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Os Melhores Documentários de 2015

O Cinema de Buteco orgulhosamente apresenta o ranking com os melhores documentários de 2015 (ou simplesmente uma série de recomendações imperdíveis):

Melhores documentários de 2015 - Montage of Heck destaque

SE VOCÊ AMAR MÚSICA NA MESMA PROPORÇÃO QUE O CINEMA, tenha a certeza de que o nosso especial com os melhores documentários de 2015 irá lhe agradar em cheio.

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3 ½ Minutes, Ten Bullets, de Marc Silver

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Na Black Friday de 2012, quatro adolescentes negros a caminho de uma festa estacionam a caminhonete na loja de conveniência de um posto de gasolina e um deles desce para comprar cigarro. Incomodado com a música alta vinda do carro dos rapazes, um homem branco de meia idade se aproxima e os manda baixar o volume, iniciando um bate-boca que culmina em um verdadeiro massacre quando o sujeito dispara uma série de tiros contra as vítimas e mata uma delas. Nos meses e anos que se seguem, um longo e tumultuado julgamento tende a inocentar o assassino, que, protegido pelas leis absurdas de autodefesa e direito individual ao porte de armas de fogo nos Estados Unidos, pouco a pouco consegue convencer o júri que a verdadeira ameaça veio de um grupo de jovens que sequer estavam armados. Apresentando detalhes surpreendentemente reveladores sobre o caso, 3 ½ Minutes, Ten Bullets é um documentário extremamente urgente que prova (mais uma vez) que o racismo social está longe de ser um assunto do passado. (João Marcos Flores)


Amy, de Asif Kapadia

melhores documentários de 2015 - amy

Amy Winehouse foi uma das vozes mais importantes da história da música. Não encantou apenas o mundo do jazz e do soul, mas conseguiu atingir fama mundial com seu segundo disco Back to Black (2006). No entanto, a cantora sucumbiu ao peso da fama e aos seus problemas pessoais. Mergulhou nos vícios e entrou em declínio tão rápido quanto apareceu para a fama.

O documentário Amy emociona quem é fã e até mesmo quem não conheceu o trabalho da cantora. Kapadia acerta no tom e nos oferece uma das melhores produções de 2015. (Tullio Dias)


Cartel Land, de Matthew Heineman

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No México, um médico monta um grupo de combate aos cartéis que, nos últimos anos, tem indiscriminadamente massacrado os jovens da região. Nos EUA, um veterano do exército recruta um pelotão clandestino para impedir com as próprias mãos que a guerra às drogas que tomou conta do país vizinho invada o território americano. Através dessas duas histórias, o documentarista Matthew Heineman faz um retrato assustador da brutalidade praticada na região da fronteira entre México e Estados Unidos, apresentando uma terra sem lei que parece saída diretamente de um filme dirigido por Sam Peckinpah – e se a recusa de Heineman em reconhecer que a guerra às drogas é em si a raiz de todos os males, Cartel Land não deixa de funcionar como uma denúncia urgente e certeira contra o descaso dos governos da América do Norte diante de uma verdadeira guerra civil que se agiganta ano a ano. (João Marcos Flores)


Cássia, de Paulo Henrique Fontenelle

Melhores documentarios de 2015 - cassia

Cássia é um raro documentário em que o fato de sua protagonista ter falecido há pouco tempo funciona a seu favor. Afinal de contas, a maior parte do seu público ainda tem bem nítida em sua mente a imagem da roqueira rebelde, agressiva, desbocada e “machona” que dominou os programas de TV, clipes da MTV, capas de revista e, claro, paradas de sucesso nas rádios brasileiras no final da década de 90 e início da de 00 – e é justamente por se aproveitar dessa persona pública de sua documentada e virá-la ao avesso, apresentando a mulher doce, companheira e bem humorada que ela era na vida pessoal, que o cineasta Paulo Henrique Fontenelle (dos igualmente magníficos Loki: Arnaldo Baptista e Dossiê Jango) cria uma obra bela e tocante como esta. (João Marcos Flores)


Cobain: Montage of Heck, de Brett Morgen

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Apesar de suas mais de duas horas de duração, Montage of Heck não cansa o espectador graças ao extenso material inédito sobre a vida do guitarrista e vocalista do Nirvana. Além disso, a película de Brett Morgen ganha pontos por não ser um hagiografia, humanizando Cobain e revelando tópicos pouco conhecidos pelo grande público — como a busca incessante do artista pelo sucesso e seu medo constante de ser ridicularizado. Profundo e extremamente tocante, o longa é um dos melhores do ano e, certamente, o que aborda com mais veracidade a polêmica trajetória de um dos grandes ícones do rock desde sua infância, passando pelo apogeu e culminando na trágica queda. (Marcus Celestino)


