Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Os filmes mais subestimados dos últimos dez anos

O Cinema de Buteco selecionou 13 filmes que deveriam ser mais apreciados pelos espectadores.

O Lugar Onde Tudo Termina (2013)

Luke (Ryan Gosling) é um motoqueiro do bem que toma a decisão errada quando descobre que tem um filho de um ano. Após se tornar um ladrão de bancos muito sem noção, ele acaba cruzando o caminho do policial Avery (Bradley Cooper). Anos depois, os filhos dos personagens se encontram na escola e acabam se envolvendo com drogas e vivem um conflito, sem que nenhum deles saiba sobre o pai do outro.

A melhor coisa do filme (melhor até que o Ryan Gosling) é a trilha sonora de Mike Patton. O inquieto vocalista do Faith no More assumiu a função de compositor e o resultado ficou muito especial. Dito isso, é uma produção para se apreciar sozinho, sem ter o stress de lidar com os vândalos que utilizam os celulares dentro das salas de cinema ou com a companhia de alguém que resolve falar e dar palpite no meio da história. Quando a sessão de imprensa acabou, percebi que cada um foi para o seu lado, sem querer muita conversa ou troca de opiniões. Quando comentam que o cinema é uma experiência prazerosa, mas solitária, estão se referindo a obras como O Lugar Onde Tudo Termina (Tullio Dias).

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Macbeth – Ambição e Guerra (2015)

É difícil se conformar que um filmaço como Macbeth passou desapercebido no ano de seu lançamento. Pior: até hoje é uma produção pouco valorizada pelos cinéfilos. Justin Kurzel (Os Crimes de Snowtown) comanda, de forma extremamente competente e ousada, essa nova adaptação de William Shakespeare, pautada por uma fotografia de tirar o fôlego e uma dupla impecável de protagonistas. Michael Fassbender e Marion Cotillard trazem toda a carga dramática e intensa, necessárias para os seus respectivos papéis de Macbeth e Lady Macbeth.

Uma pena ver tal produção ir de uma das mais aguardadas de 2015, para mais uma na lista de adaptações de Shakespeare. Resta saber se a próxima, de Joel Coen, seguirá o mesmo caminho (Dani Pacheco).

 

Anomalisa (2016)

Admirável tecnicamente por conseguir “passear” com a câmera através de cenários limitados como corredores estreitos e cômodos apertados, Charles Kaufman cria, com o auxílio do diretor de fotografia Joe Passarelli e dos designers de produção John Joyce e Huy Vu, uma lógica quase expressionista ao transformar os cenários do longa em representações da prisão em que vivem seus personagens. Anomalisa é um estudo do que é viver, trabalhar, interagir e se relacionar em nosso caótico, superficial e materialista século XXI.

Conhecido pela originalidade de seus roteiros, Kaufman jamais foi tão sensível e humano como neste seu novo trabalho (João Marcos Flores).

 

Você é o Próximo (2014)

Às vezes, assistimos a filmes de horror com receio. Não de sentir medo e acabar sem dormir, mas o receio puro de perder nosso valioso tempo. Em Você é o Próximo, slasher super divertido e com humor ácido, temos uma bela surpresa. Conhecemos uma protagonista, que se torna a heroína improvável no meio de uma narrativa em que um jantar de família acaba num verdadeiro banho de sangue (Tullio Dias).

 

 

 

 

Brooklyn: sem pai nem mãe (2019)

Um detetive durão, de coração mole, investiga uma trama que envolve gente poderosa, e encontra pela frente uma bela mulher de intenções dúbias. Essa é a sinopse básica das principais histórias clássicas da era de ouro da literatura policial.

Dez anos após adquirir os direitos de adaptação do livro homônimo, Edward Norton conseguiu lançar o filme, e a insistência valeu a pena. Ele criou uma obra com clima noir, com todos os elementos que o gênero pede: uma mulher misteriosa, um clube de jazz, um político sombrio, capangas bons de briga. No entanto, ele adicionou pontos interessantes que fizeram o resultado se destacar. A política é forte na história, assim como temas como racismo e gentrificação, algo raro de se ver na ficção (Marcelo Seabra).