Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Os filmes mais superestimados dos últimos dez anos

O Cinema de Buteco selecionou 13 filmes que foram mais apreciados do que deveriam. Partiu polemizar!

CHEGOU A HORA DE POLEMIZAR! NOSSA EQUIPE VOLTOU NO TEMPO E IDENTIFICOU ALGUNS FILMES QUE FORAM, DIGAMOS, APRECIADOS DEMAIS NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS. CONFIRA E DEIXE A SUA OPINIÃO NOS COMENTÁRIOS!

 

Argo (2012)

- Advertisement -

Argo é tão medíocre quanto as habilidades de atuação de Ben Affleck. Mas o filme tinha tudo o que era preciso para agradar ao público e às premiações: a dramatização de um evento real, no qual norte-americanos salvam outros norte-americanos de iranianos ameaçadores. Além disso, o longa se desenvolve como muitos outros longas-metragens hollywoodianos simplistas e maniqueístas de ação e suspense e, como tal, funciona bem como um entretenimento ao qual todos já estamos acostumados. Embora tal maniqueísmo tenha sido muito criticado e a total falta de precisão histórica tenha sido apontada por diversos personagens envolvidos no evento, estes não são os maiores problemas de Argo. O maior defeito da produção de Affleck é que, embora tome liberdade criativa para ir além dos fatos históricos, esta não oferece nada de original, intrigante ou mesmo marcante em seu roteiro ou cinematografia, que justifique um Oscar de Melhor Filme. Argo será rapidamente esquecido, se é que já não o foi (Mariana Mendonça).

Bilheteria: $ 232 milhões.

Oscar: melhor filme, melhor roteiro adaptado e melhor montagem. Total de sete indicações.

Rotten Tomatoes: 96%.

A Forma da Água (2017)

melhores lançamentos de 2018 a forma da agua melhores filmes de 2018Temos, aqui, um filme lindo, tecnicamente, e poético, provando mais uma vez que, quando um diretor sabe o que está fazendo, pode sair um resultado totalmente satisfatório para o público. Mesmo com tudo isso, realmente foi o suficiente para vencer o prêmio de melhor filme, num ano de produções excepcionais como Corra! e Três Anúncios para um Crime? O enredo, apresentado por Guillermo del Toro, é envolvente, mas não deixa de ser, e colocar em primeiro plano, aquela clássica história de amor impossível. A crítica social acaba perdendo o foco, então, não é uma produção que nos marca como as duas citadas anteriormente; muito pelo contrário: quanto mais passa o tempo, menos você se lembra do filme. E ele venceu o Oscar há somente dois anos! (Richard Alves).

Bilheteria: $ 195 milhões.

Oscar: melhor filme, melhor direção, melhor trilha sonora e melhor direção de arte. Total de 13 indicações.

RT: 92%

A Teoria de Tudo (2014)

poster a teoria de tudoEddie Redmayne é, provavelmente, o principal motivo de A Teoria de Tudo ter ganho tanto confete (Felicity Jones não vem muito atrás). O roteiro de Anthony McCarten falha ao não detalhar melhor o gênio de Stephen Hwaking, talvez com medo de entrar profundamente nos fundamentos da física e perder o público “não iniciado”. Ou de mostrar seu biografado como um ser humano com falhas, como qualquer outro. Se o filme apenas arranha a superfície nos dois casos, sobra apenas passar pontualmente por momentos importantes, pecado que a maioria das biografias comete.

As ótimas atuações do elenco servem a um drama mediano, produto de um roteiro acomodado e uma direção, de James Marsh, que se contenta com um tapinha nas costas de “bom trabalho”. Um prato cheio para uma tortura ao estilo Fletcher, o temível professor de Whiplash (Marcelo Seabra).

Bilheteria: $ 123,7 milhões.

Oscar: melhor ator. Total de quatro indicações, incluindo melhor filme e melhor atriz.

RT: 79%.

O Mestre (2012)

O problema do filme é o conteúdo, que fica um tanto vago e não escolhe uma direção a seguir. O longa é vendido como uma crítica à Cientologia e, de fato, usa alguns elementos ligados à seita dos famosos de Hollywood. Mas, em momento algum, Paul Thomas  Anderson toma uma posição de criticar o movimento ou os membros, limitando-se a mostrar traços negativos da personalidade do criador, Dodd (Philip Seymour Hoffman). Este parece se aproveitar de pessoas sem rumo, convocando-as para a sua “causa”, e ficamos sem saber exatamente o quão genuína é a sua afeição por Freddie (Joaquin Phoenix). Sua inexistente disposição para argumentar sobre a causa só reforça a hipocrisia dele, que espera que as pessoas o sigam cegamente, ignorando o seu passado e a sua vida conturbada.
O roteiro se prende à relação entre os dois, deixando a causa de lado e perdendo a oportunidade de fazer críticas mais incisivas. Só o que ganhamos são boas interpretações, em um filme chato que nunca deslancha (Marcelo Seabra).

Bilheteria: $ 28 milhões.

Oscar: indicações a melhor ator, melhor ator e melhor atriz coadjuvantes.

RT: 85%.

Lady Bird: É Hora de Voar (2017)

A Lady Bird (Saoirse Ronan) do título é uma adolescente que tem consciência de que pode não ser tão inteligente ou simpática quanto outras por aí. Ou mesmo especialmente bonita, ou ter qualquer outra característica que a destaque. Mas, mesmo assim, ela quer seu lugar ao sol, buscando a todo custo sair de sua cidadezinha e ir estudar em um grande centro cultural. Fazendo uma dobradinha com Ronan, Laurie Metcalf vive a mãe de Christine e, juntas, elas representam os conflitos de gerações que tantas famílias presenciam todos os dias.

Diálogos interessantes e personagens tridimensionais não faltam em Lady Bird (o subtítulo pavoroso a gente abandona). E isso é mais do que muito filme tem a oferecer. Mas não passa disso. O que nos deixa sem entender tamanho hype (Marcelo Seabra).

Bilheteria: $ 78,9 milhões.

Oscar: cinco indicações, incluindo melhor filmes, melhor direção e melhor atriz.

RT: 99%.