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Review: Show do U2 em São Paulo @19/10/17

O Cinema de Buteco recebe o amigo André Thimoteo para falar sobre o show do U2 em São Paulo.

Quando comprei o ingresso para o primeiro show da turnê comemorativa dos 30 anos do Joshua Tree em São Paulo, no setor mais barato, a única coisa que passava pela minha cabeça era “tomara que o som esteja bom desta vez”.

Uma experiência sonora horrível e indigna com o tamanho da banda, me fez ficar receoso em pagar caro e não conseguir o principal, ouvir o show de uma maneira aceitável.

Depois de um show digno do Noel Gallagher, com a qualidade de som ótima, mas que para 99% das pessoas era tão empolgante quanto o episódio “The Fly” de Breaking Bad, inclusive com clássicos do Oasis e um dos hinos atuais do Reino Unido, Don’t Look Back Anger, no qual grande parte não deu atenção, o U2 entra no palco.

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Logo de cara pude acabar com as minhas dúvidas, a bateria do Larry ecoou pelo estádio e o som estava perfeitamente alto e claro o suficiente para curtir de forma ideal um show de rock.

Na primeira parte do concerto, o U2 provou que consegue ter uma performance de alto nível sem a ajuda da tecnologia, tão presentes nas turnês, apenas o telão com a imagem da Joshua Tree e nada mais, “Sunday Bloody Sunday”, “New Year’s Day”, “Bad” e “Pride” levantaram o público e o aqueceu para o álbum na íntegra, que viria na  sequência, vale notar que todas essas primeiras músicas são dos anos 80.

Chegou o momento mais esperado, o telão acendeu, ficou vermelho, a Joshua Tree ficou mais visível, e a guitarra do The Edge iniciou o álbum, arrepiante como sempre, com uma luz forte e a estrada sem nome aparecendo ao fundo, música que cabe em qualquer momento do show, é impressionante a energia, tanto dos primeiros acordes quanto das primeiras palavras cantadas por Bono e o público.

Para mim o momento mais emocionante do show, após o começo triunfal em “where the streets have no name”, a capela do estádio cantando “i still haven’t found what i’m looking for”, foi “with or without you”, olhar amigos emocionados por estarem presenciando uma última e única oportunidade, ouvir e ver o Joshua Tree na integra, fez eu finalmente me tocar que aquilo estava acontecendo de verdade, em uma música com apelo emocional grande, ainda mais com o estádio inteiro começando a cantar antes do Bono, não me emocionava assim em um show fazia anos.

A partir desse momento, o estádio parecia um cinema, finalmente o telão fez a diferença, ainda mais sentado na arquibancada no fundo do estádio, imagens espetaculares da guerra em “bullet the blue sky”, telão usado de forma dividida, nas extremidades uma imagem, no centro outra, com uma qualidade excepcional de deixar qualquer fã boquiaberto.

A cada música que passava, com os maiores hits do álbum passando, o público foi murchando, no meu caso adorei ver e ouvi-lo na íntegra principalmente pela forma como elas foram colocadas, letras, melodias, e um telão que não parava de surpreender, Bono tocando gaita em “Running to stand still” e “Trip through your wires”, algo para escutar e admirar, realmente imagens e estruturas bem feitas fazem a diferença, não em sentido espalhafatoso como shows de outras bandas, e sim em algo que dê contexto para a canção tocada, o que U2 fez com maestria.

A abundância de EUA, com bandeiras mostradas de várias maneiras e diferentes formas, histórias e imagens, é compreensível pela história do álbum.

A última parte do show novamente levantou o público, já que tocaram 3 dos maiores sucessos da banda, “Beautiful Day”, “Vertigo” e “Elevation”, no meu modo de ver, apenas por obrigação, poderiam ter colocado outras músicas mais significativas, que compactuassem com a temática da turnê, apesar de entender que shows em estádios precisam desses momentos.

A talvez maior polêmica da noite ficou com “Ultraviolet”, música alias que eu amo, esperei anos por ela, depois de uma tentativa frustrada em 2011, onde a trocaram  por “Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me”, letra espetacular e que foi dedicada ás mulheres que fizeram diferença no mundo, a polêmica fica em algumas figuras públicas como Hillary Clinton, em contra partida mostrou Bertha Lutz, uma bióloga brasileira que foi uma das figuras mais significativas do feminismo e da educação no Brasil do século XX.

Mesmo com as polêmicas, fico feliz de saber que o U2 homenageou as mulheres, independente de quem for, assim como a “censura nunca mais” na camiseta do Larry, mostrada em “Vertigo”, atos políticos assim, que fazem o U2 ser uma banda odiada e amada por muitos, pois não tem medo de mostrar suas convicções.

Show foi encerrado com “One”, sempre fantástica com aquela energia de união, mostrada no telão em vários idiomas do planeta, foi o último suspiro de uma noite compartilhada com amigos que não se vê todos os dias, mas que por mais que o tempo passe, a sensação que fica é a de convivência diária, já que a sensação de ver uma das bandas favoritas ao vivo é semelhante.

 

      

       

 

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