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Top 10 – Filmes Nacionais de 2012

O Cinema nacional produziu excelentes filmes em 2012, mas a grande maioria acabou decepcionando o público e a crítica. Filmes rasteiros e bobos conseguiram levar verdadeiras legiões de pessoas para os cinemas de uma maneira inexplicável. De qualquer maneira, o Cinema de Buteco reuniu algumas obras que mereceram destaque em 2012.

Confira:

Menção Honrosa:

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Nervo Craniano Zero

Se você não ouviu falar deste filme, mande um e-mail paras as distribuidoras reclamando, pois você perdeu um dos melhores filmes nacionais deste ano. Trata-se da história de uma escritora de best seller, Bruna Bloch (Guenia Lemos), que sabendo do existência de um chip que altera a inspiração das pessoas e com medo de perder sua criatividade e sair da lista dos mais vendidos, procura o criador do chip Dr. Barthomeu Bava (Leandro Daniel Colombo), que está sem sua licença médica, após desastrosos teste do tal chip e cria um plano sórdido para testa-lo chip na jovem Cristi (Uyara Torrente). O curitibano Paulo Biscaia Filho, faz uma homenagem aos filmes de terror dos anos 1980 (o diretor se diz fã de clássicos como Uma Noite Alucinante 3), e busca nesta comédia de terror levar tudo nas últimas consequências desde aos caricatos personagens ao tom novelesco dos diálogos, sem esquecer do banho de sangue nas telas e na plateia (sim, algumas sessões foram exibidas com sangue sendo jogado na plateia em sincronia com que o acontecia no filme!). Se o Brasil não é conhecido por seus filmes de terror, Nervo Craniano Zero com todo certeza ajuda a diminuir este ‘abismo’.  (Fabricio Carlos)

 

10 – E aí, Comeu? 

Levando em consideração o nível das comédias nacionais lançadas em 2011, a expectativa era das piores para a comédia E aí, Comeu? A grande surpresa é que parece que Cilada.com foi o fundo do poço e os brasileiros tiveram pelo menos uma boa história de humor para assistirem nos cinemas. Talvez o segredo do sucesso seja a essência de misturar conversas do cotidiano, como aquelas velhas histórias de quem tá a fim de comer quem, em uma mesa de boteco. É fácil se identificar com a situação dos personagens, que poderiam ser qualquer pessoa que você conhece. (Tullio Dias) – Clique aqui para ler a crítica do blog Cinema sem Erros

9 – Marighella

Carlos Marighella é conhecido como um guerrilheiro político de esquerda na época da ditadura militar no Brasil. As obras sobre pessoas políticas, geralmente se focam em seus atos políticos, o que não nos dá um retrato completo dos personagens. Mas o grande trunfo de Marighella é fazer um retrato do indivíduo. E por o filme fazer esse retrato humanista de seu personagem, ele consegue ser muito mais sensível do que seria se só analisasse seus atos. O filme consegue ser muito humano por ter sido dirigido por uma sobrinha de Marighella, Isa Grinspum Ferraz. O filme conta com boas músicas, como uma música do Racionais MC’s feita para o filme e com Coco Dub do Chico Science & Nação Zumbi.

8 – À Beira do Caminho

“Logo nos primeiros minutos de À Beira do Caminho, novo longa comandado pelo brasileiro Breno Silveira (2 Filhos de Francisco), o caminhão guiado pelo solitário João (Miguel) é enquadrado pelo cineasta de modo a revelar os dizeres “Mantenha distância” inscritos em sua traseira. Inofensiva a princípio, a frase ganha uma nova dimensão quando passamos a conhecer melhor o protagonista e nossa atenção é despertada para a tradição popular de registrar ditos e pensamentos em parachoques: mais que uma advertência aos demais motoristas, a mensagem gravada naquela carroceria sintetiza a filosofia pessoal de seu dono, um homem introspectivo, avesso à interação social e devastado por uma amargura cujas origens só descobriremos mais adiante. Todavia, suas perspectivas de vida podem estar prestes a serem alteradas graças a um encontro inesperado em meio à malha rodoviária de nosso país.” (Eduardo Monteiro)
Clique aqui para ler a crítica completa no blog Cinema sem Erros

7 – Gonzaga: De Pai Para Filho

Gonzaga: De Pai para Filho é a cinebiografia de Luiz Gonzaga e a relação com seu filho Gonzaguinha. O diretor Breno Silveira (sim, o mesmo de Dois Filhos de Francisco), consegue retratar com fidelidade a personalidade do Gonzagão e contar sobre suas origens humildes até a criação do ícone do Rei do Baião. Silveira mais uma vez opta por ignorar algumas polêmicas e (talvez) supervalorizar alguns acontecimentos da vida de Luiz Gonzaga, mas independente das opções do diretor, temos como um resultado uma bela história conduzida de forma precisa para capturar os principais fatos que levaram Luiz Gonzaga a se tornar um ícone da musica nacional, bem como retratar os momentos históricos que influenciaram sua vida e música. Gonzaga: De Pai para Filho busca superar o velho ranço de esquecimento que vários de nossos artistas eventualmente caem. Mesmo que seu estilo musical predileto não seja o baião, xote ou forró e passe pelo funk, axé ou pagode vale a pena assistir o filme. (Fabricio Carlos)

 

