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Woody Allen Para Quem Não Conhece Woody Allen

woody

FOI LÁ EM 1966 QUE WOODY ALLEN DIRIGIU O SEU PRIMEIRO LONGA-METRAGEM, O que há, Tigresa?. Desde então, ele continuou fazendo um filme atrás do outro. Literalmente, pode se dizer, já que desde Sonhos de Uma Noite de Verão, de 1982, o cineasta tem pelo menos um lançamento garantido por ano. Ou seja, são mais de trinta obras num período de trinta anos. Sensacional ou não é?

Allen é um dos maiores diretores do cinema americano. O diretor sempre consegue introduzir a sua personalidade em seus roteiros, criando quase sempre personagens que remetam a si próprio. O cineasta costuma ser lembrado pelo seu bom humor e sua personalidade depressiva, além das sacadas geniais nos diálogos dos seus filmes.

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Aproveitando que o diretor completará 78 anos de idade no domingo, 1 de dezembro, o Cinema de Buteco se reuniu para selecionar 10 filmes para recomendarmos para quem ainda não conhece muito do trabalho do magrelo de óculos mais querido do cinema. Estão preparados? Lá vai:


1 – A Rosa Púrpura do Cairo

The Purple Rose of Cairo3Em A Rosa Púrpura do Cairo, Woody Allen conseguiu tanto demonstrar (mais uma vez) seu amor pela sétima arte quanto explorar suas reminiscências de infância como espectador “fugindo” para a tela, através de um argumento insólito e fantástico que somente o próprio cinema poderia viabilizar. O cineasta aborda o ritual cinematográfico como uma relação profunda entre o espectador e o que se passa na tela, supondo uma ilusória e lúdica interatividade com o discurso narrativo, num filme engraçado e tocante.

Ana Andrade


2 – Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

Em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, Woody Allen demonstrou ser um cara legal e ao mesmo tempo, ácido. O diretor acaba nos apresentando ao lado B dos relacionamentos. São poucos que tocam nesse assunto de forma tão humana ao apresentar as neuroses que até parecem esquisitas na tela, mas elas existem e estão por toda parte! Com tantos “dedos na ferida”, uma hora ou outra você irá se enquadrar na obra. O filme faz você pensar em si mesmo e analisar os seus erros pessoais, tanto dentro quanto fora dos relacionamentos. Pensar demais, fazer tudo calculado, tentar ficar se descobrindo, ficar revirando o baú… Quando na verdade, você só precisa viver e se arriscar um pouco.

Thais Vieira


3 – Manhattan

A história do longa-metragem está bem próxima do lugar comum dos outros filmes do cineasta: seu personagem principal é um reflexo de sua própria personalidade, uma continuação do que o público já conferiu anteriormente. Por um momento, talvez pela presença de Diane Keaton (que já teve um relacionamento com Allen), pode-se lembrar claramente de Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e imaginar as conexões entre os dois filmes. Mas logo fica claro que, apesar das semelhanças, trata-se de um longa diferente. É fácil de reconhecer o estilo de Allen com o humor sarcástico e inteligente, as piadas que surgem na hora certa e nos fazem rir, e principalmente, na tendência de mostrar como a vida do personagem principal é uma tragédia.

Nathália Pandeló


4 – Meia-Noite em Paris

Meia-Noite em Paris é um filme gracioso. A obra é sobre um escritor (Owen Wilson) que descobre uma forma de parar em Paris dos anos 20, e assim tem oportunidade de encontrar seus maiores ídolos. Como na maioria dos trabalhos do diretor, o personagem principal é um alter-ego neurótico do próprio cineasta.

João Golin


5 – Vicky Cristina Barcelona

Como se não bastasse ter Scarlett Johansson como sua musa, Woody Allen incluiu Penélope Cruz e Rebecca Hall para o hárem do sortudo Javier Bardem, que se diverte mais do que uma criança visitando a Disney World pela primeira vez. Tudo isso, e mais o roteiro afiado, é o suficiente para transformar Vicky Cristina Barcelona em um dos trabalhos mais adorados do diretor e muito indicado para aqueles que ainda querem descobrir mais de sua carreira. Só não vá criando muita expectativa achando que todos os filmes são assim (com a sensualidade aflorada), porque não são.

Tullio Dias


6 – Tiros na Broadway

A comédia consegue reunir elementos que remetem à época e ao glamour da máfia italiana, algo que o roteirista e diretor satiriza. O filme é também um retrato bem humorado da indústria do entretenimento, que muitas vezes abre espaço para os desprovidos de talento e é habitada por divas e prima donnas.

Com tantos grandes atores, esta é uma comédia com excelentes interpretações. O destaque vai, é claro, para John Cusack, que fica cômico no papel do dramaturgo. Aos poucos, ele se vê quase que perdendo a cabeça, remetendo à neurose dos típicos personagens de Woody Allen. Wiest está também excelente como a controladora e convencida Helen. Há ainda todo o timing cômico que Jennifer Tilly traz para o longa, conseguindo ser muito competente no papel da superficial Olive, que tenta, mas não consegue ser uma atriz no mínimo decente.

