Crítica: Os Saltimbancos

 

A gente sempre escuta por aí que nunca devemos deixar nossa criança interior morrer! Fiquei feliz em ver a criança de muito adulto viva assistindo Os Saltimbancos no Teatro Folha. A montagem já esteve em cartaz em uma temporada de sucesso em São Paulo e voltou com tudo com parte do elenco antigo em cena com novos atores.

Everson Borges / Divulgação

Os Saltimbancos é um musical infantil de um letrista italiano em conjunto com um compositor argentino, mas que fez sucesso aqui no Brasil pela adaptação de Chico Buarque, que imortalizou a obra com canções que jamais sairão do coração de muitos adultos por aí. O musical conta a história de quatro animais que, cansados de seus patrões e donos, resolvem ir para cidade tentar a carreira como um conjunto musical. Chegando lá, eles descobrem que a cidade pode não ser tudo aquilo que pensavam e esperavam e precisam enfrentar muitos desafios para se re-encontrarem.

Os pequenos se encantam com as cores, a sonoridade das músicas e com a linda cena de Minha Canção, quando bolinhas de sabão caem sobre a platéia. Os que são um pouco mais velhos ficam vidrados com o ritmo e dinamismo da montagem que tem justamente essa função. Já os adultos mergulham de cabeça na história e cantam junto os clássicos como Bicharada e História de uma Gata.

A direção de Fezu Duarte é muito assertiva e sensível no ritmo das cenas e nas transições, conversando com todas as gerações presentes e trabalhando com delicadeza a essência política da obra sem deixá-la panfletária. A inserção de um coro, identificado como “Povo de Lá”, só ajuda nessa dinâmica e diverte nas composições. A cenografia trabalha junto com a iluminação e cumpre muito bem seu papel sendo um solução notavelmente simples ao mesmo tempo que muito criativa.

O elenco é notavelmente jovem, e isso não quer dizer nada nos dias de hoje, mas é bacana ver uma galera tão nova já com tanta experiência. A turma toda está em sintonia e é notável o amor que colocam em cena.

A gente sabe que Teatro Infantil é bem feito quando é montado pensando nas crianças, mas é divertido, emocionante e potente para todas as idades. Leve seus filhos, sobrinhos, afilhados, primos e, principalmente, a criança que mora dentro de você!

 

FICHA TÉCNICA

Texto: Sergio Bardotti e Luiz Enrique Bacalov
Tradução e Adaptação: Chico Buarque
Direção Geral: Fezu Duarte
Elenco: Juliana Romano, Marcelo Diaz, Rosy Aragão, William Franklin,  Gabriel Neumann, Giovana Possenti Boffa, Marita Prado, Thiago Guimarães. Elenco stand in: Barbara Magalhães e Mayara Justino.
Coreografia e Assistência de Direção: Juliana Sanches
Direção Musical: Ivan Parente
Design de som: Janice Rodrigues
Assistente: Bruno dos Reis
Produção musical e arranjos: Joel “Doc” Pereira
Assistente e arranjos: Vinícius de Loiola
Criação de figurinos e adereços: As Mariposas (coordenação Maria Zuquim e Juliana Napolitano)
Criação de cenários e iluminação: Kleber Montanheiro
Coordenação de produção: Isabel Gomez
Administração e assistente de produção:Felipe Costa
Estagiário de produção: Pedro Pó
Texto “Sonho Cidade”: Marcos Ferraz
Trilha Sonora Adicional: Fezu Duarte, Juliana Sanches e colaboração do elenco.
Assistentes de cenografia: Adriana Chung e Cristhian do Amaral
Costureiras: Euda Alves de Souza, Cida de Andrade, Irene Victa da Silva e Suzy Pereira
Confecção de chapéus: Pula
Bordadeira: Maily Carbone
Produção gráfica: Winnie Affonso
Fotografia: Ike Levy e Everson Borges
Produtores associados – Projeto PIT: Barbára Magalhães, Bruna Mesquita da Rocha, Carolina Kiefer Kruchin, Maria Julia Simon, Mayara Justino, Nathalia Leandro
Realização: Doidim Produções Artísticas
Coordenação geral: Léo Steinbruch

SERVIÇO

Até 26 de março de 2017
Sábados e Domingos, às 16h
Duração: 50 minutos
Gênero: Musical Infantil
Classificação Etária: 3 anos
Local: Teatro Folha (Avenida Higienópolis, 618 – Shopping Pátio Higienópolis – Higienópolis)

INGRESSOS
Setor Único: R$ 25,00 / R$ 12,50 (meia-entrada)

Leandro Galor

Leandro Galor é apaixonado pelo teatro desde que se conhece por gente. Se formou ator, mas também dirige, produz, ensina e o que mais precisar. Só não faz café porque não toma.