6 – Corações Sujos

No Brasil ainda temos o problema de que quando um filme não está dentro do universo da Globo Filmes ele esta fadado a não chegar ao grande público. É o que pode ter acontecido com Corações Sujos, um triller adaptado do livro homônimo de Fernando Morais, baseado em histórias reais que conta a história do imigrante japonês Takahashi, dono de uma loja de fotografia, que se envolve nos ideais de um grupo nacionalista japonês que se recusa a acreditar na derrota do Japão na segunda guerra, usando de violência contra outros japoneses que aceitaram a derrota. O filme mostra a transformação de Takahashi de um homem comum a assassino. O diretor Vicente Amorim para dar mais veracidade à história optou por filmar o filme em português e japonês e para isso trouxe alguns atores nipônicos, como o protagonista Tsuyoshi Ihara (de Cartas de Iwo Jima), conseguindo criar um registro histórico interessante de momento da segunda guerra no Brasil. (Fabricio Carlos) – Clique aqui para ler a crítica do blog Tem Um Tigre no Cinema

 

rifar4 209x300 Vou Rifar Meu Coração5 – Eu Vou Rifar o Meu Coração

No documentário, todos os artistas afirmaram que já sofreram por amor, e isso sempre será a fonte de inspiração de suas composições. Um deles (Lindomar Castilho, autor da canção que intitula o documentário) assassinou a esposa por ciúme. Outros grandes cantores dão seus depoimentos no documentário: Agnaldo Timóteo, Amado Batista, Nelson Ned, Waldick Soriano, Odair José, Evaldo Braga e outros. Chorei quando vi o Wando falando sobre as dores do amor, cuja cena veio seguida de “Moça”.” – Clique aqui para ler a crítica completa

 

 

4 – Heleno

Histórias se perdem no tempo e personagens célebres vêm e vão. O diretor José Henrique Fonseca resgatou um deles em Heleno, a cinebiografia do jogador do Botafogo igualmente famoso por suas conquistas fora do campo. Tanto que contraiu sífilis e morreu abandonado em uma clínica em Barbacena (MG). Essa história, ora gloriosa, ora trágica, acompanha a ascensão e queda de um homem igualmente dúbio: charmoso e galanteador, egoísta e violento. Tudo isso ganhou uma forma crua em preto e branco no Rio de Janeiro dos anos 40 (fotografia deslumbrante de Walter Carvalho), mas, principalmente, na atuação irrepreensível de Rodrigo Santoro, que canalizou toda a euforia, paixão e medos de um personagem marcante – para o nosso futebol e para a sua carreira. Uma estrutura dramática um pouco mais sólida e teria sido um verdadeiro golaço. (Nathália Pandeló) – Clique aqui para ler a crítica do blog O Pipoqueiro

3 – Paraísos Artificiais

Usando como pano de fundo o sinestésico ambiente das raves, Paraísos Artificiais tem o mérito de mostrar sexo e os efeitos e consequências derivadas do uso das drogas sintéticas sem soar demagógico e de forma intensa através de uma narrativa intimista e sensorial (apoiada no bom uso do som e das belas imagens), para contar a história de Nando (Luca Bianchi), a DJ Érika (Nathalia Dill – em ótima atuação) e sua amiga Lara (Lívia de Bueno) que tem suas vidas cruzadas em um festival de arte e cultura alternativa numa praia paradisíaca do Nordeste. As mudanças que esse encontro gera na vida dos personagens não é narrada em ordem cronológica, levando o expectador a montar aos poucos o quebra-cabeça da vida dos personagens. É um que se passou batido, merece a visita. (Fabricio Carlos) – Clique aqui para ler a crítica do blog O Pipoqueiro

 

2 – Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios

Mais uma vez baseado em um livro de seu amigo Marçal Aquino, Beto Brant, um dos melhores diretores brasileiros da atualidade, nos presenteou com o lindo Eu Receberia As Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios neste ano. E não é lindo apenas para os marmanjos (e marmanjas) que ficaram felizes em ver Camila Pitanga nua durante 80% do tempo de projeção, mas a comovente história de paixão e amor nos permite quase que vivenciar os dias de Lavínia, desde seus tempos de prostituta em São Paulo (com destaque para uma tensa cena de exorcismo) até a amargurada esposa do pastor no coração da Amazônia. (Larissa Padron)

2coelhos 2 300x224 2 Coelhos1 – 2 Coelhos

2 Coelhos, filme de estreia do diretor Afonso Poyart é um filme que sofre da empolgação do seu diretor – também roteirista – e apresenta problemas em várias direções: um roteiro algumas vezes confuso; excesso de efeitos especiais e algumas escolhas técnicas e de linguagem que pecam mais pelo excesso do que pelo mal uso das mesmas. Mas independente dessas questões, 2 Coelhos é um divertidíssimo filme de ação que claramente se inspira em nos filmes hollywoodianos (não é por acaso que o filme ganhará refilmagem nos EUA); uma história que no mínimo respeita quem está assistindo, com um conjunto de atores de primeira linha e bom uso de efeitos especiais para calar a boca de quem fala que cinema brasileiro não é capaz de fazer bons filmes de gênero. E além do mais, o filme conta com a presença da sempre bela Alessandra Negrini: e ela faz valer a sessão! (Fabricio Carlos) – Clique aqui para ler a crítica de Juliana Lugarinho

Nota:[cinco]

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