Prepare o uísque e o discurso pretensioso: começou oficialmente a temporada de prêmios 2025/2026.
E quem saiu na frente, com a sutileza de um tanque de guerra em tapete vermelho, foi Paul Thomas Anderson.
Seu novo longa, “One Battle After Another”, fez história no Gotham Awards ao receber seis indicações, um recorde absoluto na premiação.
O filme foi nomeado em praticamente tudo o que importava: Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado, duas indicações de Ator Coadjuvante (Benicio Del Toro e Teyana Taylor) e Revelação do Ano (Chase Infiniti).
Traduzindo: o bicho pegou, e PTA acaba de transformar o Gotham em um trailer do Oscar.
O campo de batalha dos Gothams
Os Gotham Awards, primeira grande premiação do circuito indie americano, costumam ser o “teste de estresse” da temporada. Se o filme vai bem aqui, a chance de chegar ao Oscar de Melhor Filme é bem real. E, por enquanto, One Battle After Another é o Oppenheimer dessa safra — só que com menos bomba e mais diálogo.
O longa da Warner Bros. lidera a lista, seguido pelos três-indicados “It Was Just an Accident”, de Jafar Panahi, e “If I Had Legs I’d Kick You”, de Mary Bronstein.
Entre os concorrentes de Melhor Filme, o cardápio está eclético o suficiente pra deixar qualquer cinéfilo confuso: de “Bugonia”, do grego Yorgos Lanthimos, a “Hamnet”, de Chloé Zhao — o Shakespeare depressivo que a A24 gostaria de ter feito.
⚔️ A força do time PTA
One Battle After Another é o tipo de filme que parece projetado em um estúdio de prêmios: um épico político e emocional que mistura poder, lealdade e culpa — basicamente, “Sangue Negro” encontra “House of Cards”.
Benicio Del Toro (sempre com cara de quem dorme com o cigarro aceso) e Teyana Taylor (roubando a cena) aparecem nas categorias de coadjuvante, enquanto Chase Infiniti, uma revelação absoluta, disputa o prêmio de revelação com A$AP Rocky (Highest 2 Lowest).
E sim, o PTA conseguiu o que parecia impossível: fazer uma campanha de prêmios sem nenhum streaming envolvido diretamente.
Indie, mas nem tanto
O Gotham, historicamente, premiava filmes com orçamento abaixo de US$ 35 milhões — uma regra abolida no ano passado. O resultado: agora One Battle After Another, com um orçamento de US$ 150 milhões, concorre lado a lado com produções de bolso como Familiar Touch e East of Wall.
Ou seja: o indie virou mainstream, e o Gotham virou o bar onde todos fingem que ainda são alternativos.
Os outros destaques da noite
Entre os indicados mais comentados:
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Jennifer Lawrence (Die My Love) segue viva na disputa — e sem precisar de arco e flecha.
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Wagner Moura foi lembrado por O Agente Secreto, representando o Brasil com sotaque de thriller europeu.
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E temos um raro caso de pai e filho concorrendo na mesma categoria: Stellan e Alexander Skarsgård disputam Melhor Coadjuvante, provando que nepotismo às vezes vem com talento.
Ah, e “Sentimental Value”, de Joachim Trier, foi esnobado em Melhor Filme, o que oficialmente confirma que críticos americanos ainda não superaram a terapia em norueguês.
Tributos e ausências (o drama obrigatório)
O Gotham também homenageará Noah Baumbach (Jay Kelly) e Tessa Thompson, que receberá o Spotlight Tribute por Hedda.
O elenco de Sinners, de Ryan Coogler, leva o prêmio de Conjunto — enquanto Guillermo del Toro, Oscar Isaac e Jacob Elordi recebem o Vanguard Tribute por Frankenstein.
Na ala dos esquecidos, a lista é longa e dolorosa: Springsteen: Deliver Me From Nowhere, Weapons, Rental Family, The Smashing Machine e A House of Dynamite ficaram totalmente de fora.
Se for pra sofrer, que seja com trilha sonora do Bruce, né?
Quando e onde ver o massacre
A cerimônia acontece no dia 1º de dezembro, no Cipriani Wall Street, aquele templo nova-iorquino onde champanhe e ego são servidos na mesma taça.
E enquanto os fãs de PTA comemoram o recorde, a moral da história é clara:
“One Battle After Another” não é só o título do filme — é o resumo da temporada de prêmios que começa agora.

