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A parceria de Woody Allen e Scarlett Johansson

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NESTE FIM DE SEMANA, Woody Allen e Scarlett Johansson chegam aos cinemas brasileiros. Se essa frase fosse dita entre 2005 e 2008, ela seria redundante, já que este foi o período de reinado da loira na lista de musas de Allen. No entanto, desta vez é diferente. O diretor estreia o seu Magia ao Luar, que tem a ruivinha do momento, Emma Stone como protagonista. Já Johansson está em Lucy, sua primeira parceria com Luc Besson (e esperamos pelo bem dela que isso não dure).

Depois de Match Point, Scoop e Vicky Cristina Barcelona, o mundo apostava que Johansson seria a nova Diane Keaton ou Mia Farrow, queridinha que trabalharia décadas com o diretor. Por algum motivo não identificado, a parceria não foi muito pra frente, o que ainda não nos impediu de a colocar na lista de musas de grandes diretores.

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O Cinema de Buteco resolveu relembrar esses grandes três… Quer dizer, esses dois grandes filmes e um meia-boca da parceria Woody Allen e Scarlett Johansson.

Match Point

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Depois de uma década de filmes muito mais fracos do que bons (e alguns péssimos como O Escorpião de Jade), Woody voltou a ter uma grande atenção da crítica após abordar dois de seus temas comuns em Match Point: a traição e o dilema do Crime e Castigo.

Temas que já haviam sido esplendorosamente bem trabalhados em Crimes e Pecados, de 1989, voltaram com uma roupagem muito mais sombria e complexa na trama de um homem que quase coloca abaixo toda a sua sorte grande após perder a cabeça pela cunhada, uma Scarlett Johansson que nunca esteve tão divinamente linda quanto nesse filme.

A atriz, ainda muito imatura e com apenas com Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola, como um papel a ser destacado em seu currículo, se entregou de cabeça à personagem, tornando-a vulnerável e sedutora ao mesmo tempo e construindo o arco de uma personagem que vai do Poder ao completo descontrole em poucos minutos. Sem dúvida o seu papel mais interessante até hoje.

Confira a crítica de João Andrade para o filme.

Scoop – O Grande Furo

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Eu particularmente não concordo com a lógica de que Allen lança um filme ruim a cada bom, pois, tirando O Escorpião de Jade, nenhum outro filme de Allen é verdadeiramente ruim. Talvez fracos, talvez um pouco mais insignificantes, mas nada que valha você trocar seu ingresso para assistir um Michael Bay.

Ainda assim, o filme é tão controverso no gosto do público que até valeu um post sobre as opiniões divididas de João Andrade e Tullio Dias. Com um começo divertido no qual o fantasma de um jornalista passa um furo sobre um serial killer para uma estudante de jornalismo (Johansson) em um show de mágica, o filme se perde à medida em que a atrapalhada estudante se apaixona pelo suposto serial killer (Hugh Jackman, em uma boa atuação). Apesar de ter o próprio Allen e Jackman em importantes papéis secundários, Johansson assume pela primeira vez o papel de protagonista em um filme do diretor e cabe a ela, é claro, o alter-ego de Allen: neurótica, atrapalhada, compulsiva e com sérios problemas de autoestima.

O resultado não foi bom o suficiente e o filme foi um fracasso de público e crítica.  

Vicky Cristina Barcelona

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Talvez pelo fracasso de Scoop, Johansson cede novamente o protagonismo desse filme a uma pouco conhecida Rebecca Hall (que mostra aqui que todos deveriam conhece-la). As duas interpretam amigas que vão à Barcelona buscar sentido às suas vidas muito diferentes.

Embora de maneira distintas, ambas se envolvem com Juan Antonio (Javier Bardem), um sedutor artista que ainda não consegue esquecer sua desequilibrada ex (Penelope Cruz no que é provavelmente o melhor papel de sua vida). Apesar de ofuscada por todo um elenco mais brilhante do que ela, Johansson combina e nos faz sentir um grande carisma pela inconstante Cristina.

Estive recentemente em Barcelona e é incrível o quanto Allen, já um idoso aqui, consegue transmitir perfeitamente o espírito da cidade que expira arte em toda esquina, vibrante, cheia de vida, cores e paixões.

O resultado é um grande estudo sobre o amor que faz você pelo menos repensar sua noção de fidelidade e liberdade.

Leia também a crítica de João Andrade para o filme.