Review: The Walking Dead s07e14 – “The Other Side”

A incrível capacidade de The Walking Dead em criar expectativa nos seus telespectadores e depois mostrar que não era bem “assim”. Em deixar claro que as grandes emoções acabam ficando sempre pro final, como se uma mudança na fórmula de sucesso fosse algo que os produtores não acreditem. Essa é uma forma de definir The Walking Dead s07e14 – “The Other Side”.

“The Other Side” fala sobre o outro lado. Podemos aplicar tanto para as facetas de Gregory e Eugene, quanto para a sequência final em que Sasha engana Rosita e fica do outro lado da grade.

O episódio apresenta os Salvadores invadindo Hilltop inesperadamente para levar o médico da comunidade. Paralelamente, Rosita e Sasha partem rumo ao Santuário para realizar a missão kamikaze de exterminar Negan.

Geralmente costumo elogiar narrativas mais lentas, como é o caso aqui. Porém, “The Other Side” me deu a ideia de ser um momento de guinada. O ritmo lento e excessivamente dramático não foi uma surpresa muito positiva. Talvez depois que a temporada acabar, eu consiga mudar de ideia e compreender melhor a ideia dos produtores. Talvez.

A emoção deu o tom do episódio. Maggie e Daryl, por exemplo, protagonizaram a sequência mais dramática dos últimos tempos. Daryl se desculpa, assumindo pra si a culpa da morte de Glenn (lembrem-se que Negan havia feito uma ameaça contra os sobreviventes e Daryl ignorou isso. Como resultado, o coreano pagou o pato. Ou o frango) e os dois se abraçam, unidos pela dor e vontade de se vingar. Ao mesmo tempo, Rosita começa a se abrir para Sasha.

A dinâmica das duas é interessante para o desenvolvimento do episódio e a conclusão da temporada, já que as consequências de seus atos causarão impactos dolorosos à Alexandria. Parecia até premeditada a escolha de Sasha em evitar dar o tiro e preferir aguardar para invadir o recinto dos Salvadores. Desde o começo, ela demonstra serenidade diante a chance de dar a própria vida para tentar se vingar.

Infelizmente, Sasha não ouviu seus amigos. Ela não queria ouvir a ninguém. Quando ela deixa Rosita de fora da ação e corre para dentro do Santuário, é como se corresse para a sua própria liberdade e paz – ainda que isso signifique a morte.

Gregory parece cada vez mais perto de virar casaca e entregar Jesus (que finalmente se revelou gay na série, assim como é nos quadrinhos) para os Salvadores. Lentamente, ele tenta iniciar uma ação para recuperar a sua posição de liderança e não parece se importar se alguém for morto no processo. A ameaça direta contra Jesus deixa isso bem claro.

Se o comportamento de Gregory não deixa de ser previsível, quem tratou de deixar o telespectador de cara foi Eugene. O gênio recusou a ajuda de Rosita e Sasha para fugir. Exceto se existir um plano “secreto”, parece que Eugene realmente se tornou “Negan”. Acredito muito no plano secreto para ele mesmo cuidar de exterminar a ameaça dos Salvadores, mas tudo é possível.

(Até o Carlinhos perder a virgindade!)

Nos segundos finais, Rosita se encontra com uma figura misteriosa. Pode ser tanto Daryl quanto Dwight, mas aposto no segundo. Acredito que está na hora de Dwight tomar atitudes e mostrar para o público que está contra Negan. Mas a grande questão é: como ele poderá sobreviver diante um possível ataque de fúria de Rosita?

“The Other Side” não é um episódio ruim. Queria ter gostado mais ou assistido sem qualquer expectativa. Saber que a sétima temporada se aproxima de um fim que deixará os fãs loucos querendo que outubro chegue rápido não me anima muito. Queria respostas. Queria soluções.

Cada detalhe na série conta na hora de permitir ao público juntar as peças e montar o quebra-cabeças. Só que é frustrante quando as peças nãos e encaixam porque ainda está cedo. Por um lado, notável o trabalho dos produtores em deixar seu público ansioso e sofrendo por antecipação pelo que resta desse ano da série.

Sr. Kirkman não oferecerá nada disso, mas pelo menos garante boas doses de emoções para os dois últimos episódios da temporada.

review the walking dead s07e14 - the other side

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.