Você acha que já viu filmes suficientes sobre incêndios florestais?
Errado.
Corta-Fogo, novo drama espanhol dirigido por David Victori, não está interessado em espetáculo pirotécnico. Ele usa o fogo como armadilha emocional. O resultado? Um thriller angustiante que entrou no Top 5 mundial da Netflix e deixa o espectador sem ar — e não é só por causa da fumaça.
📽️ Sobre o que é Corta-Fogo?
Mara (Belén Cuesta) chega à casa de veraneio com uma missão prática: organizar documentos e vender o imóvel após a morte do marido. É uma viagem já carregada de luto, burocracia e memória.
Mas o plano implode quando um incêndio florestal começa a cercar a região. Estradas são bloqueadas. O tempo encurta. A tensão sobe.
E então vem o golpe mais cruel: sua filha pequena, Lide, desaparece.
A partir daí, o filme deixa de ser um drama sobre luto e vira uma corrida contra o tempo. A busca pela criança acontece em meio à fumaça, protocolos de emergência e decisões que podem custar vidas.
🔥 O incêndio é o vilão?
Sim. Mas não só.
O fogo avança, bloqueia saídas e impõe limites físicos. Porém o verdadeiro conflito nasce das pessoas:
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Quem lidera a busca?
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Em quem confiar?
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Até onde você vai quando o tempo está contra você?
Surge então Santi, o guarda florestal que conhece a região e tenta organizar a operação. Ele é autoridade. Ele impõe regras.
E naturalmente, vira suspeito.
O roteiro trabalha essa ambiguidade com inteligência. A desconfiança não é exagerada — é humana. Em situações extremas, qualquer detalhe vira ameaça.
🎭 Elenco
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Belén Cuesta como Mara
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Joaquín Furriel como o contraponto racional
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Diana Gómez reforçando a rede de apoio
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Direção de David Victori
Belén Cuesta sustenta o filme quase sozinha. Sua atuação é física, contida e desesperada. Mara não faz discursos melodramáticos — ela corre, insiste, confronta. O luto pelo marido fica em segundo plano diante da urgência de salvar a filha.
E essa escolha narrativa é acertada: o filme evita melodrama fácil.
⏳ Ritmo e tensão
Victori opta por uma direção direta. Nada de grandes reviravoltas mirabolantes. O suspense nasce do tempo que se esgota.
Cada decisão tem consequência.
Cada erro pode custar caro.
O filme constrói tensão não com trilha exagerada ou sustos artificiais, mas com a sensação constante de que a situação está saindo do controle.
🎯 Para quem é?
Corta-Fogo é para quem gosta de:
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Thrillers realistas
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Histórias sobre maternidade sob pressão
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Filmes onde o perigo é concreto e humano
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Narrativas que preferem tensão psicológica a espetáculo visual
Se você busca ação explosiva e efeitos grandiosos, talvez ache contido demais.
Mas se você gosta de drama com peso emocional real, prepare-se.
⭐ Veredicto: vale a pena?
Sim. E dói.
Corta-Fogo entende que o verdadeiro horror não está apenas nas chamas, mas na combinação entre circunstância extrema e fragilidade humana.
Não é um filme sobre incêndios.
É um filme sobre perder o controle — e sobre o que fazemos quando tudo ao redor começa a queimar.
E talvez seja justamente por isso que ele te deixa parado na frente da TV, sem conseguir respirar direito até os créditos subirem.