Nathália Pandeló


7 – Hannah e Suas Irmãs

Mais uma daquelas obras primas simples, e no fim das contas belíssimas de Woody Allen, que não falam de nada, a não ser de nós mesmos, dos homens e mulheres que vivem loucos nas cidades (no caso sua amada Nova Iorque), e que, mesmo tendo que se preocupar com trabalho, família, realizações pessoais, e coisas do tipo, querem apenas ser felizes.

É a história de uma família atípica, e, por isto mesmo interessante, cada componente a seu modo: Hannah (Mia Farrow) é uma atriz casada com Elliot (Michel Caine), que por sua vez é apaixonado por sua cunhada Lee (Bárbara Hershey). Lee vive um casamento com Frederick, mas não consegue amá-lo mais como antes, e apenas o admira pela sua capacidade intelectual (em um dos quase monólogos de Frederick sobre a sociedade contemporânea, quando é questionado por Lee sobre a necessidade de tudo aquilo, ele lhe responde: “eu só estou tentando terminar a educação que comecei a te dar a 5 anos atrás!”, com ar de superioridade). A última irmã é Holly (Diane West), ex-viciada em crack e aspirante a atriz que, frustrada com os testes nos quais nunca passa, acaba criando um bufê para festas particulares. Por último temos Mickey (Woody Allen), ex-marido de Hannah. Ele é ateu até que, por ter quase sido diagnosticado com um tumor no cérebro (guardadas as devidas proporções, já que ele é hipocondríaco), descobre que deve haver um sentido para a vida, e que precisa, de alguma forma acreditar em Deus.

João Andrade


8 – Um Misterioso Assassinato em Manhattan

assassinatoWoody Allen teria se inspirado na série policial The Thin Man para escrever o roteiro de Um Misterioso Assassinato em Manhattan, lançado em 1993. A obra marca a retomada da parceria com sua ex-companheira Diane Keaton, e conta a história de um casal que recebe um casal de idosos para tomar um café. No dia seguinte, a senhora morre após um ataque cardíaco e deixa o marido viúvo. Para a surpresa de todos, o velho não demonstra muita tristeza com a notícia, o que faz com que uma verdadeira teoria da conspiração seja imaginada pela mente criativa de um amigo dramaturgo do casal.

Tullio Dias


9 – Zelig

O argumento de que “todos os filmes de Woody Allen são iguais” não se aplica a Zelig. De fato, muitos dos filmes de Allen têm no personagem principal um ponto em comum, pois se trata de um reflexo da personalidade do próprio roteirista e diretor. No entanto, o cineasta nunca explorou seu alter ego de forma tão inusitada quanto em Zelig.

Sim, Allen é novamente o protagonista. Desta vez, interpreta Leonard Zelig, um “camaleão humano” – homem problemático que, devido ao desejo extremo de aprovação, desenvolve a estranha habilidade de se transformar e se adequar ao tipo de pessoas que o cercam. Em poucos segundos, ele se torna chinês, acima do peso ou um médico. O fenômeno atrai a atenção da mídia e da psiquiatra Eudora Fletcher (Mia Farrow), que se empenha para estudar o enigmático paciente e curá-lo.

Nathália Pandeló


10 – Crimes e Pecados

Crimes e Pecados é fantástico. É um filme que deixa certa sensação estranha no final, pois não se sabe ao certo o que o (sempre genial) diretor Woody Allen quis dizer: há esperança ou apenas uma visão niilista da realidade?

Alternando duas histórias – a do oftalmologista (Judah Rosenthal, vivido por Martin Landau) que se vê num impasse sobre como resolver o caso de adultério no qual se envolveu, e a do diretor de documentários nada reconhecidos (Cliff Stern, de Woody Allen) que se vê obrigado a filmar a vida do egocêntrico cunhado, enquanto se apaixona por uma das produtoras do projeto – Allen consegue falar de culpa, de amor, de religião, num jogo de morde e assopra que só um fã de Bergman conseguiria fazer. Os dois personagens que servem como pilares para a história têm de escolher: um pode se arriscar a ver sua família envolvida em um escândalo, ou pode tirar do caminho sua amante; o outro pode abrir mão do dinheiro que ganharia documentando a vida de uma pessoa que odeia, ou continuar fazendo seus filmes idealistas e nada lucrativos.

João Andrade


Bônus: Match Point

O filme tem uma história perfeita, sempre inclassificável, e com uma questão cuja resposta pode não ser das mais óbvias: “o que é melhor: ser bom, ou ter sorte?”. Essa é a pergunta que o angustiado protagonista Cris Wilton (Jonathan Rhys-Meyers) se faz logo na cena inicial.

Ele tem um passado de sucesso no tênis, mas agora tem que se virar dando aulas a alunos iniciantes. Um desses alunos, Tom (Matthew Goode), se torna seu amigo, e Cris passa a frequentar as altas rodas da sociedade londrina, já que Tom é de uma família bem abastada. Sua irma Chloe (Emily Mortimer) se interessa por Cris, e os dois começam a ter um envolvimento. Até o momento em que Cris conhece Nola. O único problema de Nola é que ela é a Scarlett Johansson!!! E também que ela é noiva de Tom. O que acontece depois já é de se imaginar: Cris fica completamente atraído por Nola (quem não ficaria?!?!?), e a situação se mostra cada vez mais descontrolada. Cris toma atitudes, não muito convencionais, com o objetivo de manter tudo sob controle. Mas pode se arrepender muito delas…

João Andrade


[cinco]

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