saber que ela resume a dor de quem se foi ou ao menos pensou em ir. Não deixa de ser uma lição de otimismo ver aquilo sendo retratado com tanta beleza e intensidade. E a certeza de que Aaron Paul fez valer o seu ingresso.

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Tullio Dias


9 – Locke

melhores filmes de drama de 2014 - lockeTom Hardy tem a difícil missão de sustentar o interesse do espectador ao longo do interessante Locke, que apesar de sua qualidade inquestionável (especialmente em relação ao desempenho do protagonista) não é uma obra indicada para qualquer tipo de público. Assim como acontece em Até o Fim, o filme inteiro foca apenas na ação de um único personagem. Se na produção estrelada por Robert Redford o silêncio impera, em Locke a situação é bem mais atrativa graças aos diversos telefonemas cada vez mais tensos do protagonista.

Tullio Dias


8 – O Sobrevivente

melhores filmes de drama de 2014 - sobreviventeEsta produção dinamarquesa, dirigida por Baltasar Kormákur infelizmente passou batida pelos cinemas brasileiros, alcançado um pequeno público e um ainda menor reconhecimento crítico. Certamente, merecia maior repercussão. A preocupação do longa com a consequência é um fator digno de grande reconhecimento – afinal, a jornada de Gulli (Ólafur Darri Ólafson) vai muito além da sobrevivência, e os caminhos que sucedem esta podem tornar esta jornada ainda mais angustiante.

Leonardo Lopes


7 – Nebraska

18 - NebraskaNebraska é uma aposta na simplicidade: trata-se de história comum sobre um homem já pela bola sete que acha que ganhou uma bela grana num golpe publicitário dessas revistas sem propósito. Quase tudo na narrativa é construído em redor desse contexto meio blasé, meio enfadonho, enquanto as expectativas dos personagens que surgem em torrente afluem a um ponto comum: um milhão de dólares – tão importantes quanto qualquer rosebud ou falcão maltês para o filme.

Raphael Katyara


6 – Inside Llewyn Davis

inside_llewyn_davisA fotografia impecável soube retratar o inverno carregado de neve de maneira perfeita. A trilha sonora é um caso de amor á parte, repleta de músicas lindas que tocam o coração de forma divina. Se você for chorão (ou chorona) igual a mim, prepare os lenços. Não consigo achar a palavra certa para descrever o roteiro. Perfeito seria pouco. O filme conta com um elenco mais que incrível: John Goodman, Carey Mulligan, Garret Hedlund e o queridinho Justin Timberlake. Por ser claramente uma homenagem ao Folk dos anos 1960, nada mais justo que todos os personagens cantores tenham talento para interpretar pessoas e músicas.

Thais Vieira


5 – Até o Fim

14 - Até o FimO drama da solidão. Ao nos depararmos com este trabalho de J.C.Chandor, podemos esperar apenas mais um drama de “sobrevivência no mar”, quase um sub-gênero do Cinema recente. Graças às decisões narrativas de Chandor e à interpretação forte do protagonista Robert Redford, no entanto, Até o Fim consegue ser um filme solitariamente diferente em meio a um mar de produções – perdão pelo trocadilho -, assim como um outro título desta lista, O Sobrevivente, mas por outras características – a obra é marcada por um angustiante silêncio, conseguindo passar um sentimento de profunda solidão como em poucas outras vezes vimos.

Leonardo Lopes


4 – Ninfomaníaca

3 - NinfomaníacaDividido em dois volumes, Ninfomaníaca pode ser pensado como a sinfonia evocada em um dos capítulos narrados por Joe (Stacey Martin e Charlotte Gainsbourg): o primeiro volume era uma sinfonia inacabada, interrompida, a história da formação e validação de um corpo enquanto território de desejo incontido, em busca de constantes realizações. Quando a história é retomada no Volume II, os desdobramentos de uma prática sexual nunca normatizada, a não ser pelos objetivos pragmáticos da protagonista, chegam a um debate ético e político em torno do direito ao poder sobre si – e de como a vida em sociedade exige que os desejos que mobilizamos como sujeitos se escondam sob um manto de hipocrisia e culpa que não nos são naturais.

João Andrade


3 – Clube de Compras Dallas

Clube de Compras DallasClube de Compras Dallas debate não apenas o drama de seus protagonistas, como faz questão de apontar o dedo na ferida e questiona os interesses das pessoas que deveriam se preocupar exclusivamente com a saúde de seus pacientes. A indústria farmacêutica é uma grande máfia e fabrica milhões de dólares com as vendas de determinados medicamentos. Mas a verdade é que o lado da denúncia fica ofuscado diante atuações tão envolventes quanto essas que McConaughey e Leto entregam para o público.

Tullio Dias


2 – Boyhood: Da Infância a Juventude

melhores filmes de drama de 2014 - boyhoodBoyhood: Da Infância à Juventude é um filme ambiguamente delicado.Primeiro, porque se trata de sensível trabalho de Richard Linklater – embora isso até possa soar redundante, já que o diretor esbanja doçura e fluidez em quase todos os seus longas anteriores (vá lá, a despeito de algumas irregularidades, como o equivocado-porém-crítico Nação Fast Food). Depois, porque se trata de um filme… ahn… de fato, “delicado” – sobre o qual o olhar da crítica recai com dura dificuldade. Ora, ao mesmo tempo em que o trabalho do diretor é um longo e belíssimo exercício de criação cinematográfica, seu resultado pode soar, por muitas vezes, obsessivo e (sim, sinto afirmar) muito frustrante.

Raphael Katyara


1 – 12 Anos de Escravidão

12 Anos de Escravidão - Pôster NacionalFincando o dedo em uma ferida ainda aberta da humanidade, Steve McQueen (Shame) não poupa o público de um reencontro visceral com alguns dos grandes horrores do regime escravocrata – e os maiores destaques nesse sentido são, sem dúvida, os dois longos planos em que o diretor testa os nervos do espectador, levando-os ao limite: aquele em que o protagonista precisa se equilibrar na ponta dos pés sob uma poça de lama para evitar o enforcamento e o outro em que a sofrida Patsey (Lupita Nyong’o) é praticamente mutilada, nas várias conotações que o termo pode assumir.

Eduardo Monteiro


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