Review Love Me Love Me: é o “Wattpad de luxo” da Prime Video

Se você ama Love Me Love Me, respira fundo: isso aqui vai cutucar exatamente o que o filme quer que você engula com glitter.

A premissa é a cartilha do romance teen exportação: June, abalada pela morte do irmão, se muda do Reino Unido para Milão e cai numa escola internacional de gente bonita, rica e emocionalmente indisponível. Aí o universo entrega o combo promocional: o aluno perfeito (Will) e o bad boy problemático (James), e pronto: triângulo amoroso embalado a vácuo pra maratonar em modo automático. É literalmente o tipo de história que já vem com “premiereia dia 13 de fevereiro” colado na testa, como quem diz: “é pra você ver no Valentine’s e chamar de destino”.

E aqui vai a frase que irrita fã: o filme não quer ser bom — quer ser viciante. Ele não constrói romance; ele constrói gatilhos de hábito. Cena bonita, música empurrando emoção, um close dramático aqui, um ciúme ali, e quando você percebe está aceitando comportamento questionável como se fosse “tensão romântica”. O roteiro trata “limites” como se fossem um detalhe chato que atrapalha a fantasia. E quando você começa a perguntar “por que essas pessoas se gostam?”, o filme responde com a filosofia suprema do gênero: porque sim.

A estética é o golpe mais eficiente: Milão, escola chique, fotografia “clean”, gente impecável… Love Me Love Me tem cara de produto premium. Só que por baixo é um melodrama adolescente com motor 2007, rodando no combustível “olha que intenso”. O resultado é uma sensação estranha: parece moderno, mas pensa como um folhetim antigo — só que com embalagem de streaming global.

Agora vamos ao ponto que vai fazer barulho: o “bad boy” aqui é quase um parque temático do perigo. Ele vem com aura de ameaça (e charme ensaiado), e o filme quer que você confunda isso com profundidade. Tem até um circuito de festas/combates de MMA como tempero de “vida perigosa” — só que a narrativa flerta com um glamour meio irresponsável do caos, como se a autodestruição fosse um acessório estético. Você não precisa odiar o personagem pra achar isso raso; você só precisa notar que o filme usa risco como perfume.

E a June? O roteiro tenta vender uma protagonista “diferentona”, mas do jeito mais previsível possível: ela é a garota nova que já chega “especial”, com habilidades e atitudes que parecem escritas por alguém tentando ganhar a discussão da internet sobre “personagem forte”. Em vez de vulnerabilidade real, o filme às vezes troca por superpoderes convenientes de protagonista, e isso esvazia o drama que ele diz ter (luto, recomeço, identidade). Fica tudo meio “tema importante” no rótulo — e “novelão” no conteúdo.

O argumento a favor (e eu reconheço): é entretenimento de vergonha alheia com alto valor de consumo. Tem momentos que funcionam justamente porque são meio absurdos. O filme sabe acionar o botão do “só mais 10 minutos”. E sim, dá pra curtir como quem come salgadinho: sem exigir nutrição. A própria Prime Video o posiciona como romance teen de triângulo amoroso, e ele entrega exatamente isso.

Mas se você quer a análise que irrita fã de vez: Love Me Love Me é menos uma história de amor e mais uma planilha de tropes. Ele não te convence — ele te condiciona. Não te emociona — te empurra. Não te seduz — te cutuca com “e aí, vai torcer pra quem?”. E se você sair dizendo “é profundo”, eu vou te olhar com a serenidade de quem já viu esse filme com outros títulos, outros sotaques e o mesmo algoritmo.

Veredito:

  • Se você ama romance teen estilo After/culpa mía e quer drama “de vitrine”, vai fundo.

  • Se você quer personagens com motivo, romance com construção e conflitos que não pareçam fabricados numa esteira, pula — e guarda seu tempo pra algo que não trate “toxidade” como tempero.