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Top 10- Os melhores filmes de drama de 2017

O Cinema de Buteco orgulhosamente apresenta os melhores filmes de drama de 2017. Apreciem sem moderação.

16. Menções honrosas

Filmes que se destacaram no estilo Drama, mas que não estão no top 10.

15. O Apartamento

O Apartamento


O Apartamento (Asghar Farhadi,2016)  O iraniano Asghar Farhadi, conhecido por obras como A Separação e Procurando Elly, voltou a abordar situações incômodas em O Apartamento. No filme, a relação de um casal é abalada quando a esposa é atacada no apartamento onde o casal mora provisoriamente. Ela e o marido reagem de maneiras diferentes ao acontecimento e sentimentos controversos como o desejo de vingança e piedade ficam em evidência. E surge a pergunta: o homem tem uma reação violenta pela falta de respeito com que a esposa foi tratada ou por achar que o desrespeitado na situação é ele, pois enxerga a esposa como sua propriedade?
Com O Apartamento, Farhadi garantiu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela segunda vez e deixou pra trás Elle e Toni Erdmann. É um grande exemplo de drama bem desenvolvido a partir da posição de cada um dentro dos costumes da sociedade.

14. A Melhor Escolha

A Melhor Escolha


A Melhor Escolha (Last Flag Flying, Richard Linklater, 2017)  A memória de um passado traumático foi o que preservou os elos entre Larry ‘Doc’ Shepherd (Steve Carell), Sal (Bryan Cranston) e o pastor Richard Mueller (Laurence Fishburne), que dividem, no pesar de suas consciências, a responsabilidade por um episódio enigmático ocorrido durante a Guerra do Vietnã – uma culpa que o tempo não foi capaz de apagar. As três décadas decorridas desde então foram empregadas, pelos três, na criação de válvulas de escape para seus traumas e angústias, sejam elas a formação de uma família, a esbórnia alcoólica ou um compromisso religioso – e, quando um deles perde a referência construída no período, desmorona-se a barreira de força do escape, trazendo à superfície a vulnerabilidade das sombras do que, enfim, não ficou para trás.
Recheado pela admirável dose de verdade com a qual Richard Linklater e o trio protagonista conduzem a narrativa, A Melhor Escolha prova, mais uma vez, que não é preciso adotar um tom soturnamente dramático para abordar sensível e humanamente um drama tão estafante. (Leonardo Lopes)

13. O Mínimo para viver

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O Mínimo para viver (To the Bone, Marti Noxon, 2017) Com uma frequência cada vez maior, a Netflix segue lançando obras interessantes e pautando a crítica. O Mínimo para Viver (To the Bone, 2017) é a novidade mais recente, mostrando com um olhar bem natural a vida de uma jovem com anorexia. Escrito e dirigido pela produtora veterana Marti Noxon, o filme parece ter na equipe alguém que realmente sofreu da doença, tamanha é a naturalidade com que trata o tema. E tem: a própria Noxon, além da protagonista. O problema é a falta de foco, é deixar o assunto de lado e se importar mais com uma historinha romântica meia boca. (Marcelo Seabra)

12. Silêncio

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Silêncio (Silence, Martin Scorsese, 2016)  Adaptação do romance escrito por Shūsaku Endō em 1966, Silêncio é curiosamente um dos projetos mais pessoais de Scorsese desde Caminhos Perigosos. A obra fala sobre religião, desde a busca pela fé até o seu questionamento. São mais de 2h30 em que acompanhamos a jornada de dois padres jesuítas portugueses (Andrew Garfield e Adam Driver) tentando encontrar um outro padre desaparecido no Japão, justamente num período em que os católicos eram perseguidos.

11. Estrelas Além do Tempo

Estrelas Além do Tempo

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, 2016) Indicado a três prêmios da Academia, Estrelas Além do Tempo conta a história de três mulheres negras iniciando seus trabalhos na NASA, numa época em que a segregação racial era muito forte nos Estados Unidos. Com seus méritos profissionais, o trio acaba se destacando e criando um forte conflito: será que a cor da pele é o suficiente para impedir alguém de desempenhar o seu trabalho?
Ao lado de Nascimento de Uma Nação e Moonlight: Sob a Luz do Luar, faz parte do trio de obras indispensáveis quando se fala em combate ao racismo e preconceitos.

