Review Eternidade: Uma das mais belas e inesperadas surpresas de 2025

À primeira vista, Eternidade, filme dirigido por David Freyne e produzido pela A24, pode parecer apenas mais uma comédia romântica com um toque fantástico. Mas bastam poucos minutos para perceber que estamos diante de algo muito mais sensível, criativo e emocionalmente potente do que o esperado. É, sem exageros, uma das grandes surpresas do ano passado.

A história se passa em Junction, uma espécie de limbo onde todas as almas chegam após a morte e têm exatamente uma semana para decidir onde e com quem querem passar a eternidade. É nesse espaço curioso e nada convencional que conhecemos Joan (Elizabeth Olsen), que se vê diante de uma escolha impossível: passar o resto da eternidade ao lado de Larry (Miles Teller), o homem com quem construiu uma vida inteira, ou Luke (Callum Turner), seu primeiro amor, morto muito jovem na guerra e que esperou por ela durante 60 anos.

O roteiro usa esse conceito simples, porém extremamente poderoso, para refletir sobre o tempo, o peso das escolhas e a diferença entre viver uma vida inteira ao lado de alguém e imaginar aquela que nunca pôde existir. Tudo isso sem cair em discursos grandiosos ou lições de moral óbvias. O filme é delicado, silencioso quando precisa ser e profundamente humano.

Elizabeth Olsen está simplesmente magnífica. Ela se entrega por completo à personagem e conduz a narrativa com uma força emocional impressionante. É impossível não se conectar com suas dúvidas, culpas e desejos. Miles Teller também se destaca, entregando uma atuação madura e sensível, enquanto Callum Turner é puro charme e melancolia, representando tudo aquilo que ficou suspenso no tempo. A química entre o trio é perfeita e sustenta o coração do filme.

Outro grande acerto é Da’Vine Joy Randolph, um verdadeiro tesouro da comédia. Suas cenas trazem leveza e humor na medida certa, equilibrando o drama sem nunca quebrar o tom emocional da história. Aliás, Eternidade faz isso com maestria: ri e chora com a mesma facilidade ao longo de seus 114 minutos.

A forma como o filme retrata o purgatório é extremamente criativa. O design de produção colorido transforma Junction em um espaço acolhedor, quase reconfortante, fugindo completamente das representações sombrias ou exageradas do além. Tudo é original, inteligente e visualmente encantador, sem jamais parecer artificial.

Além disso, Eternidade envolve o espectador de maneira quase silenciosa. Quando você percebe, já está completamente imerso, refletindo sobre como está gastando seu tempo aqui, sobre as escolhas que fez e aquelas que nunca teve a chance de fazer. O final é interessante, honesto e emocionalmente coerente com tudo o que foi construído até ali.

É uma pena que o filme tenha passado quase despercebido, com pouquíssima divulgação, porque realmente merece mais atenção. Eternidade é uma comédia romântica doce, profunda e belíssima, daquelas que chegam sem alarde e ficam com você por muito tempo depois que os créditos sobem.

Se tiver oportunidade, assista. Alguns filmes simplesmente nos pegam de surpresa e esse é um deles.