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Review: Empire s02e10 – “Et Tu, Brute?”

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Até tú Brutos? Chegamos finalmente ao “winter finale” desta série, que teve o título do episódio final tão sutil quanto o roteiro da mesma. E o engraçado de Empire, é que apesar de ter uma história completamente previsível, de alguma forma misteriosa a produção ainda consegue nos surpreender e apresentar episódios com tanto samba e reviravoltas como o desta semana. Fantasmas do passado reaparecendo, queda de escada, tiro, porrada e cuspe… Emoção foi o que não faltou em “Et Tu, Brute?” E isso aliado a muita música boa, fez com que Empire nos entregasse mais um daqueles episódios que dá gosto de assistir.

“Et Tu, Brute?” fez um breve apanhado de toda a coletânea original de músicas da temporada, e nos relembrou rapidamente de várias delas. Sabe como é que é… Tem que vender o peixe, fazer o merchan. E por falar em merchan, também tivemos o lançamento do clipe da Pepsi, que fez parte do plot muito interessante, e até agora inédito, das premiações. Achei super justo a indicação de “Boom, Boom, Boom” e só acho que isso vem acrescentar mais ainda à rivalidade musical entre Jamal e Lucious. Por falar em pai e filho, o plot da bissexualidade de Jamal que criou uma grande polêmica durante esta semana, rapidamente foi amarrado. Ficamos com o desprazer de ouvir Lucious falando “she fixed you” e a lindeza que foi Jamal enfatizando mais uma vez que ninguém chegará aos pés da mexicana. Por falar nisso… Que fim deu a mexicana?

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Enquanto isso em dia de visita aonde vê-se o sol nascer quadrado, não só as famílias das detentas foram visitá-las, como também ninguém menos que sua antiga companheira de cela, Cookie Lyon. Achei bem legal o plot do show na cadeia, dela lembrar de onde veio, a interação com às ex-colegas, até mesmo o plot de Jazzy (a rapper amiga de Cookie) que foi cortado, ainda assim foi razoavelmente interessante. Nem tão amistoso quanto o plot de Cookie e até meio WTF, foi a forma com que chegou ao fim o plot de Anika e do mais novo herdeiro dos Lyons. Nunca, em sã consciência eu poderia prever que os roteiristas estavam indo por esse caminho. Com direito à assinatura Nazaré Tedesco, o texto de Empire conseguiu nos surpreender mais uma vez, e lá se vai a vantagem que André tinha com o pai. E Anika? Está grávida, está louca? Que demônio essa mulher tem no corpo? Pobre de Rhonda que está fadada ao sofrimento eterno.

Falemos então agora, sobre o grande arco do episódio. Lucious Lyon do alto de toda a sua arrogância, depois de ter levado a sua companhia à público e ter faturado milhões com isso, planejava novamente tomar o controle da porra toda e eliminar os seus inimigos. O que ele não contava, é que o maior deles estava do seu lado esse tempo todo. Finalmente tivemos um desfecho, e as justificativas que precisávamos para o arco de Mimi. Mas a história não está nenhum pouco perto de acabar, pois todos os atos da personagem de Marisa Tomei estavam sendo arquitetados por ninguém menos que Camila, que entra em cena sambando mais do que globeleza e e deslocando a mandíbula de Lucious Lyon de tanto choque.

A gente está cansado de saber que quando Naomi Campbell resolve vir à TV, ela não vem à passeio, e vai ter sempre um belo barraco. A reviravolta foi linda, digna de final de novela mexicana, nunca, nem nas minhas apostas mais arriscadas sobre esse show, eu poderia prever isso, uma salva de palmas para a equipe de Empire. Com a ascensão de seus inimigos acionistas da empresa, Lucious ironicamente, vê o seu destino nas mãos de Hakeem que, influenciado pelos planos ambiciosos de sua ex, não pensa duas vezes em voltar-se contra o pai e tirar o mesmo da diretoria da Empire. Tudo bem que os Lyons possuem os seus desentendimentos, mas nos momentos mais difíceis da vida do caçula, Lucious nunca virou as costas para ele. Sem a mesma consideração, o patriarca viu o seu grande patrimônio escorrer por entre os seus dedos.

Do apogeu de sua carreira empreendedora para a cadeia, da cadeia para à glória, da glória para o fundo do poço novamente, os altos e baixos da vida de Lucious Lyon e suas reviravoltas, nunca param de nos fascinar, e eu que reclamei durante um bom tempo sobre a condução do personagem de Hakeem, vejo o mesmo finalmente chegando ao seu ponto mais alto e fechando muito bem a história que foi montada para ele nessa primeira parte da temporada. Daqui para frente vai ser das duas uma… Ou ele realmente amadureceu, e conseguirá negociar de forma sensata o retorno da sua família ao poder da empresa, ou será a razão do fracasso de si mesmo. Fechando direitinho todos os arcos abertos nesses dez primeiros episódios, Empire deixa um ótimo gancho para a segunda metade da temporada, e nos coloca mais uma vez na beirada do sofá, na espera pelo que de novo que possa acontecer.