Finders Keepers, de Bryan Carberry e Clay Tweel

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Um homem perde a perna em um acidente de avião e resolve guardá-la como souvenir dentro de uma churrasqueira. Mas a churrasqueira acaba sendo vendida, com perna e tudo, e o comprador não apenas se recusa a devolver o membro amputado, como decide usá-lo como sua passagem para a fama. Parece roteiro de uma comédia maluca dos Irmãos Coen, mas aconteceu de verdade: está tudo neste absurdo e divertido documentário. (Lucas Paio)


Going Clear: Scientology and the Prison of Belief, de Alex Gibney

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O consagrado documentarista Alex Gibney (Mea Maxima Culpa, A Mentira Armstrong) lança em Going Clear: Scientology and the Prison of Belief um olhar profundo e revelador sobre as entranhas da Igreja da Cientologia, que, famosa por contar com nomes de celebridades de Hollywood como Tom Cruise e John Travolta em seu hall de membros, é acusada de lavagem cerebral, extorsão, exploração de membros menos privilegiados e até mesmo de conspiração para manter os nomes dos membros de sua “realeza” afastados de escândalos e investigações criminais. Recheado de entrevistas (os depoimentos dados pelo cineasta Paul Haggis, ex-membro da seita, são de cair o queixo) e imagens raras de arquivo, o longa merece aplausos pela coragem de enfrentar uma organização poderosa e conhecida por usar métodos rasteiros para combater seus opositores. (João Marcos Flores)


Hot Girls Wanted, de Jill Bauer e Ronna Gradus

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Tão excitante como quando o garotão, já todo empolgado, ouve um “Uau, mas seu pé era tão grande!”. Hot Girl Wanted é isso: é pra te fazer broxar de vez.
Talvez você não saiba, mas a indústria da pornografia não é tão bela como o corpo de suas atrizes. A exploração das mulheres, de suas expectativas, de seus sonhos e de seus corpos são evidentes, bastando utilizar a cabeça certa para perceber o óbvio. Mas, claro, sempre há quem queira continuar acreditando que tudo não passa de um grande encontro mútuo de interesses: gente safada sendo filmada por gente safada para gente safada assistir.
Com a popularização dos sites que oferecem conteúdo sexual explícito e a facilidade técnica de produção com os equipamentos de filmagem e edição atuais, os anteriormente populares filmes pornôs estão sendo substituídos pelas “produções amadoras”. Por trás dessa nova categoria, mulheres de 18 aos 25 anos atraídas por anúncios de emprego que prometem oportunidades para garotas de qualquer canto do país, acolhidas pela mesma velha indústria pornográfica que nada tem de amadora, mas que sempre se renova no quesito exploração de mulheres. (Alexandre Marini)


The Hunting Ground, de Kirby Dick

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A primeira imagem que o chocante documentário The Hunting Ground exibe é a de diversas meninas de dezessete anos que, espalhadas pelo território norte-americano, recebem com entusiasmo e emoção a notícia de que foram aceitas em algumas das grandes universidades do país. O que aquelas garotas não sabem é que, nos anos que deveriam ser os mais excitantes de suas vidas, elas serão estupradas (muitas vezes repetidamente) por seus colegas e as instituições de ensino não só deixarão de ajudá-las e de punir os agressores por seus crimes, como encobrirão os casos um por um a fim de impedir que sua imagem seja “manchada” e que os rios de dinheiro provenientes das fraternidades estudantis continuem desembocando em seus cofres. Trazendo uma infinidade de depoimentos, dados e provas alarmantes, o documentário dirigido por Kirby Dick é simplesmente devastador. (João Marcos Flores)


The Jinx, de Andrew Jarecki

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O que mais assusta em The Jinx é saber que se trata de um documentário sobre um assassino frio (e desprovido de qualquer senso de culpa ou realidade) que nos deixa arrepiado com suas declarações bombásticas, que inclusive ajudaram a polícia a finalmente prende-lo por seus crimes. The Jinx é bizarro e imperdível. (Tullio Dias)


Listen to Me Marlon, de Stevan Riley

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Ao longo de sua longa e maravilhosa carreira, Marlon Brando gravou centenas de fitas K7 que usava como uma espécie de confessionário, refletindo não só sobre os trabalhos em que estava envolvido como também sobre as questões mais íntimas e pessoais que, de uma maneira surpreendentemente óbvia, ajudaram a moldar os rumos de sua Arte – e é nesse material até então inédito que Listen to Me Marlon se baseia para construir um retrato franco, direto e extremamente humano do ator que revolucionou a atuação cinematográfica ao ser o maior representante do Método de Stanislavski aplicado por Lee Strasberg e Stella Adler na dramaturgia norte-americana. Substituindo as batidas e aborrecidas cabeças falantes pela voz do próprio Brando, o longa nos leva a uma viagem complexa e estimulante através da obra de um gênio que era, acima de tudo, um homem comum e cheio de medos, inseguranças e frustrações. (João Marcos Flores)


