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Projeta Brasil 2014 exibe Hoje Eu Quero Voltar Sozinho e Tim Maia nesta segunda-feira, 10

"As vezes eu fico com um pouco de raiva do mundo, sabe? Mas todo mundo fica, né? Por um motivo, ou por outro..."

"As vezes eu fico com um pouco de raiva do mundo, sabe? Mas todo mundo fica, né? Por um motivo, ou por outro..."

COM INGRESSOS POR APENAS R$ 3, o Projeta Brasil 2014 acontece nos cinemas da rede Cinemark durante esta segunda-feira, 10 de novembro. Dentre as obras selecionadas estão Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, Tim Maia, O Lobo Atrás da Porta, Praia do Futuro e muito mais. Confira a programação completa aqui.

Nós selecionamos alguns breves comentários sobre alguns dos filmes que fazem parte da programação. Veja as nossas recomendações:

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Homens São de Marte e é Pra lá que eu Vou

Com direção de Marcus Baldini (Bruna Surfistinha), a produção conta a história de Fernanda (Mônica Martelli), uma solteirona de quase 40 anos, que está desesperada em busca do grande amor de sua vida. Acontece que encontrar a pessoa certa não é muito fácil, o que resulta numa série de encontros hilários para a sorte do público, especialmente as mulheres que se identificarem com os dramas de Fernanda.

O mérito maior de Os Homens São de Marte e é Pra Lá Que Eu Vou é justamente a alta possibilidade de identificação do público. Se por um lado, os homens poderão rir do quanto as mulheres são meio esquisitas nessa mania frenética de se arrumarem para um encontro; as mulheres se deliciarão ao verem na tela a representação de todos seus “dramas”. Desde a escolha da lingerie perfeita para a noite (e isso resulta a minha cena favorita, ao som de “Valerie”, na versão de Amy Winehouse), até os momentos em que a protagonista usa sua peculiar mexida de cabelo para indicar interesse, e claro, como lidar com homens estranhos e suas manias. A tristeza de ver príncipes se tornando verdadeiros sapos ou comprovando a propaganda enganosa.

homens sao de marte e e para la que eu vou 2

Praia do Futuro

O filme trata do universo masculino investigando as fragilidades escondidas por trás das buscas por (auto) afirmações, o que justifica o tema do herói que permeia todo o filme. Interessante perceber (e os filmes de Aïnouz sempre exigem um espectador muito atento), que toda a narrativa foi construída de modo a referenciar esse universo, onde não há espaço para fraquezas ou incertezas. A força dos personagens na excepcional filmografia do diretor reside justamente no contrário: na humanidade com que se resgatam, com que trilham suas trajetórias, na imperfeição com que impreendem suas buscas, com que afirmam-se através de um lugar inseguro, arriscado. Aïnouz sempre filma uma fuga cuja destino é incerto e obscuro, mas é um destino, e sobretudo um destino como alternativa.

Isolados

O Cinema nacional tentou fugir um pouco das fórmulas consagradas de comédias de qualidade duvidosa ou tramas violentas em favelas, e o resultado foram algumas obras voltadas para o terror e suspense, como Isolados. O resultado é um thriller psicológico que funciona principalmente como uma oportunidade dos nossos realizadores investirem mais em obras parecidas.

Trash – A Esperança Vem do Lixo

Durante os primeiros momentos de Trash – A Esperança Vem do Lixo, há um plano que presta notável reverência a Cidade de Deus, representante de maior projeção internacional das últimas décadas. As marcas do filme de 2002 se reproduziram em diversos projetos subsequentes da O2, mas a metodologia da produtora serviu para Trash não apenas na realização, como também na promoção e exportação, aderindo a códigos de mercado que colocaram a imagem do Brazil à frente do Brasil. Olhando as entrelinhas, é a mesma corrente que passou por Carmen Miranda e pela abertura belga da “Copa das Copas”, com modelos de merchandising mais incisivos, tão sutis quanto os das novelas da Rede Globo. Na medida em que pretendem parecer Brazil, Daldry e a O2 perdem possibilidades de ser mais Brasil, representativamente livre. Com o perdão do hiperrealismo.

Quando eu Era Vivo

Quem é que poderia imaginar algum dia assistir a um filme de terror com a Sandy num dos papéis principais? Na adaptação do livro de Lourenço Mutarelli acompanhamos uma conflituosa relação paternal recheada de elementos de ocultismo. Há uma pegada independente demais na produção, e isso pode acabar incomodando aqueles que não estão acostumados com obras escuras demais e com ritmo lento, mas é justamente na condução lenta que se constrói o climax final para a grande revelação. Uma excelente opção para os amantes do terror.

sandy

Alemão

Não se entusiasme demais com o trailer: pelo preview, temos a sugestão de um novo Tropa de Elite, mas a verdade é que Alemão peca por não conseguir atingir todo o potencial que tinha para ser uma verdadeira porrada. Independente da pompa da divulgação, o filme vale o ingresso para todos aqueles que preferem se enveredar por um subgênero que o Brasil trabalha muito bem: filmes de favela.

Hoje Eu Não Quero Voltar Sozinho

De Eu Não Quero Voltar Sozinho, ensaio de 2010, viral na web, a Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, sucesso no Festival de Berlim e nos cinemas brasileiros, a evolução de uma proposta curta sem muitos desdobramentos para a apresentação longa de suas possibilidades revela o quanto a maturação de uma mesma história contribui técnica e dramaturgicamente para o processo de contá-la. Após um período de anos compondo notas e pausas para a partitura de um projeto, seja qual for o método, o mesmo mostra-se mais rico em detalhes.

Tim Maia

Os produtores brasileiros reconhecem nas cinebiografias um forte mercado para trabalhar o cinema nacional, mas ainda sofrem para encontrar um tom adequado para as adaptações. É preciso prezar pela qualidade e variedade, e fugir dos equívocos de obras medíocres, como Somos Tão Jovens. Tim Maia se aproxima da qualidade de 2 Filhos de Francisco e Cazuza, mas tinha tudo para superar outras produções do subgênero. Felizmente, quem sai ganhando com isso é o público. Sejam os fãs de Tim Maia ou aqueles que só agora começam a desfrutar do maravilhoso legado musical de um dos principais nomes da música brasileira.

timmaia

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