Lançada em 1º de janeiro, Custe o Que Custar entrou rápido no radar de quem gosta de suspense psicológico com gosto amargo de culpa. Mais do que o mistério central, a série aposta numa ideia simples e cruel: toda escolha cobra um preço — e ele nunca vem parcelado.
Com o fim dos oito episódios, surge a pergunta inevitável:
a história acabou de vez ou ainda existe espaço para uma segunda temporada?
Custe o Que Custar foi pensada como minissérie
Desde a concepção, a produção foi desenvolvida como minissérie, adaptando integralmente o livro Run Away, de Harlan Coben. O formato segue o padrão clássico das adaptações do autor para a Netflix: narrativa fechada, tensão crescente e um final que resolve o conflito principal — ainda que deixe cicatrizes morais abertas.
A trama acompanha Simon (James Nesbitt), um pai que cruza todas as linhas possíveis para encontrar a filha desaparecida. Ao final, os principais arcos narrativos chegam a uma conclusão clara, sem um gancho explícito que anuncie continuação imediata.
Então… vai ter 2ª temporada?
Por enquanto, não.
A Netflix não anunciou renovação, mas também não cancelou oficialmente a série. Na prática, isso mantém o status em aberto — ainda que o cenário mais provável seja o de uma história encerrada.
O principal obstáculo para uma continuação é simples: não existe material literário direto para adaptar. Diferente de franquias contínuas, Custe o Que Custar nasce de um romance fechado.
Existe alguma brecha criativa?
Existe — mas ela exigiria mudança de abordagem.
Caso a Netflix decida avançar, há dois caminhos possíveis:
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Transformar a série em antologia, com nova história e novos personagens, mantendo apenas o “selo Harlan Coben”.
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Criar uma continuação original, explorando consequências morais e psicológicas deixadas pelo final — algo que o livro não faz, mas a série sugere.
Esse segundo caminho é menos comum nas obras do autor, mas não impossível.
O final realmente fecha tudo?
Narrativamente, sim.
Em termos emocionais e éticos, não completamente.
O desfecho revela que Simon e Paige escondem de Ingrid (Minnie Driver**) a verdade mais devastadora da história: Aaron Corvall era, na realidade, seu filho biológico. A revelação muda todo o peso moral da série, mesmo sem ser explicitamente exposta dentro da narrativa.
Além disso:
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A seita Shining Truth não foi totalmente erradicada
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Sister Adiona sugere que o grupo pode ressurgir
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Os detetives Isaac Fagbenle (Alfred Enoch) e Ruby Todd (Amy Gledhill) encerram a história em terreno ético instável
Tudo isso não exige uma continuação — mas permitiria uma.
Audiência pode mudar tudo
Como sempre, a palavra final é dos números. A Netflix costuma analisar:
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Audiência global
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Taxa de conclusão
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Engajamento nas primeiras semanas
Minisséries já ganharam continuações no passado quando performaram muito acima da média. Não é comum, mas acontece.
Veredito final
Até agora, Custe o Que Custar deve ser tratada como uma minissérie concluída.
Qualquer conversa sobre 2ª temporada ainda está no campo da especulação — e dependerá exclusivamente do desempenho da série no catálogo.
Se houver retorno, ele dificilmente será uma continuação direta do livro.
Será uma escolha criativa nova.
E, ironicamente, isso combinaria perfeitamente com o tema da série:
toda decisão tem consequências — inclusive para a própria Netflix.

