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51 Melhores Filmes Românticos de Todos os Tempos (da última semana)

10- Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Michel Gondry, 2004)

O filme acompanha Jim Carrey procurando uma empresa que apaga memórias específicas para deletar sua ex (Kate Winslet) de suas lembranças. Ele se arrepende durante o processo e tenta fugir com ela para lugares da mente onde aquele amor possa ser preservado. Em um determinado momento dessa fuga, ela fala para ele: “me leve para um lugar da sua memória que eu não faça parte”. E ele responde: “eu não consigo lembrar de nada sem você”. Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças é um exercício narrativo brilhante unindo dois criadores geniais: Charlie Kauffman e Michel Gondry. Mas a mensagem residual que fica eternamente (perdoa o trocadilho) com você é: amor nunca é perfeito e nunca é livre de traumas e cicatrizes. Mas todas essas marcas que definem sua história representam o que você é verdadeiramente. (Larissa Padron)


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9. Melhor é Impossível (As Good as It Gets, James L. Brooks, 1997) O problema da democracia é que às vezes os melhores não recebem a devida atenção. Amo a trilogia do Antes, de Richard Linklater, mas falta muita sustância cinematográfica para que qualquer um três filmes se aproxime do resultado de Melhor é Impossível. Felizmente, a turma do Cinema de Buteco fica de olho para evitar algumas injustiças e dá a dica de uma obra-prima indispensável para curtir o dia dos namorados ou um final de semana qualquer na cia da pessoa amada.

A sinopse bem básica: Helen Hunt vive uma garçonete solteira que se envolve com um velho excêntrico (Jack Nicholson em um dos melhores papéis de sua carreira), enquanto a vida de ambos se conecta com um artista gay vítima de um roubo.

O que realmente fala o filme: É uma declaração de amor mortífera de um homem cheio de defeitos para a mulher que faz com que ele queira ser uma pessoa melhor. É o amor atuando na superação de preconceitos e correção de comportamentos tóxicos. Coisas que só o cinema pode fazer por você. (Tullio Dias)


8. Luzes da Cidade (City Lights, Charles Chaplin, 1931)

No começo da década de 1930, quando o cinema mudo lutava para sobreviver após o surgimento do cinema falado, Charles Chaplin apresentou ao mundo umas das mais belas histórias de amor. Vagabundo, personagem mais conhecido de Chaplin, se apaixona por uma florista cega que está com dificuldades financeiras. Ele conhece também um milionário que tem tendências suicidas quando está bêbado, mas que não se lembra de ser salvo por Vagabundo.

Com o intuito de salvar a moradia da florista e dar a ela a oportunidade de voltar a enxergar, o protagonista passa por situações degradantes sem revelar a sua verdadeira identidade. É um filme simples, sensível e emocionante. (Graciela Paciência)


7- Encontros e Desencontros (Lost in Translation, Sofia Coppola, 2003) Mais difícil que voltar pra casa depois daquela viagem de verão perfeita, só explicar o que se passa no final de Encontros e Desencontros.

Romântico de um jeito inusitado, te dá aquele nó na garganta e você nem sabe exatamente o porquê. Uma ótima trilha sonora e uma fluidez singulares. E se a primeira cena já não chamar a sua atenção, as locações, de alguma forma, irão. Sutil e marcante ao mesmo tempo.

Um dos melhores momentos da carreira de Sofia Coppola, brilhante em conduzir Bill Murray e Scarlett Johansson como um improvável casal que se conecta através de suas diferenças e angústias. (Tullio Dias)


6- Ela (Her, Spike Jonze, 2013)- Sem precisar ir muito longe, como as inventivas ficções científicas dos anos 80 e 90, Ela propõe questões interessantes acerca do futuro relacionamento entre humanos e suas criações tecnológicas. Seria possível um homem se apaixonar por uma personalidade feminina projetada para atendê-lo, e ainda por cima sem um corpo físico? Seria sempre um namoro à distância, já que os pombinhos não se encontram nunca? Só desenvolvem a relação com muito diálogo. Spike Jonze, apenas em seu quarto longa de ficção, chega mais longe que muito veterano por aí.

Além do roteiro e da direção, um grande trunfo de Ela é o elenco. O casal principal apresenta uma química fantástica mesmo sem que possamos ver a garota em momento algum. Mas isso não diminui a presença em cena de Scarlett Johansson, que domina seus diálogos e faz o público imaginar uma mulher linda, o que de fato ela é. Para Theo, a beleza não importa, ele quer apenas uma companheira, alguém para trocar ideias e afastar a solidão e os pensamentos negativos. Samantha, mesmo sendo virtual, consegue cumprir essa função, mas aí vem a vida e estraga tudo. (Marcelo Seabra, do site O Pipoqueiro)


5- La La Land – Cantando Estações (La La Land, Damien Chazelle, 2016)

Alguns amam, outros odeiam, e o mais engraçado é que ambos os sentimentos são causados pelo mesmo motivo: La La Land é uma homenagem aos grandes musicais de Hollywood e nem todo mundo gostou disso.

Porém, é inegável a qualidade técnica do filme de Damien Chazelle, o mais jovem ganhador do Oscar na categoria Melhor Diretor. O pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) e a aspirante a atriz Mia (Emma Stone) formam um casal que passam pelos trancos e barrancos da realidade ao tentar manter a relação enquanto almejam sucesso profissional.

