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Top 5 – Os melhores filmes nacionais de 2017

O QUE EU MAIS GOSTO NO CINEMA NACIONAL é a sua versatilidade e a abrangência. Os cineastas brasileiros abordam dramas comuns à classe média, as dificuldades do sertão e a difícil sobrevivência em uma sociedade que tem dificuldade em aceitar algumas condições.

2017 foi um ano em que o cinema nacional mostrou essa capacidade de transitar livremente entre diferentes realidades com muita sabedoria.

 

Menções honrosas:

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Gabriel e a Montanha

(Fellipe Gamarano Barbosa)

Se já não bastasse o sensacional Casa Grande, Fellipe Gamarano Barbosa retornou em 2017 com uma adaptação sobre Gabriel Buchmann, brasileiro que morreu na África em 2009.

Narrado com sutileza e depoimentos de pessoas que foram marcadas pela alegria e determinação do jovem, o filme é um prato cheio para amantes do cinema. E com atuações de altíssimo nível de João Pedro Zappa e Caroline Abras. (Daniela Pacheco)

Divinas Divas

(Leandra Leal)

Em sua estreia como cineasta, Leandra Leal mostra que tem muito talento também na direção e que sabe abordar a dura realidade com muita sensibilidade. O documentário

Divinas Divas mostra as dificuldades enfrentadas pela primeira geração de travestis, no Rio de Janeiro. Lutando para mostrar a sua arte, enquanto a sociedade e muitos familiares faziam de tudo para que essa manifestação artística fosse desmerecida, diversos artistas como Divina Valéria, Camille K, Rogéria e Eloína dos Leopardos mostram porquê se tornaram ícones. (Graciela Paciência)

 

5) As Duas Irenes

(Fábio Meira)Para Irene, as coisas ficam ainda mais difíceis quando descobre que o pai tem uma segunda família, incluindo uma filha também chamada Irene e que tem a sua idade. Ao se aproximar da meia-irmã, Irene repara em como suas vidas são diferentes. Enquanto mora com seus pais e irmãs em uma casa confortável e sob restrições de comportamento e de modo de se vestir, Irene percebe que a meia-irmã reside em uma casa mais humilde, supostamente acredita ser filha única e tem uma relação diferente com garotos. Ela é extrovertida, animada, atrai olhares masculinos e gosta de ir ao cinema. Irene 1 encontra o tédio diariamente, e convive com uma irmã mais velha ansiosa pelo baile de debutantes.

A história de As Duas Irenes, que se passa em uma cidadezinha do interior, mostra a sensibilidade do diretor Fábio Meira ao retratar a juventude em um cenário livre de distrações como a internet e grandes eventos, o que implica, aos personagens, se manterem mais presentes, e torna a aproximação entre irmãs necessária para Irene 1. (Graciela Paciência)

 

4) Entre Irmãs

(Breno Silveira) Entre Irmãs é daquelas histórias que parecem simples e limitadas, mas que abrangem diversos assuntos enquanto o espectador acompanha a evolução dos protagonistas. A história de Luzia e Emília aborda questões pertinentes ainda nos dias de hoje, incluindo o tratamento da homossexualidade como doença e diferenças políticas dentro de um relacionamento. Tudo isso nos traz questionamentos sobre o caminho que a sociedade está percorrendo, afinal a história se passa há quase 100 anos. Isso é realmente preocupante.

Breno Silveira consegue conduzir a história com muita sabedoria, mas o elenco é a parte mais preciosa do filme. Marjorie Estiano, Letícia Colin, Rômulo Estrela (que interpreta o estudante de Direito Degas) e Júlio Machado (o temido cangaceiro Carcará) defendem seus respectivos papéis com muita competência, mas é Nanda Costa quem se destaca ao colocar todas as emoções de Luzia de maneira transparente enquanto a vida da jovem toma um rumo inesperado. Cyria Coentro, que vive Tia Sofia, também merece destaque. Seu papel é pequeno, mas de grande importância para as protagonistas, e a atriz faz um belo trabalho. (Graciela Paciência)

3) O Filme da Minha Vida

(Selton Mello) O roteiro, co-escrito por  Selton Mello, é baseado no livro “Um Pai de Cinema”, de Antonio Skármeta. Ele conta a história de Tony (Johnny Massaro aka versão nacional de Louis Garrel), filho único de um francês e uma brasileira que vai à cidade grande para estudar e, quando retorna graduado, vê o pai (Vincent Cassel) partir sem explicações.

Tecnicamente, O Filme da Minha Vida é impecável. Além dos close-ups, Mello utiliza bastante da câmera lenta e de tom sépia nas imagens (o cinegrafista da produção é Walter Carvalho, da série O Rebu e do filme Getúlio); o figurino e maquiagem não ficam muito atrás no quesito qualidade. Dentro do contexto do drama, ambientado no início da década de 1960, essas características se encaixam perfeitamente. (Daniela Pacheco)

 

2) Bingo: O Rei das Manhãs

(Daniel Rezende)

A década de 80 produziu alguns símbolos fortes, que trazem lembranças a quem viveu nessa época, e um deles é o palhaço Bozo. O que muita gente não conhece é a história por trás da maquiagem e ela é contada no Cinema em Bingo – O Rei das Manhãs (2017), primeiro longa na direção do premiado montador Daniel Rezende. Por questões de direitos autorais, os nomes precisaram ser alterados, mas o resto parece ser bem factual. Além de uma história interessante, com texto do veterano Luiz Bolognesi, Bingo conta com um trunfo ainda maior: seu protagonista. Vladimir Brichta (de Real Beleza, 2015) novamente acerta no alvo, dando o tom adequado a seu personagem, sempre com muita energia e nos fazendo crer no que está sendo mostrado. Vemos claramente quando ele assume a persona do palhaço, que funciona quase com a mesma dinâmica de um super-herói. E a comparação não é à toa: Augusto não pode contar a ninguém que é Bingo, o contrato o proíbe. Ele é a maior atração da TV, batendo recordes e vencendo a concorrência, mas ninguém pode saber. (Marcelo Seabra, do site O Pipoqueiro)

1) Como Nossos Pais

(Laís Bodansky) Histórias familiares são ótimas para nos fazerem refletir sobre nossas próprias vidas.

Em Como Nossos Pais, vemos uma mulher enfrentar várias questões ao mesmo tempo, sendo a principal delas o relacionamento conturbado com a mãe.

Uma história comovente e carregada por atuações de primeira de Maria Ribeiro, Paulo Vilhena e Clarisse Abujamra. (Daniela Pacheco)

 

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