ESTREIAS DA SEMANA destruição final 2

Estreias da Semana no Cinema: Gerard Butler Vs Apocalipse Round 2

Quinta-feira é dia de renovar o estoque de pipoca porque os cinemas brasileiros tão pegando fogo (literalmente, no caso de Gerard Butler) com uma das semanas mais ecléticas de 2026. E quando eu digo eclética, não tô falando daquela variedade chata de “tem pra todos os gostos” — tô falando de uma combo maluca que junta apocalipse pós-cometa, alcoolismo tratado com seriedade, adolescentes sendo caçados por apitos astecas da morte e 30 mil fãs de K-pop gritando ao mesmo tempo. É tipo aquela festa onde o tio conservador, a prima emo, o primo funkeiro e a vó que adora karaokê asiático se encontram — e, surpreendentemente, funciona.

Vamos direto ao ponto porque tem muita coisa rolando.


Destruição Final 2: Gerard Butler E O Roteiro Que Ninguém Pediu

Olha, eu preciso ser honesto: ninguém tava pedindo uma sequência de Destruição Final. O primeiro filme (2020) era tipo aquele relacionamento que terminou bem — com closure, todo mundo vivo(ish) e safe num bunker na Groenlândia. Tava perfeito assim.

Mas Hollywood é tipo aquele ex que não aceita o término: “E se a gente se encontrasse… depois do apocalipse?” E é exatamente isso que Destruição Final 2 entrega.

Cinco anos depois do cometa Clarke ter transformado o planeta numa versão Mad Max sem carros maneiros, a família Garrity (Gerard Butler, Morena Baccarin e o filho deles) precisa sair do bunker porque — pasmem — Groenlândia não tá mais segura. Aí começa uma jornada pela Europa congelada e devastada em busca de um novo lar. Pense em A Estrada de Cormac McCarthy, só que com CGI duvidoso e Gerard Butler fazendo cara de preocupado a cada 3 minutos.

O diretor Ric Roman Waugh volta (alguém avisou ele que podia recusar?) com um roteiro que é basicamente: tempestades eletromagnéticas ✅ bandidos pós-apocalípticos ✅ checkpoints ✅ decisões questionáveis ✅ Gerard Butler sobrevivendo ao impossível pela 47ª vez ✅.

As críticas não tão animadas. O consenso geral é: “tá, é entretenimento, mas cadê a urgência do primeiro?” O Rotten Tomatoes deu uns 50-e-poucos por cento, e várias reviews mencionam que parece mais “filme do meio de trilogia” do que sequência definitiva. Sabe quando você assiste um episódio de série só pra avançar pro próximo? É isso. Mas ó: se você curte destruição, ação non-stop e aquela sensação de “caralho, eles sobreviveram DE NOVO?!”, vai se divertir. Só não espere cinema — espere cinemão de quinta à noite.

Onde: 805 salas. Sim, OITOCENTAS E CINCO. É o blockbuster da semana.
Classificação: 14 anos
Duração: 98 min (rapidinho pra tanto caos)


(Des)controle: Carol Dieckmann Entrega O Melhor Trabalho Da Carreira

Se tem um filme brasileiro que merece sua atenção URGENTE é este aqui.

(Des)controle é o tipo de filme que te pega pelo pescoço e não solta. Carolina Dieckmann vive Kátia Klein, uma escritora de sucesso que tá literalmente afogada: crise criativa, casamento falindo, filhos cobrando, pais precisando de atenção. E aí, como escape, ela volta a beber depois de 15 anos sóbria. O que começa com “só uma taça de vinho” vira uma queda livre pro alcoolismo.

Dirigido por Rosane Svartman (que arrebentou com Câncer com Ascendente em Virgem) e Carol Minêm, o filme não romantiza NADA. Não é aquele drama motivacional de superação com trilha sonora inspiradora. É brutal, é incômodo, é real. A Dieckmann tá ABSURDA — e olha que ela sempre foi boa, mas aqui ela entrega camadas que você nem sabia que ela tinha. Não é à toa que ela visitou reuniões do Alcoólicos Anônimos, conversou com especialistas e basicamente viveu esse personagem de corpo e alma.

O roteiro de Iafa Britz e Felipe Sholl (com colaboração de Bia Crespo) constrói a descida de Kátia com uma precisão cirúrgica. Cada decisão errada parece lógica no contexto dela, e é aí que o filme acerta: ele não julga, ele mostra. E a câmera de Svartman e Minêm acompanha de perto, quase claustrofóbica, sem proteger a protagonista das consequências.

O elenco de apoio também tá impecável: Caco Ciocler (o ex-marido), Júlia Rabello (melhor amiga/agente), Irene Ravache e Daniel Filho (os pais). Tem peso dramático de verdade aqui.

Ah, e Carol Dieckmann contou que revisar esse papel fez ela revisitar a relação com a própria mãe (que faleceu em 2019 e também teve problemas com álcool). Então tem camadas pessoais aqui que transbordam na tela.

Se você acha que “filme brasileiro de drama” é chato, esse aqui vai te provar o contrário. É corajoso, é necessário, e é o tipo de cinema nacional que a gente precisa celebrar.

Onde: Circuito comercial (Elo Studios/Sony)
Classificação: 16 anos (e com razão)
Duração: 96 min


O Som da Morte: Final Destination Encontra Cultura Asteca

Adolescentes + objeto amaldiçoado = merda acontecendo. Se você curte essa fórmula, O Som da Morte (Whistle) vai te entregar exatamente o que promete: mortes criativas, jump scares (alguns bons, outros nem tanto) e aquela sensação de “CARA, NÃO ASSOPRA ESSA PORRA”.

