Boa quinta-feira, cinéfilos! Se você achou que a semana passada foi agitada, segurem seus apitos astecas porque 12 de fevereiro vem com força total. A gente tem de TUDO: clássico italiano dos anos 70 sendo relançado, Margot Robbie e Jacob Elordi se agarrando nas charnecas inglesas (com MUITA polêmica), Chris Hemsworth roubando joias em LA, documentário sobre Orwell que vai te deixar paranóico, animação queer espacial, e até terror com robô assassino.
É tipo aquele buffet de casamento onde tem sushi, churrasco, comida japonesa E bolo de rolo — não faz sentido junto, mas você vai experimentar tudo mesmo.
Bora destrinchar essa semana INSANA.
“O Morro dos Ventos Uivantes“: O Filme Que Colocou ASPAS no Título (E Dividiu Todo Mundo)
Vamos começar pela BOMBA da semana: “O Morro dos Ventos Uivantes” — sim, COM aspas no título oficial, porque Emerald Fennell (diretora de Bela Vingança e Saltburn) quis deixar claro que essa é A VERSÃO DELA do clássico de Emily Brontë, não O clássico definitivo.
E olha, gente… esse filme tá causando a MAIOR treta.
O que é: Adaptação do romance gótico de 1847 sobre Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), dois amantes cuja relação é tão tóxica que faz Crepúsculo parecer terapia de casal. Eles se amam visceralmente, mas o timing é uma merda, a comunicação pior ainda, e no final todo mundo sofre — inclusive você, espectador.
Por que tá polêmico:
- As aspas no título viraram meme instantâneo. Fennell explicou que “qualquer adaptação deveria vir entre aspas” porque você nunca adapta realmente um livro tão denso. É pretensioso? Sim. Inteligente? Também. Irritante? DEFINITIVAMENTE.
- O whitewashing de Heathcliff. No livro original de Brontë, Heathcliff é descrito como tendo pele escura, possivelmente romani ou de origem asiática. Jacob Elordi é… australiano branco. A escolha gerou revolta (justificada) nas redes sociais, com fãs apontando que Hollywood continua apagando personagens racializados.
- A estética TikTok gótica. O filme é VISUALMENTE DESLUMBRANTE (fotografia de Linus Sandgren, design de produção absurdo), mas vários críticos disseram que parece “cosplay” ou “roleplay” em vez de romance genuíno. A química entre Margot e Elordi existe, mas é mais performática do que visceral.
O que a crítica tá dizendo:
- Rotten Tomatoes: 73% (dividido)
- Metacritic: 60/100 (opiniões mistas)
Os defensores elogiam a ousadia visual, as performances (Margot tá EXCELENTE, mesmo com personagem irritante), e a trilha de Charli XCX que pulsa como coração acelerado. Os detratores dizem que falta emoção real, que Fennell se preocupou mais em “embelezar” a paixão do que em SENTIR ela, e que o filme trata os personagens como bonequinhos numa caixinha de brincar.
Curiosidade: Jacob Elordi sofreu queimaduras reais durante as filmagens. Margot também produziu via LuckyChap Entertainment (mesma produtora de Barbie).
Veredicto: Se você curte Emerald Fennell (e gostou de Saltburn), vai amar a estética. Se você é fã purista do livro, vai odiar. Se você só quer ver gente bonita se agarrando em cenários lindos enquanto Charli XCX toca no fundo, tá valendo o ingresso.
Onde: Warner (IMAX disponível — e vale MUITO a pena pela fotografia)
Classificação: 16 anos
Duração: 136 min (2h16 — longo, mas passa)
Caminhos do Crime: Chris Hemsworth Rouba Joias & Corações
Depois de salvar o mundo como Thor umas 500 vezes, Chris Hemsworth resolveu roubar joias pela Highway 101 de Los Angeles. E olha, o filme é BEM mais divertido do que parece.
