Quer saber o que acontece no final da série Alias Grace?
Na minissérie da Netflix baseada em Margaret Atwood, Grace Marks (Sarah Gadon) é a “assassina” mais enigmática do século XIX. O episódio final (“Part 6”) leva a um ritual de hipnose conduzido por Jeremiah/Jerome (Zachary Levi).
A promessa: descobrir se Grace matou Nancy Montgomery (Anna Paquin) e Thomas Kinnear (Paul Gross). O que ganhamos: um twist psicológico/sobrenatural que troca confessionário por camadas de ambiguidade. Atwood agradece.
Sinopse de Alias Grace
Irlanda → Canadá. Pobreza, imigração, violência e serviço doméstico. Grace sobrevive a abusos, faz amizade com Mary Whitney (Rebecca Liddiard) e acaba envolvida nos assassinatos da casa Kinnear ao lado do empregado James McDermott (Kerr Logan). Na prisão, ela é estudada por Dr. Simon Jordan (Edward Holcroft), psiquiatra que tenta “curar” lembranças — e talvez domá-la. Spoiler: boa sorte, doutor.
Final explicado Alias Grace: como acaba?
Vamos lá.
-
A sessão de hipnose: Jeremiah rebatizado de “Jerome” hipnotiza Grace diante de beneméritos espiritualistas. De repente, surge uma voz diferente — grave, zombeteira — que diz ser Mary Whitney falando “através” de Grace.
-
Confissão (ou performance?): “Não sou Grace. Grace nada sabia. Eu mandei McDermott matar Kinnear.” A “Mary” afirma estar “aqui, com Grace”, sugerindo possessão, transtorno dissociativo, ou um jogo de cena para manipular os homens na sala.
-
O véu e o olhar masculino: a encenação com véu negro inverte o símbolo patriarcal (pátria, religião) e vira expressão do reprimido. Feminilidade velada? Agora é assombro que fala alto.
-
Imagens partidas: o episódio mostra flashs de Grace “ausente” nos momentos do crime (jardim, porão, andar de cima) — som distante, memória embaçada. É sonho, trauma, dissociação… ou álibi?
-
O veredito: não há. A série mantém a dúvida sobre culpa e intenção. O objetivo é menos “quem matou?” e mais como um mundo de homens fabrica monstros — e versões — de uma mulher.
Qual o significado de Alias Grace
-
Ambiguidade como ética: Atwood recusa “verdade única”. Num sistema que não acredita em mulheres, uma resposta final seria um conforto que a história não merece.
-
Mary Whitney = voz reprimida: se for dissociação, Mary encarna raiva/classe/sexo que Grace não podia verbalizar. Se for “espírito”, é alegoria daquilo que patriarcado enterrou — mas não calou.
-
Dr. Jordan espelhado: o médico que “estuda” Grace projeta desejos e hipocrisia. No final, é ele quem sai desorientado, não ela.
-
Espiritualismo como palco feminino: hipnose e sessões viram atalho social para mulheres dizerem o indizível, ainda que transformadas em “espetáculo” para homens de cartola.
Grace é culpada ou inocente?
Sim. Não. Talvez. Essa é a graça (perdão). A série dá evidências cruzadas para as três leituras: cúmplice consciente; vítima manipulada por McDermott; ou agência disfarçada sob máscara de docilidade/Mary. O ponto é: o tribunal da época jamais a ouviria inteira.
O que a cena da hipnose prova de fato?
Prova que narrativa é poder. Seja dissociação, seja encenação, Grace (ou Mary) toma o microfone e desmonta o controle masculino sobre sua história. Cientistas e espiritualistas queriam um veredito; receberam um labirinto.
A minissérie é fiel ao caso real?
Grace Marks existiu (Canadá, 1843), mas documentos são incompletos e enviesados. Atwood mistura registro histórico e licença literária para justamente sublinhar: a História oficial raramente é a versão das mulheres.
Símbolos rápidos (FAQ do fã apressado)
-
Véu preto: inversão do “ícone puro” → fantasma do reprimido.
-
Costura/colcha (quilt): “remendar” lembranças; mosaico de versões.
-
A nova voz: técnica, trauma ou truque? Sim. É Alias (pseudônimo) Grace (graça) — duas palavras, mil leituras.
Onde assistir Alias Grace?
Na Netflix (catálogo pode variar por região).
Resumo do final (para mandar no grupo)
Hipnotizada, Grace “vira” Mary Whitney, que assume os crimes e diz que Grace “nada sabia”. O episódio semeia dissociação/possessão/estratégia, mostra memórias quebradas e não entrega veredito. A tese de Atwood: o importante não é “solucionar o caso”, mas expor o mundo que precisou chamar Mary para Grace poder falar.
e é isso

