Review: It’s Always Sunny in Philadelphia s11e05 – “ Mac & Dennis Move to the Suburbs ”

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É triste aceitar que It’s Always Sunny in Philadelphia atingiu o meio de sua temporada e a mesma ainda não disse à que veio. Depois de dois episódios retrospectivos (pelos quais eu achei que esse seria o rumo da temporada) e agora com seu segundo especial fora do Paddy’s Pub, acho que já podemos admitir que os roteiristas tem experimentado demais e acertado de menos. E ao contrario de “The Gang Hits the Slopes” que foi detalhadamente muito bem escrito e envolveu toda a gang, “Mac & Dennis Move to the Suburbs” foi massante, superficial e digamos, até banal.

Ao retirar a gangue de seu habitat natural, nós sempre esperamos um episódio grande e diferente, com eles se dividindo para explorar as várias facetas desse novo ambiente. O quinto episódio dessa temporada não só não nos entregou isso, como focou seus vinte minutos apenas em cima de Dennis e Mac, tornando o mesmo pequeno e sem dinamismo, visto que os dois são as personagens mais estáticas da série. Se a intenção era transmitir para nós a mesma sensação deles, de quão sem graça era a vida no subúrbio, missão cumprida. Eu quase dormi aqui.

Mais uma coisa, vamos falar sobre o texto do episódio? Não é nenhuma novidade Sunny pegar um tema para satirizar, os roteiristas já fizeram grandes obras de arte nesse esquema. Mas se em sua concepção “Mac & Dennis Move to the Suburbs” parecia grande e inusitado, em sua execução tudo ficou muito rasa, com piadas muito fáceis e extremamente gráficas. Faltou a densidade de humor que estamos acostumados a assistir e que normalmente diferencia o show de outras sitcoms. Se o episódio era baseado na repetição, para enfatizar a rotina dos subúrbios, o texto tinha que ter sido mais ácido, mas perspicaz, para diferenciar uma sequência da outra. Quando o show usa muletas como a TV que nunca é consertada e Dennis repetidamente brigando com todo mundo no transito, é porque o roteiro realmente não está indo bem.

Mas nem só de espinhos foi feito o episódio, que teve uma incrível direção. Apesar de terem usado um recurso de edição que eu odiei, e não faz o feitio da série, para acelerar a passagem do tempo; algumas tomadas de câmera foram maravilhosas, e aproximaram muito o episódio dos clássicos de terror psicológicos como “O Iluminado”. A ideia de usar o recurso dos sons para levar a dupla a insanidade acho que funcionou muito bem também. Acho que como forma de suprir a carência do texto, a direção se destacou bem na hora de conduzir o episódio.

E como o episódio foi focado totalmente em Mac e Dennis, não tem como não comentarmos a dinâmica dos dois, que é uma das mais tradicionais do show. A saga eterna da personagem de McElhenney buscando aprovação de Dennis, e como ele sempre assume um papel submisso quando está com o amigo, é sempre engraçado de assistir. A sequência das fotos e do falso macarrão foi uma das minhas favoritas do episódio. O destaque contudo, mais uma vez essa temporada vai para Glenn Howerton, que tem sido o grande destaque da mesma, levando Dennis ao extremo da insanidade e psicopatia, deixando a personagem muito mais gráfica este ano.

Nem de longe tão capenga quanto o ano passado, a 11ª temporada, apesar de fraca, ainda não tinha feito um episódio realmente ruim como este. Apesar de estar com um nível decente, as experimentações precisam acabar, e precisamos urgentemente de um episódio como “Charlie’s Work”, que nos faça rir do começo ao fim para salvar a temporada. Desse episódio apenas duas certezas ficaram, It’s Always Sunny in Philadelphia não vive sem o seu dinamismo e divisão de plots entre os seus personagens, e os roteiristas precisam urgentemente dedicar mais tempo na elaboração do humor, para que o nível intelectual da série não acabe caindo.

Jairo Borges