Caminhos do Crime (Crime 101) é um thriller de assalto dirigido por Bart Layton (o cara que fez o documentário The Imposter) e baseado na novela de Don Winslow. Hemsworth faz Mike Davis, um ladrão de joias MUITO competente cujos assaltos deixam a polícia de Los Angeles completamente perdida. Quando ele planeja o golpe DA VIDA (aquele clássico “último trabalho antes de me aposentar”), cruza o caminho de Sharon Colvin (Halle Berry), uma corretora de seguros desiludida que tá na própria encruzilhada.
Enquanto isso, o detetive Lou Lubesnick (Mark Ruffalo) acredita ter encontrado um padrão nos crimes e tá fechando o cerco.
O que funciona:
- A química entre Hemsworth, Ruffalo e Berry é REAL. Eles elevam um roteiro que poderia ser genérico pra algo bem mais interessante.
- LA nunca pareceu tão sexy E ameaçadora ao mesmo tempo. A fotografia captura a cidade de um jeito meio Heat (Michael Mann), aquela vibe de “sol escaldante escondendo perigo”.
- A trilha sonora (de Blanck Mass) é TENSA e mantém você grudado mesmo nas cenas mais calmas.
O que não funciona:
- O roteiro é… previsível. Se você já viu Heat, Ocean’s Eleven, ou qualquer thriller de assalto decente, vai adivinhar 70% das reviravoltas.
- Falta engajamento emocional. Você torce pros personagens meio no automático, mas não SENTE realmente por eles.
- Alguns críticos disseram que parece “pacote comercial” — elenco de estrelas + ação + set pieces legais = filme pronto, mas sem alma.
Críticas:
- Alguns amaram: “Primeiro grande filme de 2026”, “Throwback sólido ao cinema de assalto dos anos 90/2000”
- Outros acharam genérico: “Como comer uma refeição e não se sentir satisfeito”
Curiosidade: Pedro Pascal estava originalmente escalado pro elenco mas saiu por conflito de agenda com Quarteto Fantástico.
Veredicto: É pipoca PREMIUM. Não vai mudar sua vida, mas é estiloso, bem-feito e divertido. Perfeito pra uma sessão de quinta à noite com cerveja gelada.
Onde: Sony Pictures
Classificação: 14 anos
Duração: 140 min (2h20 — meio longo, mas bem ritmado)
ORWELL: 2+2=5 — O Documentário Que Vai Te Deixar Paranóico
Se você tá achando que o mundo tá ficando cada vez mais distópico, Raoul Peck (diretor de Eu Não Sou Seu Negro) tem um recado: George Orwell JÁ AVISOU. E ninguém escutou.
ORWELL: 2+2=5 é um documentário URGENTE sobre a vida e obra de George Orwell, focando principalmente em 1984 e como as previsões do autor sobre autoritarismo, manipulação da verdade e vigilância estatal estão SE REALIZANDO agora.
Narrado por Damian Lewis (que faz a voz de Orwell), o filme mistura:
- Fotos de arquivo
- Trechos dos diários pessoais de Orwell
- Imagens de atualidades (guerra na Ucrânia, Mianmar, ascensão de Trump, manipulação de IA)
- Cenas de adaptações cinematográficas de 1984
- E até umas cenas geradas por IA (que Peck usa ironicamente pra criticar… a própria IA)
É um soco no estômago. Peck mostra como a “novilíngua” orwelliana tá viva e bem viva: da máquina de propaganda russa aos chatbots de IA, do metaverso comercial aos banimentos de livros no sul dos EUA.
O que a crítica tá dizendo:
- Barack Obama elegeu como um dos filmes favoritos de 2025
- Críticos elogiaram a urgência, a montagem poderosa, e como Peck consegue fazer conexões entre século XX e presente
- Alguns acharam que “prega pra convertidos” — ou seja, quem já concorda com Orwell vai amar, mas não vai convencer quem precisa ser convencido
Curiosidade: Orwell morreu em 1950, mas o filme mostra como ele previu desde manipulação de linguagem até ascensão de líderes autoritários que distorcem a verdade.
