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Alien: Covenant – Fracasso ou decepção?

Continuação de Prometheus deve somar menos de $ 250 milhões nas bilheterias mundiais

 

Após quase um mês em cartaz no mundo todo – exceto China e Japão -, Alien: Covenant tem mostrado um desempenho extremamente abaixo do esperado nas bilheterias. Porém, a pergunta que fica é: seria o filme um fracasso ou uma decepção?

Talvez fracasso seja uma palavra forte demais, pois não temos aqui Convergente (2016) – orçamento de $ 110 milhões, arrecadação de $ 179 milhões -, por exemplo. A continuação de Prometheus (2012) custou $ 97 milhões e soma, até o momento, $ 181 milhões. Após as estreias na Ásia, a produção de Ridley Scott deve finalizar sua breve passagem pelos cinemas em torno dos $ 250 milhões. Não é horrível.

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Por isso, a melhor palavra que representa Alien é, ao meu ver, decepção. Por quê? Bom, a 20th Century Fox não fez o filme para ter essa quantia de dinheiro de retorno. Prometheus arrecadou pouco mais de $ 400 milhões, ou seja, esperava-se que sua continuação chegasse pelo menos perto disso e não $ 150 milhões a menos. E olha que estou considerando apenas o orçamento do longa, pois não se sabe quanto que o estúdio gastou com a parte de comunicação e marketing (investimentos provavelmente altos).

Culpamos o resultado a quê?

Alguns apontam a data de lançamento. Bom, o filme anterior foi lançado na mesma época de outros blockbusters e teve uma performance decente no box office. As duas datas que ocupou anteriormente também possuem competição: 4 de agosto tem A Torre Negra e 6 de outubro tem Blade Runner 2049. Próximo.

Michael Fassbender. O ator realmente coleciona uma série de fracassos nas bilheterias, em especial Assassin’s Creed, Steve Jobs, Macbeth e A Luz Entre Oceanos. OK que ele não é uma grande estrela e não é capaz de vender ingressos só com o seu nome, algo que Tom Cruise ainda faz (não como antes, é claro). Porém, Alien é mil vezes maior que ele; toda a divulgação de Covenant foi em torno do monstro assustador. O pobre coitado não tem nada a ver com isso. Próximo.

Tempo entre os filmes. Cinco anos é uma lacuna considerável, não podemos negar. Algo similar completamente matou Alice Através do Espelho (2016), que amargou $ 299 milhões após um orçamento de $ 170 milhões; seis anos antes, o primeiro da série alcançou $ 1 bilhão nas bilheterias. As pessoas esquecem Hollywood, não demore para fazer continuações. O espectador arruma outras franquias para amar!

Fatiga. Esse é provavelmente outro motivo da decepção. Scott quer fazer várias continuações de Prometheus antes de chegar ao primeiro Alien, de 1979. Será que é uma boa ideia? A franquia é popular o suficiente para ter bilheterias fortes durante tanto tempo? O resultado de Prometheus foi razoável, mas a resposta a Covenant foi muito pelo contrário. Não seria o público dizendo: “Ridley Scott, amamos o seu trabalho, amamos Alien, mas não queremos várias prequelas. Uma é o suficiente”.

E aí, o que você acha? Teremos uma continuação para Alien: Covenant ou não?

1 comentário
  1. Gilberto Euler Diz

    Daniela, com todo o respeito, em sua análise você deixou de abordar os aspectos subjetivos de Prometheus. É entendendo esses aspectos do primeiro filme que esclareceremos a decepção de Covenant. Tínhamos uma boa história ali. A origem da humanidade, nossa crise existencial. Aquilo deu um sentido à saga Alien, fazendo com que ela não parecesse apenas mais um filme de terror. A fé de Elisabeth Shaw foi, a meu ver, o que conquistou os fãs. Uma das cenas de que mais gostei foi a do final, em que Elisabeth diz ao David que quer ir ao planeta dos engenheiros descobrir o motivo de eles nos odiarem. Eles nos criaram e depois mudaram de ideia e ela disse que merecia saber o porquê. Creio que o politicamente correto venceu. O filme tinha aspectos cristãos demais. No segundo filme, a fé do capitão tornou-se uma caricatura de péssimo gosto, a demonstrar que o Ridley Scott se arrependeu do personagem Elisabeth. Preferiu focar no android David, um personagem sem muito carisma. Em resumo, penso que os fãs como eu se decepcionaram pela ausência de Elisabeth Shaw; pela desrespeito com que Ridley se desfez da personagem em uma situação muito mal explicada; e, por fim, porque o que prometia ser uma trilogia que daria sentido à saga Alien voltou, por razões inexplicáveis para os fãs, a fazer dela apenas mais um filme de terror.

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