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Os 30 Melhores Filmes de 2017

10- It: A Coisa

As adaptações das histórias de Stephen King chegam ao Cinema e à TV num volume tão grande que é preciso peneirar bem para chegar às de qualidade. A boa notícia é que, It – A Coisa, é uma das melhores. E é talvez aquela que melhor leva às telas o clima criado pelo autor, com todos os sentimentos que vêm à tona quando lemos seus livros. A trama nos apresenta a quatro garotos em vias de entrarem nas férias de verão e que, mesmo assim, não ficam livres das ameaças dos valentões da escola. Por esse interesse em comum, digamos assim, eles acabam se aliando a outros três e formam o “Grupo dos Perdedores”. E há outra coisa que os une: visões macabras trazendo à vida os piores pesadelos deles, geralmente personificados por um palhaço. Eles logo fazem a associação às crianças desaparecidas da cidade e entendem que são aqueles que devem parar essa ameaça. Como de costume na obra do mestre do terror, não faltam sustos e situações de tensão, muito bem entrecortados por momentos de humor. Mas isso não é o principal: há vários temas sendo desenvolvidos e o roteiro o faz lindamente. O amadurecimento, as dúvidas da juventude, o primeiro amor, a importância da amizade e a superação de traumas e dificuldades são alguns deles. (Marcelo Seabra)


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9- Detroit em Rebelião

Kathryn Bigelow comandou um dos principais longas da temporada – e infelizmente não existiu campanha de divulgação para o seu trabalho mais recente, especialmente no Brasil. Em Detroit em Rebelião, a cineasta apresenta uma feroz crítica ao racismo ao retratar uma ação policial desastrada que resultou numa série de abusos de oficiais da lei diante um grupo de jovens negros.

Com atuações fenomenais conduzidas pela habilidade cinematográfica de uma das mulheres mais talentosas da indústria, a produção deixa uma sensação horrível no estômago do seu público, que é obrigado a ser testemunha de uma série de injustiças que acabam transformando para sempre a vida dos envolvidos.


8- mãe!

Quando você pensa ter entendido uma parte de mãe! (mother!, 2017), outra não faz sentido e você volta ao início. E essa é uma das máximas da arte: ela te permite interpretar, independente do que o autor planejou. O que Carlos Drummond de Andrade tinha em mente quando escreveu determinado poema não importa quando tenho suas palavras e a minha capacidade de leitura. Talvez, seja essa a razão de tantas pessoas terem reclamado de mãe!: a falta de uma saída clara. Mas Darren Aronofsky não complica tanto. Ele apenas não facilita. Se houver elementos comprobatórios em cena, a teoria do espectador é válida. E várias já apareceram. E o filme fica na sua cabeça por bastante tempo. (Marcelo Seabra)


7- Bingo: O Rei das Manhãs

A década de 80 produziu alguns símbolos fortes, que trazem lembranças a quem viveu nessa época, e um deles é o palhaço Bozo. O que muita gente não conhece é a história por trás da maquiagem e ela é contada no Cinema em Bingo – O Rei das Manhãs (2017), primeiro longa na direção do premiado montador Daniel Rezende. Por questões de direitos autorais, os nomes precisaram ser alterados, mas o resto parece ser bem factual. Além de uma história interessante, com texto do veterano Luiz Bolognesi, Bingo conta com um trunfo ainda maior: seu protagonista. Vladimir Brichta (de Real Beleza, 2015) novamente acerta no alvo, dando o tom adequado a seu personagem, sempre com muita energia e nos fazendo crer no que está sendo mostrado. Vemos claramente quando ele assume a persona do palhaço, que funciona quase com a mesma dinâmica de um super-herói. E a comparação não é a toa: Augusto não pode contar a ninguém que é Bingo, o contrato o proíbe. Ele é a maior atração da TV, batendo recordes e vencendo a concorrência, mas ninguém pode saber. (Marcelo Seabra)


6- Logan

logan poster

Depois de 17 anos e oito filmes, Hugh Jackman decidiu que era hora de aposentar as costeletas e as garras de Wolverine, partindo para o último. Logan é o canto do cisne do ator na pele do mais famoso mutante da Marvel. Apesar de alguns furos de roteiro e situações resolvidas de maneira preguiçosa, é uma despedida muito digna. É uma surpresa ver uma trilogia que começou tão mal terminar tão bem, com uma história original que nos mostra um Logan que é ao mesmo tempo sentimental e selvagem. Este é de longe o melhor dos três filmes solo do personagem, além de adicionar elementos que podem – ou não – ser utilizados pela Fox em um futuro próximo. (Marcelo Seabra)


5- Bom Comportamento

melhores filmes de suspense de 2017 - bom comportamento(Good Time, Benny Safdie, Josh Safdie, 2017) Depois que um assalto dá incrivelmente errado, um ladrão passa a noite inteira tentando libertar o irmão deficiente mental de um hospital.