Veredicto: ESSENCIAL. É o tipo de documentário que deveria ser obrigatório em escolas. Assustador, necessário, e extremamente bem-feito.
Onde: Alpha Filmes
Classificação: 14 anos
Duração: ~120 min
E OS COADJUVANTES DA SEMANA:
Por Um Destino Insólito (RELANÇAMENTO – Pandora Filmes)
Clássico italiano de Lina Wertmüller (1974) volta aos cinemas! Comédia dramática sobre um ricaço mimado e uma comunista que ficam presos numa ilha deserta. Troca de poder, crítica social, e Giancarlo Giannini sendo Giancarlo Giannini. Cult ABSURDO que merece ser visto na tela grande.
📍 Circuito limitado | ⏱️ Consultar | 🔞 Verifique classificação
A Sapatona Galáctica (Synapse)
GENTE, ESSA AQUI É DEMAIS! Animação australiana queer que ganhou Prêmio Félix no Festival do Rio e arrasou no MixBrasil. Saira, uma princesa espacial lésbica, precisa resgatar sua ex-namorada Kiki das garras dos “homeliens héteros brancos” (!!) com ajuda de uma popstar não-binária. Feito no planeta Clitópolis (SIM, ESSE É O NOME). É divertido, político, colorido, debochado e necessário. Representatividade espacial que a gente PRECISA.
📍 SP, RJ, MG (circuito limitado) | ⏱️ 87 min | 🔞 16 anos
Você Só Precisa Matar (Paris Filmes)
Anime de ação japonês. Pouquíssima info circulando, mas Paris Filmes raramente erra com animes. Provavelmente adaptação de mangá/light novel com mechas, time loops ou aliens (ou os três).
📍 Circuito comercial | 🔞 14 anos
Um Cabra Bom de Bola (Sony)
Animação infantil sobre… um bode que joga futebol? Pelo título, só pode ser isso. Pra criançada.
📍 Sony Pictures | 🔞 10 anos
Rob1n: Inteligência Assassina (PlayArte)
Terror britânico sobre IA assassina. Porque 2026 precisa de MAIS filmes sobre robôs matando gente, aparentemente. Se você curte M3GAN e Upgrade, pode ser divertido.
📍 PlayArte | 🔞 18 anos
Sonhos de Trem (O2 Play/Netflix)
Drama com Joel Edgerton e Felicity Jones que vai estrear simultaneamente no cinema E na Netflix. História sobre… trens? Sonhos? Trens dos sonhos? A sinopse tá vaga, mas elenco é bom.
📍 Cinemas + Netflix | 🔞 14 anos
Yes (Imovision)
Drama franco-israelense de Nadav Lapid (diretor de Sinônimos, que ganhou Urso de Ouro em Berlim). Cinema de autor denso e provocador. Pra cinéfilo raiz.
📍 Circuito limitado | 🔞 16 anos
VEREDICTO FINAL:
A semana é DOMINADA por “O Morro dos Ventos Uivantes” (que vai gerar treta nas redes sociais por semanas), mas os verdadeiros destaques pra mim são ORWELL: 2+2=5 (documentário ESSENCIAL) e Caminhos do Crime (diversão garantida). A Sapatona Galáctica é pra quem quer algo completamente diferente e politicamente necessário.
Se você tá afim de romance polêmico: Morro dos Ventos Uivantes (IMAX recomendado)
Se você quer ação estilosa: Caminhos do Crime
Se você quer se informar: ORWELL: 2+2=5
Se você quer representatividade espacial: A Sapatona Galáctica
Se você é cinéfilo raiz: Por Um Destino Insólito (relançamento) ou Yes
Escolha seu veneno e aproveite! 🎬

