Se a temporada de prêmios fosse um filme, o Critics Choice Awards seria aquele primeiro grande plot point em que o público percebe quem realmente pode chegar vivo até o final. E, em 2026, a mensagem foi clara: Uma Batalha Após a Outra não apenas venceu — impôs ritmo.
A piada de abertura de Chelsea Handler — “quem ganhar hoje, acostume-se a ganhar” — soou menos como humor e mais como aviso prévio. Porque o filme de Paul Thomas Anderson saiu da noite com os três prêmios que, historicamente, mais assustam concorrentes: Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro Adaptado.
Isso não é só vitória.
Isso é mapa de Oscar.
🎯 O combo que muda tudo: Filme + Direção + Roteiro
Na lógica da Academia, especialmente na era do voto preferencial, não basta ser o favorito apaixonado de um grupo. É preciso ser o filme que ninguém rejeita. E esse pacote triplo sinaliza exatamente isso: apoio amplo, transversal, de várias “tribos” do Oscar.
Historicamente, quando um filme sai do Critics Choice com esse combo, ele vira aquilo que todo mundo começa a chamar — meio a contragosto — de “o filme a ser batido”. Nem sempre ganha o Oscar, claro. Mas obriga todos os outros a mudarem de estratégia.
É o cheiro do inevitável.
🧠 PTA jogando o jogo longo (sem parecer que está jogando)
Parte da força de Uma Batalha Após a Outra vem do fato de que ele não parece feito para prêmios — o que paradoxalmente o torna perfeito para eles. É cinema de autor, mas com escala emocional e política suficiente para dialogar com diferentes ramos da Academia.
PTA não fez um “Oscar bait”.
Fez um filme confiante demais para implorar atenção.
E a Academia adora quando o diretor parece dizer: “se quiserem, ótimo; se não quiserem, tudo bem”.
🎭 O elenco como capital emocional
No palco, o momento foi menos discurso ensaiado e mais energia de grupo. Ao lado de Anderson estavam Leonardo DiCaprio, Benicio del Toro e Chase Infiniti, além da diretora de elenco Cassandra Kulukundis — um detalhe importante.
Direção de elenco premiada é sinal de filme bem distribuído internamente, algo que pesa muito quando os votos começam a se espalhar entre categorias.
E então veio Teyana Taylor, reagindo como se estivesse numa final de campeonato: gritos, palmas, incredulidade pura. Aquilo não é marketing. Aquilo é narrativa espontânea — e isso cola.
⚠️ Mas calma: Critics não votam no Oscar
Aqui entra o asterisco obrigatório. Críticos não entregam estatuetas da Academia. Guildas entregam. Sindicatos entregam. E, acima de tudo, a soma de pequenos consensos decide.
Ainda assim, quando um filme:
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agrada críticos,
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vence cedo,
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tem diretor respeitado,
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elenco forte,
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e narrativa “séria, mas acessível”…
…ele se torna perigosamente difícil de derrubar.
🩸 E os concorrentes?
A noite também deixou claro que Pecadores não saiu derrotado — saiu posicionado. Com vitórias em roteiro original, trilha, elenco e ator jovem, o filme de Ryan Coogler construiu algo igualmente valioso: paixão concentrada.
Se Uma Batalha Após a Outra é o consenso elegante, Pecadores pode virar o movimento orgânico que cresce nas guildas certas. Ainda há jogo.
🏁 Conclusão: não acabou — mas alguém largou na frente
O Critics Choice não encerra a corrida. Mas define o ritmo. E, neste momento, Uma Batalha Após a Outra corre como quem já sabe o percurso.
A pergunta agora não é mais “quem pode ganhar?”.
É “quem consegue parar esse filme?”.
E isso, em temporada de prêmios, costuma ser o sinal mais perigoso de todos.