Existe um agradecimento a Martin Scorsese nessa produção dos irmãos Safdie. Muita gente comparou Bom Comportamento como se fosse uma versão criminosa não tão surreal quanto Depois de Horas, de Scorsese. Essa é uma boa credencial para garantir a qualidade do longa, mas ele vai além.

Robert Pattinson, que já está colecionando trabalhos excepcionais em sua carreira, mostra que está em franca ascensão para se tornar um dos grandes nomes da indústria. Sua atuação é um dos pontoas altos de Bom Comportamento, mas a cereja do bolo está num roteiro inteligente, cheio de situações inacreditáveis que vão se costurando com uma naturalidade absurda, como se o protagonista tivesse um verdadeiro imã para fazer cagadas.


4- Em Ritmo de Fuga 

poster baby driverCandidato a futuro cult, o mais recente esforço de Edgar Wright utiliza a música como poucas narrativas já fizeram – graças a um protagonista, o jovem Baby (Ansel Elgort), que a tem como o coração de suas ações. A velocidade e a intensidade de cada uma das fugas criminosas arquitetadas pelo piloto são invariavelmente determinadas pela trilha sonora que as embala passionalmente; a partir daí, algumas sequências memoráveis e o frescor narrativo garantem o ritmo envolvente de um “filme de corrida” que faz qualquer “Velozes e Furiosos” comer poeira. (Leonardo Lopes)

 


3- Blade Runner 2049

melhores lançamentos de outubro blade runner 2049Comandado por Denis Villeneuve (A Chegada), o novo Blade Runner é um show visual capaz de encher os nossos olhos de lágrimas. Desde Mad Max: Estrada da Fúria não via um trabalho tão lindo na fotografia e acredito que talvez seja inevitável ver o diretor de fotografia Roger Deakins recebendo o seu primeiro Oscar em 2018. São cenas maravilhosas que conduzem o espectador para um mundo gigantesco que é explorado sem pressa ao longo das 2h32 de exibição. Enquanto Villeneuve não tem pressa de criar sequências de ação, Deakins deita e rola.

São quase 3 horas que se passam sem cansar o público. Nós simplesmente embarcamos numa jornada misteriosa em busca da verdade e em momento algum queremos imaginar que existe um destino, um lugar para se chegar e concluir a história.


2- Corra!

Review Crítica de Corra PosterChris (Daniel Kaluuya) é um cara do bem que namora Rose (Allison Williams) e está prestes a conhecer seus sogros, para o desespero do seu melhor amigo. “Você não pode ir para a casa dos pais da sua namorada branca, negão!”, é o que ele alega. No entanto, Rose tranquiliza o seu namorado e diz que está tudo bem. Pois é. É o que todos dizem antes de apresentar os pais para seus respectivos ou respectivas. Chris logo descobre que algo muito esquisito está acontecendo e começa a temer pela sua vida.

Corra! é altamente recomendado para quem quer encontrar formas inusitadas do cinema combater o racismo, além de ser uma diversão certa para fãs de “comédias” involuntárias com boas doses de suspense e terror.


1- La La Land: Cantando Estações

Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista de jazz apaixonado pela arte. Ele acaba de perder o seu emprego num bar e começa a buscar alternativas para abrir o seu próprio negócio. Mia (Emma Stone) é uma garçonete aspirante a atriz, que coleciona fracassos nos seus testes para realizar o seu sonho. A vida dos dois se entrelaça por acaso, até que o amor pela arte os une para enfrentarem juntos os desafios necessários para serem felizes.

La La Land é basicamente um filme sobre o amor. Não apenas do tipo romântico ou sexual, daqueles que você pode sentir por uma ruiva como a Emma Stone, mas pela realização de nossos sonhos. É lindo ver como o casal funciona como uma unidade para encontrar maneiras de tornar possível as aspirações profissionais de cada um. Mia enfrenta rejeição atrás de rejeição, ao mesmo tempo que Sebastian se vê obrigado a tocar num projeto em que não acredita, mas que lhe dará o dinheiro. Ambos sofrem e se consolam mutuamente, pois acreditam em dias melhores. E isso é inspirador pra caralho.