Review: It’s Always Sunny in Philadelphia s11e04 – “Dee Made a Smut Film”

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It’s Always Sunny in Philadelphia reacende sua veia crítica, e ao que tudo indica a quarta temporada finalmente começou. Depois de duas retrospectivas e um especial nas montanhas, a gang não só retornou ao seu habitat natural como também às suas práticas cotidianas. Em um episódio repleto de revelações, questionamentos e esquemas, o show, esta semana, não foi direto na jugular, mas pelo menos nos situou de volta no ambiente em que estamos acostumados à vê-lo.

“Dee Made a Smut Film” apesar de ter um grande potencial, falhou seriamente em sua execução. Com várias storylines paralelas, parece que as mesmas não chegaram a um consenso, nem a uma conclusão geral. Tudo bem que já estamos acostumados com a gang fazendo mil e uma coisas em um episódio, mas geralmente tudo com coesão e em prol de um mesmo fim. Enquanto Mac estava decidido a provar o que era arte e o que não era, Frank revisitou suas memórias antepassadas, Dee fez excelentes adições a sua carreira artística e Dennis nos dava um insight sobre os reais motivos de seus distúrbios psicológicos, nenhum desses plots, de fato, fizeram sentido juntos. Incluindo um Charlie muito mal aproveitado pela terceira vez esta temporada.

Mostrando um denso e extenso espectro de diferentes formas de arte, It’s Always Sunny in Philadelphia aponta o dedo novamente para os que criticam o show, de forma bem clara, quando Dennis no fim do episódio afirma que a qualidade da arte é sim didata pelos que dominam o sistema. Filmes do Cinemax, softporn, Fifth Shades of Gray, As montagens da Dee, os desenhos do Charlie, a biografia do Dennis… Tudo é jogado no mesmo balaio, aonde somos conduzidos por Mac, que é o mais noob de todos, assim como nós, nesta saga pela descoberta do que seria realmente arte.

Juntamente com Mac, tivemos um Charlie Day vivendo aquém do potencial de seu personagem e não entregando nem metade das frases de efeito e trejeitos que poderia na sua interpretação de Richard Grieco. Este por sua vez estava impagável, sob a direção de Dee, sem piscar um minuto para a câmera e com os seus constantes pedidos de pausa nas filmagens. São pérolas como estas, antigas e esquecidas, que os roteiristas da série vão buscar para provar um ponto, que acabam fazendo tudo valer apena. Dee estava maravilhosa na sua perspectiva feminina na direção do filme, pedindo para a atriz entristecer os seus peitos, e seus vídeo-montagens meio que salvaram o episódio, rendendo boas risadas.

Agora, não tem como negarmos que quem roubou o show desta vez foi Danny DeVito, com o seu hilário Ongo Gablogian. Com o seu look meio “Artsy/Pós-Moderno meets Alien”, o ator me fez rolar de rir com a sua aparição, e a medida em que ia conduzindo a conversa com a dona da galeria e destilando o seu monólogo sobre o ar-condicionado a coisa só ia ficando mais intensa e divertida, mesmo com Mac tendo pedido para ele ser sutil (coisa que não combina com Frank). São momentos como estes que nos mostram o real comprometimento que os atores da série tem com seus personagens, ainda que seja apenas uma variação deles. Da lista de melhores momentos de Frank dentro de todo o show, este sem dúvidas para o topo juntamente com o concurso infantil de beleza e a luta livre.

E claro, que não poderia terminar a review sem comentar um pouco sobre esta brecha que foi aberta para nós, sobre o passado de Dennins Reynolds. A idéia de que ele foi estuprado quando era adolescente, pela bibliotecária que definitivamente parecia com Rick Moranis, explica muita coisa de seu comportamento sexual atual. Como a temporada tem colocado a personagem de Glenn Howerton bem no olho do furacão, fico no aguardo de novas adições à essa história. No mais é isso, não chegou a ser um episódio ruim de fato, mas com tanta coisa interessante acontecendo, foi difícil dar uma conclusão pra tudo, e terminamos com aquela cena de merda no final, com todo mundo querendo mostrar a sua arte, todos se interrompendo e ninguém explicando nada. Propositalmente? Ironicamente? Creio que não, acho que foi só mal dirigido mesmo.

Jairo Borges