10. Eu, Daniel Blake

Eu, Daniel Blake


Não é segredo que há uma burocracia enorme quando um cidadão precisa de um recurso do governo. O que causa espanto e indignação é o método com que a pessoa necessitada é tratada e, principalmente, como tudo neste sistema é automatizado, o que nos torna reféns de procedimentos realizados de maneira robótica, sem que o caso de cada pessoa seja analisado e tratado de maneira adequada.
Daniel Blake, um homem bom, incapacitado de trabalhar após um enfarte, se encontra nesta situação: não consegue o benefício do governo britânico e, ao mesmo tempo, não tem autorização do médico para voltar a exercer a profissão que sempre exerceu, a de carpinteiro.
Ele conhece uma jovem mãe de duas crianças, ela também à mercê das dificuldades para se manter. Daniel passa a tentar resolver dois problemas de uma só vez: o seu e o de sua amiga.
Eu, Daniel Blake é um filme que denuncia a precariedade dos recursos público sem cair na armadilha da emoção barata. Relata de maneira eficiente o desdém com que o pobre é tratado, mesmo em países de primeiro mundo, e mostra a excelente direção de Ken Loach em mais uma obra inesquecível.

9. Entre Irmãs

Entre Irmãs

Entre Irmãs (Breno Silveira, 2017) A adaptação do livro A Costureira e o Cangaço, da escritora Frances de Pontes Peebles, se passa entre as décadas de 1920 e 1930, e apresenta duas costureiras que trabalham e moram na pequena Taguaritinga do Norte com a tia que as criou. Enquanto Emília sonha em conhecer a cidade grande, o mar e um príncipe encantado, Luzia vive se menosprezando por ter um braço atrofiado. A notícia de que a região está cercada por cangaceiros mexe com a rotina dessas mulheres e provoca uma grande mudança em suas vidas.
Entre Irmãs é daquelas histórias que parecem simples e limitadas, mas que abrangem diversos assuntos enquanto o espectador acompanha a evolução dos protagonistas. A história de Luzia e Emília aborda questões pertinentes ainda nos dias de hoje, incluindo o tratamento do homossexualismo como doença e diferenças políticas dentro de um relacionamento. Tudo isso nos traz questionamentos sobre o caminho que a sociedade está percorrendo, afinal a história se passa há quase 100 anos. Isso é realmente preocupante.

8. Sete Minutos Depois da Meia-Noite

Sete Minutos Depois da Meia-Noite

Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls, J.A. Bayona, 2016) Como seres humanos, às vezes gostamos de pensar que somos de algum jeito especiais: o povo escolhido, a nação abençoada por Deus, os melhores do mundo. Essas são, no entanto, fugas da falibilidade da vida. Buscamos nos esconder em coisas como a arte de coisas que não há escapatória, até das mais naturais como a morte.
Sete Minutos Depois da Meia Noite coloca essa fuga em termos simbólicos, representado por um gigante que a passos largos se aproxima de você cada vez mais, algo tão grande que eventualmente não poderemos sequer desviar os olhos, numa trama profunda e melancólica que é tão forte quanto os braços do personagem que sai da terra para fazer que encaremos a nossa própria complexidade de frente. (Tiago Paes Lira)

7. O Filme da Minha Vida

O Filme da Minha Vida

O Filme da Minha Vida o roteiro, co-escrito por  Selton Mello, é baseado no livro “Um Pai de Cinema”, de Antonio Skármeta. Ele conta a história de Tony (Johnny Massaro aka versão nacional de Louis Garrel), filho único de um francês e uma brasileira que vai à cidade grande para estudar e, quando retorna graduado, vê o pai (Vincent Cassel) partir sem explicações.
Tecnicamente, O Filme da Minha Vida é impecável. Além dos close-ups, Mello utiliza bastante da câmera lenta e de tom sépia nas imagens (o cinegrafista da produção é Walter Carvalho, da série O Rebu e Getúlio); o figurino e maquiagem não ficam muito atrás no quesito qualidade. Dentro do contexto do drama, ambientado no início da década de 1960, essas características se encaixam perfeitamente. (Daniela Pacheco)

6. Una

Una


(Benedict Andrews, 2016) O longa-metragem estrelado por Rooney Mara apresenta a história de uma mulher que confronta um homem mais velho, seu ex-vizinho, para descobrir porquê ele a abandonou após terem relações sexuais enquanto ela era uma adolescente.
Una é um drama pesado, daqueles que deixam a atmosfera mais tensa. Se por um lado existe uma perspectiva de que se trata de uma narrativa sobre assédio sexual de uma adolescente, por outro existe o lado de uma garota que se apaixonou e não consegue entender porque o relacionamento acabou tão bruscamente.
Sem querer dizer que existe um lado mais certo ou errado que o outro, o importante é que o longa-metragem faz a gente pensar sobre como relacionamentos podem afetar para sempre as nossas vidas.