Dirigido por Corin Hardy (que fez A Freira, então o cara entende de atmosfera), o filme segue um grupo de estudantes desajustados que encontra um Apito da Morte Asteca. E aí, claro, alguém assopra. A regra é simples: se você ouvir o apito, a morte que você deveria ter no futuro chega agora. É tipo receber o spoiler do seu próprio obituário e não poder fazer nada.

O destaque aqui é Dafne Keen (a Laura/X-23 de Logan e Deadpool & Wolverine), que faz Chrys, a “garota nova problemática” do colegial. E olha, ver a Dafne num contexto de high school horror é refrescante — a garota passa a vida fazendo mutantes e jedis, deixa ela ser adolescente traumatizada normal. Sophie Nélisse (Yellowjackets) também tá no elenco, e tem uma química legal entre as duas (que exploram um romance na trama).

As mortes são bem boladas (tem uma cena na piscina e outra num festival de Halloween que funcionam muito bem), mas o filme peca nos jump scares previsíveis e em alguns efeitos digitais que parecem… de PS3. O roteiro de Owen Egerton (baseado no próprio conto dele) começa forte mas se perde no terceiro ato, virando aquele detective work genérico de “vamos pesquisar a origem do objeto pra quebrar a maldição”.

Críticos deram uns 60-67% no RT — consenso é: “é divertido, mas esquecível”. Perfeito pra uma sessão com a galera, pipoca e algumas risadas nervosas.

Onde: Paris Filmes (circuito comercial)
Classificação: 18 anos (tem gore, tem palavrão, tem tudo)
Duração: 85 min (curto e direto)


Stray Kids: The dominATE Experience — K-pop No Telão IMAX

Se você é STAY (fã de Stray Kids), já comprou ingresso há 3 semanas. Se não é, deixa eu te contextualizar: Stray Kids é um dos maiores grupos de K-pop do planeta. A gente tá falando de 30+ milhões de álbuns vendidos, turnê que faturou US$ 260 milhões e shows esgotados em estádios gigantes.

The dominATE Experience é o filme-concerto capturando os dois shows que eles fizeram no SoFi Stadium (Los Angeles) em maio de 2025, parte da turnê mundial dominATE. O filme mistura performance ao vivo com bastidores — aquele formato clássico de “você vai sentir como se estivesse lá + vai conhecer melhor os membros”.

Dirigido por Paul Dugdale e Farah X, o bagulho tá disponível em IMAX, ScreenX, 4DX, Ultra 4DX — ou seja, a experiência sensorial completa. E olha, fãs que já viram (teve preview em alguns lugares) tão dizendo que é ÉPICO. O som, as luzes, a energia — tudo amplificado.

Nos EUA, o filme vendeu mais de US$ 1,4 milhão em ingressos nas primeiras 24 horas de pré-venda. É blockbuster de evento, gente. Se você curte K-pop ou quer entender o hype, essa é uma boa porta de entrada.

Onde: Universal Pictures (IMAX disponível em várias cidades)
Classificação: Livre (verifique no site da classificação indicativa)
Duração: 2h26 (mas vai passar voando)


E OS COADJUVANTES DA SEMANA:

Living the Land (Autoral Filmes)

Drama chinês premiado com o Urso de Prata de Melhor Direção em Berlim 2025. Dirigido por Huo Meng, acompanha Chuang, um garoto de 10 anos que fica na China rural dos anos 90 enquanto todos migram pra cidade. Retrato lento, contemplativo e emocionante sobre mudanças econômicas e o impacto na vida simples. 100% no Rotten Tomatoes. Pra quem curte cinema de arte introspectivo.
📍 6 salas | ⏱️ 129 min | 🔞 12 anos

Dois Procuradores (Retrato Filmes)

O ucraniano Sergei Loznitsa adapta uma novela de Georgy Demidov sobre um jovem promotor soviético que descobre corrupção na polícia secreta durante o Grande Expurgo de Stalin (1937). Kafka meets burocracia totalitária. Ganhou o Prêmio François Chalais em Cannes. Cinema político denso e claustrofóbico — não é fácil, mas é importante.
📍 Circuito limitado | ⏱️ 118 min | 🔞 12 anos

Quando a Luz Arrebenta (Imovision)

Drama islandês de Rúnar Rúnarsson. Pouquíssima informação circulando, mas a Imovision costuma trazer pérolas indies. Provavelmente vai rodar em poucas salas de arte.
📍 Circuito limitado | 🔞 14 anos

Me Ame Com Ternura (Imovision)

Drama francês de Anna Cazenave Cambet, exibido em Cannes e premiado no Festival do Rio. Estrelado pela ótima Vicky Krieps (Trama Fantasma). 6 salas apenas — pra cinéfilos de plantão.
📍 6 salas | 🔞 14 anos

Zafari (Vitrine Filmes)

Coprodução internacional (Venezuela, Peru, Brasil, México, França, Chile, Rep. Dominicana) dirigida por Mariana Rondón. Drama com Samantha Castillo e Francisco Denis. Informações limitadas, lançamento discreto.
📍 Circuito limitado


VEREDICTO FINAL:

A semana é comandada por Destruição Final 2 (que vai dominar as bilheterias mesmo não sendo genial), mas os verdadeiros destaques são (Des)controle — que é o melhor filme brasileiro do ano até agora — e O Som da Morte, pra galera do terror teen. Se você é fã de K-pop, Stray Kids é parada obrigatória. E se você curte cinema de arte/festival, Living the Land e Dois Procuradores merecem chance.

Escolha seu veneno e bom cinemão! 🎬🔥