Existe uma regra não escrita em Hollywood: quanto mais triste o filme, mais as pessoas fingem que não sentiram prazer nenhum fazendo aquilo. Jessie Buckley ignorou essa regra com a delicadeza de quem já ganhou o prêmio e não deve explicação a ninguém.
Depois de vencer Melhor Atriz no Critics Choice Awards 2026 por sua atuação devastadora em Hamnet, a atriz resolveu resumir a experiência com uma expressão que deixou assessores de imprensa engasgados com o prosecco: “pretty sexy”.
Sim. Um drama histórico sobre luto, maternidade, morte infantil e Shakespeare. Sexy.
Respire fundo. Vamos chegar lá.
🏆 A vitória que parecia escrita (em pergaminho)
Buckley já vinha sendo tratada como favorita técnica, emocional e espiritual da temporada. Hamnet é aquele tipo de filme que nasce com cheiro de prêmio: adaptação literária respeitável, diretora cultuada, atores amados e sofrimento calibrado para arrancar lágrimas sem parecer novela das seis.
Ainda assim, quando Buckley subiu ao palco, o discurso não veio no modo automático “gratidão, humildade e luz divina”. Veio com nervo, humor ácido e uma sinceridade que raramente sobrevive à temporada de premiações.
🔥 O que ela quer dizer com “sexy” (antes que alguém chame a polícia moral)
Em entrevista ao E! News, Buckley explicou que não está falando de erotismo óbvio, mas de algo muito mais raro no cinema atual: impacto visceral.
“Quando li o livro, ele passou por mim como um furacão. Se o material faz isso logo de cara, isso é sexy pra mim.”
Traduzindo do dialeto artista-irlandesa-premiada:
se a obra te atravessa antes de você conseguir racionalizar, isso dá prazer.
É o oposto do cinema calculado por algoritmo. É o cinema que te bagunça, te expõe e não pede desculpa depois.
🎬 Agnes Shakespeare: luto sem verniz
Em Hamnet, Buckley interpreta Agnes Shakespeare, esposa de William Shakespeare (vivido por Paul Mescal) e epicentro emocional da história. O filme trata da morte do filho do casal e de como essa dor se infiltra em tudo: casamento, maternidade, memória e arte.
É um papel que poderia virar um festival de sofrimento ornamental. Mas não vira.
Por quê?
Porque Chloé Zhao dirige como quem confia no silêncio, no corpo e no tempo — três coisas que Hollywood odeia porque não cabem em trailer de 30 segundos.
🎥 Chloé Zhao e o luxo de não explicar tudo
Buckley fez questão de creditar a diretora pela sensação de liberdade criativa:
“Você entra de coração aberto. Às vezes funciona, às vezes não. Aqui, funcionou.”
Funcionar, nesse caso, significa não reduzir emoções complexas a frases explicativas. Zhao permite que o desconforto exista. Que o luto seja contraditório. Que a câmera fique quando deveria cortar.
Isso, para atores, é… sexy.
Perigoso.
Vivo.
💃 Rihanna, figurantes elisabetanos e o caos controlado
E aqui vem o detalhe que destrói qualquer leitura sisuda demais: Buckley revelou que o set não era um velório permanente.
Segundo ela, no fim de cada semana:
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Chloé Zhao ligava Rihanna no talo
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elenco, equipe e 400 figurantes em trajes do século XVI dançavam juntos
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o peso do filme era devolvido ao corpo em forma de rave histórica
William Shakespeare jamais imaginou isso.
Mas provavelmente aprovaria.
❤️ Paul Mescal: talento, carisma e ciúmes coletivos
No discurso de agradecimento, Buckley também resolveu oficializar algo que a internet já sabe:
“Eu te amo pra caralho. Sei que muitas mulheres aqui também, mas azar o delas.”
Premiação vira sessão de terapia.
Plateia vira cúmplice.
Twitter vira incêndio.
🎭 Por que essa fala importa mais do que parece
Quando Jessie Buckley chama Hamnet de “sexy”, ela está dizendo algo maior:
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arte que dói pode dar prazer
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sofrimento não precisa ser castigo
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cinema adulto ainda pode ser físico, intenso e indomável
Num mercado obcecado por IP, franquia e segurança emocional, Hamnet vence porque não tenta ser confortável. Tenta ser verdadeiro.
E, aparentemente, isso ainda excita quem faz cinema de verdade.
No fim das contas, Buckley não provocou.
Ela só foi honesta.
E honestidade, hoje em dia, é o verdadeiro fetiche.

