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Oscar 2020: análise dos indicados

Saiu a lista de indicados ao Oscar 2020! Como sempre, tivemos surpresas e decepções.

Reveja minha última lista de previsões AQUI.

Mulheres esnobadas em direção

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Primeiramente, nenhuma mulher foi indicada na categoria de direção. E opção não faltava! O problema é que, apesar de muitos filmes aclamados em 2019, os homens também comandaram produções de alto nível. Além, é claro, de serem produções que tiveram maior alcance e campanhas mais fortes das suas respectivas distribuidoras.

Ou seja, enquanto não houver mais oportunidades para mulheres dirigirem longas de grandes distribuidoras, elas vão ficar dependendo do sucesso de filmes independentes e das campanhas feitas. Aí sim, terão a chance de ser tornar uma Greta Gerwig, Kathryn Bigelow ou Sofia Coppola da vida no futuro.

Gerwig comanda o aclamado Adoráveis Mulheres, que concorre a melhor filme e tem grandes chances de ganhar o prêmio de roteiro adaptado.

Curiosidade sobre as mulheres no Oscar

Em 92 edições do Oscar, somente cinco mulheres foram indicadas a melhor direção. Uma venceu em 2010: Bigelow, por Guerra ao Terror.

O dado positivo da cerimônia de 2020 é que quase um terço dos indicados são mulheres; um recorde de 65 profissionais reconhecidas. É pouco? Sim. Mas é um avanço em relação aos anos anteriores pelo menos.

Fica também um parabéns para Emma Tillinger Koskoff, indicada ao Oscar de melhor filme duas vezes, por produzir O Irlandês e Coringa. Scarlett Johansson foi indicada por História de um Casamento e Jojo Rabbit.

Pouca diversidade

A diversidade não foi muita. Cynthia Erivo concorre nas categorias de atriz e canção original, por Harriet; o sul-coreano Parasita foi indicado a seis, incluindo filme, direção e roteiro original. E é isso.

Jennifer Lopez e o premiado A Despedida, de Lulu Wang, foram completamente esnobados. Lembrando que a atriz só não havia sido indicada ao BAFTA (entrou no Globo de Ouro, Critics’ Choice e SAG). A produção de Lulu Wang, por sua vez, já havia ficado de fora do SAG e do BAFTA (categorias principais), mas colecionava excelentes críticas, uma bilheteria sólida, um Globo de Ouro para Awkwafina, prêmios em Sundance, AFI, Gotham, NBR, NYFCC, sem contar as indicações ao Spirits.

Luta por Justiça, estrelado por Michael B. Jordan e Jamie Foxx, é outro esnobado. O último foi até reconhecido no SAG, mas ficou por aí. Queen & Slim, da estreante Melina Matsoukas, teve uma recepção comercial e crítica excelente nos EUA. Porém, foi lançado em novembro, e não era o típico filme Oscar bait. E o único nome realmente conhecido no elenco era o de Daniel Kaluuya. O DGA de primeiro filme foi um reconhecimento bacana, apesar disso tudo.

Todos sabiam que Dor e Glória seria indicado a melhor filme internacional. Antonio Banderas também era uma possibilidade, como já discutimos aqui no site anteriormente. Os prêmios em Cannes, NYFCC, LAFCA e o respeito pelo ator na Academia eram bons indicadores de que o espanhol seria, eventualmente, indicado. No entanto, havia certa expectativa de reconhecimento nas categorias de roteiro original e atriz coadjuvante, para Penélope Cruz.

Nós, de Jordan Peele, é, talvez, o principal perdedor aqui. O diretor de Corra!, vencedor do Oscar de roteiro original em 2018, viu seu filme ser aclamado e um sucesso de público. Porém, ele não teve nada de destaque, além de uma indicação ao SAG de melhor atriz para Lupita Nyong’o.

Rocketman sem amor, Dois Papas com amor

Eu já sabia, mas compreendo todos que apostavam na indicação de Taron Egerton. Afinal, o britânico entrou em tudo: BAFTA, SAG, Critics’ Choice e venceu o Globo de Ouro. Figurino, penteado e maquiagem também eram esperanças da Paramount Pictures para Rocketman, com o filme sendo reconhecido pelos sindicatos americanos e BAFTA nessas categorias previamente. Não rolou nenhum delas. Elton John terá que se contentar com a indicação a melhor canção original. E a Paramount, bem, o dinheiro todo investido em campanha não foi suficiente.

Dois Papas tem muito o que comemorar. Distribuído pela Netflix, ficou de fora de melhor filme, mas entrou em roteiro adaptado, ator coadjuvante e ator. Esta é a primeira indicação de Jonathan Pryce ao Oscar, por incrível que pareça! Pra quem não sabe, o brasileiro Fernando Meirelles dirige o drama.

Brasil dentro

Não deu para Vida Invisível em filme internacional, mas Democracia em Vertigem foi reconhecido. Quatro anos após a indicação de O Menino e o Mundo em animação, o país finalmente tem outro representante na premiação.

Pra ser sincera, já fiquei surpresa com a pré-lista, pois não havia percebido um grande amor pelo documentário de Petra Costa. E, mesmo depois disso, ainda não acreditava na indicação. Fico feliz por ter queimado minha língua. A última vez que fomos destaque no Oscar foi em 2004, quando Cidade de Deus concorreu nas categorias de direção, roteiro adaptado, fotografia e montagem.

Vencedores e perdedores

A Netflix é a maior distribuidora da lista, com 24 indicações. Entre os filmes, Coringa lidera, com 11 indicações. É seguido de Era uma vez em…Hollywood, O Irlandês e 1917, com dez cada.

A distribuidora que sentiu o gosto mais amargo foi a A24, que teve uma indicação para O Farol, em melhor fotografia. Nada para A Despedida, Joias Brutas, Midsommar, O Souvenir, Monos e Waves. Pra quem já foi destaque no Oscar com produções como Ex Machina, O Quarto de Jack, Lady Bird, Moonlight e O Lagosta, foi uma derrota dolorosa.

A Disney teve 16 indicações, o que não é ruim de forma alguma. Mas o fato de Frozen II ter sido esnobado em animação, assim como O Rei Leão em canção original, deve ter doído.

 

Assista aos comentários da Dani Pacheco na transmissão do Buteco no Ar #12. Ouça o episódio no reprodutor localizado no início do post ou no Spotify.

Lista completa de indicados na próxima página! A 92º cerimônia do Oscar acontece em 09 de fevereiro.