É emocionante e duro, afinal mostrar ao público que muitas vezes o amor não basta é difícil e triste, mas é real. Em contraponto, os números musicais são hipnotizantes e impecáveis, o que tornou La La Land um queridinho entre os amantes de musicais, romances e cinema. (Graciela Paciência)


4. Questão de Tempo (About Time, Richard Curtis, 2013) – Misture o consagrado roteirista e diretor Richard Curtis (de Simplesmente Amor, 2003, e Os Piratas do Rock, 2009), um casal de atores em perfeita sintonia e viagens no tempo. Pode parecer loucura, mas o resultado dá muito certo. Questão de Tempo (About Time, 2013) não deixa de ser uma comédia romântica, mas vai mais longe ao misturar algumas questões existenciais encontráveis apenas nas melhores ficções científicas. Isso, além de ser mais engraçada que a maioria de seus pares, que geralmente ficam apenas no romance água com açúcar.

Domhnall Gleeson vive um jovem inglês que descobre poder viajar no tempo, dentro de sua própria linha de vida, e alterar o que julgar necessário. Ele só precisa tomar cuidado com o efeito borboleta, já que cada mínima alteração no passado pode ter consequências grandes no futuro. Como todo jovem, ele passa por experiências de crescimento e formação até ir para a cidade grande, Londres, onde vai conhecer a mulher de sua vida – onde entra Rachel McAdams. E ainda temos, de brinde, o grande Bill Nighy, sempre uma ótima figura a se acompanhar. (Marcelo Seabra, do site O Pipoqueiro)


3- Casablanca (Idem, Michael Curtiz, 1942) Lançado em 1942, Casablanca continua atual, como acontece com as boas histórias. Mesmo sem ter a trama ou os diálogos definidos no início das filmagens, o longa conseguiu levar os Oscars de Melhor Filme, Diretor e Roteiro Adaptado. A mistura do estilo durão de Humphrey Bogart com a beleza e delicadeza de Ingrid Bergman criou um dos grandes casais da sétima arte, em meio ao maior conflito do século: a Segunda Guerra Mundial. O Marrocos era a rota de fuga de refugiados políticos, o que trouxe grande importância à sem graça cidade de Casablanca, eternizada como palco do amor de Rick e Ilsa. E quem consegue esquecer um clássico como “As Time Goes By”, uma das melhores canções já tocadas em um filme? (Marcelo Seabra, do site O Pipoqueiro)


2- O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, Ang Lee, 2005)

Ang Lee já tinha mostrado coragem ao apresentar um casal de homossexuais chineses em Banquete de Casamento, só que ele foi além dessa temática em O Segredo de Brokeback Mountain ao “cutucar” o ícone masculino norte-americano: o cowboy.

Adaptado do conto da ganhadora do Pulitzer Annie Proulx – para muitos sua obra-prima -, a obra narra a história de amor entre os caubóis Ennis del Mar, Heath Ledger, e Jack Twist, Jake Gyllenhaall, que se apaixonam ainda jovens e seguem suas vidas em casamentos de aparência para fugir da preconceituosa sociedade sulista dos anos de 1960. 

Filme que projetou o memorável Heath Ledger, que impressiona no papel do taciturno Ennis Del Mar, um sujeito “travado” que mal consegue se comunicar e carrega uma agressividade latente, mostrando quanto o preconceito e a supressão dos sentimentos podem nos desorientar. 

Outro ponto alto é o desempenho de Michelle Williams. Ela está irretocável na condição de esposa abandonada que se esforça para se manter lúcida em nome  da família, mesmo sabendo sobre a orientação do marido.

Pungente ao mostrar o quanto o preconceito está entranhado dentro de nós, vide a cena “forte” de Ennis socando a parede para desviar a dor do seu próprio sentimento, e delicado ao fugir do estereótipo de homossexual, Ennis é viril e mesmo assim não duvidamos do seu legítimo amor por Jack, cuja aceitação dos seus desejos funciona como um contraponto à tensão do companheiro, e talvez por isso é o que sofre as consequências.

Obra fundamental para desmitificar preconceitos, mostrando que para o amor não existe certo e nem errado. (Juliana Uemoto)


melhores filmes romanticos

1. Trilogia do Antes – Antes do Amanhecer (Before Sunrise, 1995); Antes do Pôr-do-Sol (Before Sunset, 2004); Antes da Meia-Noite (Before Midnight, 2013) Quem acompanha o Cinema de Buteco com frequência já sabe que nossa equipe morre de amores por essa trilogia. É até covardia quando vamos montar uma lista porque é quase certo que algum dos três títulos certamente será lembrado, como foi o caso nessa compilação de grandes filmes de romance de todos os tempos.

Richard Linklater, Ethan Hawke e Julie Delpy possuem uma química única e presentearam o público com uma história de amor inesquecível. Tudo começa quando dois desconhecidos se encontram durante uma viagem pela Europa. Nove anos depois, eles se reencontram e discutem as suas vidas desde aquele primeiro encontro. E então, já no terceiro – e último longa -, eles já possuem uma vida casados e tentam reencontrar a chama do amor que os mantém unidos e os torna tão inspiradores para o espectador.

São três obras diferentes que funcionam até de forma independente, sem que você tenha visto os anteriores. É óbvio que para quem conhece esses personagens e acompanhou desde o seu primeiro encontro em 1995, a emoção é completamente diferente, mas é uma experiência cinéfila única para aqueles que possuem sensibilidade apurada. (Tullio Dias)