Quer saber o que acontece no final do filme Corra!?
Estreia na direção de Jordan Peele, Corra! parece um terror “social” discreto até virar um soco no estômago. A viagem de fim de semana de Chris (Daniel Kaluuya) à casa da namorada Rose (Allison Williams) revela um esquema de horror cirúrgico — e um final que junta todas as pistas espalhadas desde a primeira xícara de chá.
Sinopse de Corra!
Chris, fotógrafo negro, visita a família branca e “progressista” de Rose no interior de Nova York. O pai Dean (Bradley Whitford) e a mãe Missy (Catherine Keener) são gentis demais. Festas estranhas, comentários “elogiosos” fora de tom e empregados negros com comportamento robótico levantam suspeitas. O que parece constrangimento social vira conspiração: há algo muito errado acontecendo ali.

Final explicado Corra!: como acaba?
Vamos lá.
Chris descobre que a família Armitage integra a Ordem da Coagula, um grupo de brancos ricos que sequestra pessoas negras para transplantar seus cérebros em corpos jovens. A consciência da vítima é empurrada para o Sunken Place, enquanto o “comprador” assume o controle.
Imobilizado para a cirurgia, Chris bloqueia a hipnose (o estalo da colher no chá) usando o algodão do estofado da cadeira — detalhe simbólico e cruelmente irônico. Ele foge, enfrenta Jeremy (Caleb Landry Jones), mata Dean, esfaqueia Missy e incendeia a sala de cirurgia.
Na fuga, Chris atropela Georgina (possuída pela avó de Rose), tenta salvá-la por culpa ligada à morte da própria mãe e acaba atacado. Walter (possuído pelo avô) surge, mas o flash do celular devolve sua consciência por instantes; ele atira em Rose e, livre por um segundo, se mata para encerrar o próprio tormento.
Rose tenta manipular Chris; ele a imobiliza, mas não a mata. Quando as sirenes aparecem, tudo indica que Chris será preso — até que o carro é do amigo Rod (Lil Rel Howery). Eles vão embora. Chris sobrevive. Rose fica para morrer. A Ordem cai.
Qual o significado de Corra!
O filme é um comentário cortante sobre racismo “liberal”: a violência não vem do ódio explícito, mas da fetichização e do controle. A Ordem “admira” corpos e talentos negros, mas quer possuí-los. O terror é a atualização da escravidão por meio da ciência — com verniz educado.
O Sunken Place simboliza o apagamento: ver, sentir e não poder agir. Já o escape de Chris acontece quando ele recusa a lógica do sistema e escolhe sobreviver.
O plano real da família Armitage
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Rose seduz e recruta vítimas.
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Missy hipnotiza e aprisiona a consciência.
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Dean realiza o transplante.
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Os convidados leiloam corpos numa “bingo party”.
Até os avós de Rose vivem em corpos alheios. É organização, não impulso.
Por que Chris tenta salvar Georgina?
Culpa. A mãe de Chris morreu atropelada quando ele era criança; ele se culpou por não agir rápido. Ao ver Georgina ferida, Chris repete o trauma e tenta reparar o passado — quase morre por isso.
Por que Walter se mata após atirar em Rose?
Livre por segundos depois de anos no Sunken Place, Walter escolhe encerrar o sofrimento definitivamente. É um gesto de autonomia tardia — e devastador.
Por que Rose sorri quando Chris a estrangula?
Porque, para ela, qualquer cenário confirma seu preconceito: se Chris mata, “prova” a narrativa racista; se não mata, ela tenta sobreviver. O sorriso é a máscara do cinismo vencedor — até Rod aparecer.
Finais alternativos de Corra!
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Final original (descartado): Chris é preso; Rod o visita na cadeia. Comentário realista sobre o sistema, mas punitivo demais para o público.
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Outro corte: Chris é recapturado e “perdido” como os empregados. Terror absoluto.
Peele optou pelo escape, sem diluir a crítica.
O título: por que “Corra!”?
É aviso e mandamento. Corra do lugar, do discurso “amigável”, do leilão travestido de festa. Correr aqui é ler os sinais e sair vivo.
Onde assistir Corra!
O filme costuma estar disponível em aluguel/compra digital e aparece em catálogos de streaming. Procure no Prime Video, Netflix e MUBI
FAQ rápido
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Chris morre? Não. Ele escapa com Rod.
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O Sunken Place é literal? É hipnose no filme e metáfora de apagamento social.
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O filme é só sobre racismo? É sobre racismo, poder e apropriação — e como a violência pode vestir boas maneiras.
Conclusão
Corra! fecha com vitória — rara no terror — sem abrir mão do incômodo. O monstro aqui usa sorriso e discurso correto. Sobreviver é enxergar, resistir e correr.
e é isso