The Look of Silence, de Joshua Oppenheimer

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Em 2013, O Ato de Matar chocou o mundo ao apresentar uma verdade assustadora por trás das centenas de milhares de assassinatos cometidos durante a ditadura que se estabeleceu na Indonésia a partir de 1965 (há quem especule que eles passem de 1 milhão): muitos de seus executores não apenas continuam vivos, como se orgulham da barbárie que orquestraram, não hesitando em narrá-las em cada detalhe sórdido diante das câmeras e até de rir da desgraça de suas vítimas. Dois anos depois, o cineasta Joshua Oppenheimer traz à luz este The Look of Silence, que continua o trabalho de pesquisa e denúncia de O Ato de Matar e apresenta novas informações que só tornam o caso ainda mais chocante: em sua tara pela caça aos comunistas durante a Guerra Fria, o governo norte-americano apoiou e até chegou a financiar o governo que massacrou os pais, filhos e irmãos das vítimas que, ainda hoje, vivem sob o teto dos carrascos – e a parcimônia das autoridades mundiais. (João Marcos Flores)


 Keith Richards: Under the Influence, de Morgan Neville

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O famoso guitarrista dos Stones aparece como protagonista de um documentário que começa como uma entrevista e vai seguindo o caminho que o sujeito indica, passando por suas influências na música. Servindo também para fazer publicidade de Crosseyed Heart, mais novo trabalho solo de Richards, o documentário, que é uma produção original Netflix e está disponível no serviço, ajuda a desmistificar a ideia que se tem do músico, geralmente lembrado como alguém que fica chapado o dia inteiro, quebra o pau com os colegas de banda – especialmente Mick Jagger – e seria um instrumentista limitado. Tudo balela, como se pode ver no longa do premiado diretor e produtor Morgan Neville. (Marcelo Seabra)


Merchants of Doubt, de Robert Kenner

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Demorou, mas finalmente se tornou senso comum que os cigarros causam câncer e diversas outras doenças e serão responsáveis pela morte da grande maioria de seus usuários que não falecerem antes por alguma outra razão – e o motivo pela demora foi que, ao longo de décadas, a indústria do tabaco contratou centenas de falsos especialistas para se tornar celebridades e dar constantes depoimentos em todos os veículos de imprensa acerca da suposta falta de provas dos perigos da nicotina. Problema resolvido, certo? Errado: mesmo com todas as evidências disponíveis hoje tanto da responsabilidade humana pelo aquecimento global quanto de seus efeitos catastróficos para o planeta, as grandes corporações tem sustentado a mesma propagação de dúvida para nos convencer de que está “tudo bem” e, com isso, continuar mirando o lucro máximo às custas da exploração predatória dos nossos recursos naturais – e é essa denúncia que Merchants of Doubt, escrito e dirigido por Robert Kenner, faz de maneira didática, aprofundada e bem humorada. (João Marcos Flores)


No Cameras Allowed, de James Marcus Harney

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Obrigatório para todo e qualquer fã de música pobre e que sempre imaginou maneiras de não pagar para entrar nos grandes festivais de música. Esse documentário da MTV mostra como é a vida de um jovem fotógrafo que se infiltrou num grande festival, se tornou amigo da equipe de produção do Mumford and Sons e começou a excursionar com a banda pelo país. Mais do que um doc sobre o mundo cativante dos grandes festivais de música, No Cameras Allowed é um verdadeiro retrato da amizade e como é bom ter a companhia de pessoas especiais quando realizamos as coisas mais loucas de nossas vidas. Que filme. (Tullio Dias)


 What Happened, Miss Simone?, de Liz Garbus

What Happened, Miss Simone? Nina Simone

Nina Simone é a principal voz do mundo da música. Cantoras como Adele e Amy Winehouse devem muito de suas carreiras ao fato de Nina ter cantado para o mundo e encantado a todos com a sua personalidade forte e o seu envolvimento na luta pelos direitos civis. Com uma vida atribulada e cheia de conflitos na vida pessoal e profissional, Nina Simone é um prato cheio para o mundo do cinema com a sua história. Demorou muito até que alguém fizesse um documentário de qualidade sobre toda a sua trajetória, mas podemos dizer que What Happened, Miss Simone? é um retrato emocionante sobre a maior cantora de todos os tempos. (Tullio Dias)

E você, qual foi seu documentário favorito em 2015? Deixe sua contribuição nos comentários abaixo!