5. Desamor

Desamor

Desamor (Loveless, Andrey Zvyagintsev, 2017) Zhenya e Boris estão passando por um terrível divórcio, marcado por ressentimento e frustração. Já com novos parceiros, eles estão ansiosos para recomeçar suas vidas, mesmo que isso signifique a possibilidade de deixar Alyosha, seu filho de 12 anos, em segundo plano. Até que, depois de testemunhar uma das brigas entre os pais, o garoto desaparece.
Vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Cannes, “Loveless” carrega a assinatura do russo Andrey Zvyagintsev, um veterano da Mostra por traz de filmes como ‘Leviatã“, “Elena” e “O Retorno”. Geralmente pessimistas, os seus relatos trazem uma visão de mundo avassaladora, mas é preciso ficar esperto este ano, pois “Loveless” misteriosamente será exibido uma única vez. (Alex Gonçalves)

4. Moonlight: Sob a Luz do Luar

Moonlight: Sob a Luz do Luar

Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight, Barry Jenkins, 2016) Moonlight é um comovente filme sobre as dificuldades de ser gay, negro e pobre. Sobre o quanto essa jornada é dolorosa e deixa cicatrizes no psicológico da pessoa, que cresce com todo o direito de odiar o mundo. Mas mais do que isso, é um delicado retrato sobre como conviver com a sua própria sexualidade num mundo moderno que diz ter a cabeça aberta, mas julga o tempo inteiro. Nesse ponto, como um serviço moral e social, realmente, Moonlight é a melhor coisa produzida no cinema em anos.

3. Fome de Poder

Fome de Poder


(The Founder, John Lee Hancock, 2016) A história do McDonalds recebeu um tratamento super especial com Michael Keaton no papel principal, como o cara que se apropria da criação alheia. Existia muita expectativa de que Keaton concorresse ao Oscar pelo seu trabalho, mas acabou não acontecendo.
Fome de Poder, que já está disponível na Netflix, inclusive, é uma dica obrigatória para empreendedores e publicitários. Podemos discutir por horas se as ações do protagonista são condenáveis ou não, e isso é apenas um dos detalhes que tornam essa produção tão importante e necessária. Descubra como foi que tudo começou e divirta-se comendo no Burger King!

2. Bingo: O Rei das Manhãs

Bingo: O Rei das Manhãs

(Daniel Rezende, 2017) Credenciado a ser o representante brasileiro na corrida pelo Oscar de melhor filme estrangeiro – disputa da qual já foi descartado, diga-se -, Bingo: O Rei das Manhãs é o exemplo de cinebiografia que troca o tradicionalismo comum às produções do tipo por uma narrativa intensa e arriscada.
A história de um apresentador infantil distancia-se da inocência à medida que os vícios e catarses do protagonista se afloram, como efeito colateral de um sucesso tão acelerado quanto as reações de um usuário de cocaína. A composição esforçada e honesta de Vladmir Brichta dá cores à jornada, antes empoeirada, de uma daquelas figuras que “só poderiam existir no Brasil”, tamanhas são as irregularidades, inconstâncias e vértices de sua existência. (Leonardo Lopes)

1. Manchester à Beira-Mar

Manchester à Beira-Mar

(Manchester by the Sea, Kenneth Lonergan, 2016) Trata-se de um arco dramático clássico – um homem solitário, à altura de seus trinta e tantos, acompanhado por arrependimentos que o impedem de seguir em frente – aliado a um conflito igualmente tradicional – a chegada de uma responsabilidade inesperada (o sobrinho Patrick, papel do carismático Lucas Hedges) que o obriga a, enfim, mover-se adiante -, e o resultado é que isto surpreendentemente não empalidece, em nenhum sentido, a obra.
Mérito da decisão do diretor e roteirista, Kenneth Lonergan, em voltar suas atenções não à composição de uma sequência de dramas e desencontros, mas a um estudo autêntico de seu protagonista – e, graças a isto, chegamos a Casey Affleck, responsável por um trabalho de interpretação extraordinariamente humano, sensível, e merecidamente honrado com o Oscar de melhor ator neste 2017. (Leonardo Lopes)

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