Quer saber o que acontece no final do filme Nas Linhas Tortas de Deus (God’s Crooked Lines)? Este thriller psicológico espanhol da Netflix, dirigido por Oriol Paulo (o mesmo de Um Contratempo), é um labirinto de manipulação e narrativas sobrepostas. A trama acompanha Alice Gould (Barbara Lennie), uma investigadora particular que se interna voluntariamente em um hospital psiquiátrico para investigar o suposto assassinato de um paciente. No entanto, conforme a história avança, a linha entre a missão de Alice e a sua própria sanidade começa a desaparecer.
O final de Nas Linhas Tortas de Deus é um “xeque-mate” narrativo que deixa o espectador questionando não apenas a protagonista, mas a própria capacidade de discernir a verdade.
Sinopse e Detalhes da Obra
Alice chega à instituição carregando uma carta do Dr. Donadio, alegando que ela sofre de paranoia aguda e tentou envenenar o marido. Alice nega tudo, afirmando que seu marido, Heliodoro, é um golpista que quer roubar sua fortuna e que sua internação é apenas um disfarce para resolver a morte de um jovem paciente chamado Damião.
O filme utiliza duas linhas temporais que parecem paralelas, mas acabam convergindo. Em uma, vemos a investigação de Alice no presente; na outra, acompanhamos o caos de uma noite de incêndio no hospital onde um crime ocorre. O espectador é levado a acreditar na inteligência de Alice, especialmente quando ela prova que seu marido limpou suas contas bancárias, confirmando a teoria da conspiração.
Final Explicado: Alice é realmente louca?
Vamos lá.
O clímax do filme une as duas linhas temporais. Descobrimos que o incêndio na ala médica foi causado por Alice como parte de seu plano de fuga. Na confusão, o paciente Rômulo é morto pelo “Homem Elefante”, que buscava vingança pela morte de Luis Ojeda. Alice consegue manipular a situação, troca de lugar com uma legista e acaba sendo levada a um julgamento perante a junta médica do hospital para decidir sua alta.
Alice parece ter vencido: o Dr. Samuel Alvar (o diretor do hospital) é forçado a renunciar e os médicos acreditam na sua história de que ela foi vítima de um golpe do marido. No entanto, nos minutos finais, o Dr. Alvar joga sua última carta. Ele traz para a sala o verdadeiro Dr. Donadio. Quando o homem entra, Alice olha para ele e pergunta: “Olá, doutor. O que faz aqui?”. O problema é que o homem que entra é exatamente a mesma pessoa que a deixou no hospital no início do filme — o homem que ela alegava ser o pai do rapaz assassinado que a contratou.
O filme termina com esse close no rosto confuso de Alice. A revelação sugere que Alice é, de fato, doente. Ela criou uma estrutura lógica tão perfeita que conseguiu convencer a junta médica (e o público) de que sua ilusão era a realidade. O homem não era um “contratante”, era seu médico particular o tempo todo.
O mistério das contas bancárias esvaziadas
Se Alice é louca, como explicar que o marido realmente roubou seu dinheiro? Existem duas interpretações principais:
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Oportunismo: Heliodoro, sabendo que a esposa estava mentalmente instável e seria internada, aproveitou a situação real de doença dela para cometer o crime financeiro. Ou seja, ela estava doente e ele era um canalha oportunista.
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Delírio de Perseguição: Alice pode ter interpretado movimentações financeiras legítimas como um roubo dentro de sua paranoia, ou o “roubo” foi apenas mais uma peça que sua mente brilhante encaixou para validar sua narrativa de investigadora.
Quem matou Rômulo?
No caos do incêndio (causado por Alice), Rômulo foi morto pelo paciente gigante conhecido como “Homem Elefante”. Ele fez isso para vingar Luis Ojeda (o anão que tentou atacar Alice e foi morto por Rômulo para protegê-la). Além disso, o Homem Elefante tinha ciúmes da proteção obsessiva que Rômulo exercia sobre a menina inválida na instituição.
A Conclusão: “Deus escreve certo por linhas tortas”
O título faz referência à ideia de que os pacientes do hospital são as “linhas tortas” de Deus — imperfeições na criação. Alice, com sua inteligência superior, seria a linha mais torta de todas: alguém capaz de distorcer a realidade de forma tão convincente que a lógica se torna sua maior armadilha. O filme sugere que a mente humana é um instrumento não confiável e que a verdade absoluta é, muitas vezes, inalcançável.
E é isso.

