Você sabe aquele tipo de história que passa ANOS dizendo “somos só amigos” com a mesma convicção de quem diz “é só uma saídinha” às 23h? De Férias com Você (o People We Meet on Vacation) é exatamente isso: duas pessoas viajando juntas por 12 anos, acumulando memórias, piadinhas internas, ciúmes mal disfarçados… e a coragem de conversar sobre o óbvio só aparece quando o roteiro resolve jogar os dois num lugar romantizado o suficiente pra obrigar o coração a se pronunciar.
E sim: é rom-com. Então a vida real aqui perde no argumento e ganha no drama.
Sobre o que é De Férias com Você?
Poppy (Emily Bader) e Alex (Tom Blyth) se conhecem num retorno de faculdade para Ohio que já nasce amaldiçoado: trânsito, desencontro, perrengue e uma noite “obrigatória” dividindo quarto — o tipo de situação que ou mata a relação, ou cria uma intimidade que vai te assombrar por uma década. A partir daí, eles viram melhores amigos e estabelecem um ritual anual: todo verão, uma viagem diferente.
O detalhe: vivem em cidades diferentes, têm personalidades opostas e um pacto silencioso de “não atravessar a linha”. Só que o tempo vai empilhando tensão emocional como mala que nunca fecha direito.
Onde as viagens acontecem (e por que isso importa)?
Na história, o “tour sentimental” inclui:
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Squamish, Canadá (camping e caos);
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New Orleans (os dois fingindo ser casal em lua de mel pra ganhar drinks);
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Toscana (o local do quase-desastre romântico);
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Barcelona (a viagem que força a verdade a sair do esconderijo).
Curiosidade prática (e deliciosa): apesar de parecer “volta ao mundo”, o filme foi rodado basicamente em duas cidades, usando “truques invisíveis” pra transformar Barcelona em Canadá, Toscana, Ohio, Nova York etc.
Quando eles finalmente se beijam (e por que dá tudo errado)?
O primeiro “quase” vem na Toscana. Poppy acha que pode estar grávida, chama Alex, eles fogem do grupo, compram teste, dá negativo — e essa sensação de “a gente se salvou” vira gratidão, e gratidão vira aproximação, e aproximação vira quase beijo. Só que os dois recuam feio: bate o pânico, bate o “somos melhores amigos”, bate a autossabotagem clássica.
E aí vem o golpe: no dia seguinte, Alex fica noivo. E, como quem fecha a tampa de uma panela de pressão já rangendo, ele põe fim nas viagens com Poppy.
Tradução emocional: “eu te quero, então vou escolher a versão da minha vida que não me obriga a admitir isso”.
Como eles se reencontram em Barcelona?
Meses depois, Poppy liga pra sondar se deve ir ao casamento do irmão do Alex, em Barcelona. Descobre que ele e Sarah terminaram “pra valer”. Ela vai mesmo assim (incluindo o detalhe esperto: recusa um trabalho/press trip pra estar lá).
Os dois tentam reencenar a amizade antiga — e falham, porque não dá pra voltar pro “antes” depois que você quase atravessou a porta.
A noite melhora, a sinceridade aparece, e finalmente acontece: beijo de verdade, na chuva, com direito a “ok, agora ferrou”. Eles passam a noite juntos.
Só que… rom-com também precisa do mini-abismo antes do final feliz: no dia seguinte, Alex pergunta sobre futuro. Poppy trava, quer “só curtir o momento”. Alex vai embora dizendo que, mesmo se amando, eles não funcionariam como casal.
Final explicado: Poppy e Alex ficam juntos?
Ficam. E o filme faz questão de dizer: não é porque “o destino quis”, é porque Poppy finalmente para de fugir do compromisso emocional.
De volta a Nova York, ela entende que sua hesitação custou a única relação que importava. Então faz o movimento que rom-com ama: larga o emprego, vai até Ohio, literalmente corre atrás dele e se declara no meio de um cruzamento. O ponto-chave: ela admite que tinha medo de ser “demais”, medo de existir fora do modo “férias”, onde ela se sente mais tolerável, mais editada, mais fácil de amar.
Alex responde no mesmo tom — e o filme fecha com os dois juntos, dividindo vida (inclusive um apartamento em NYC) e, claro, voltando a viajar, agora sem a desculpa da “amizade platônica”.
O que o final quer dizer (sem açúcar por cima)
O romance aqui não é “viagens pelo mundo”. É a ideia de casa como pessoa — o lugar onde você consegue ser inteiro sem pedir desculpas por existir.
Poppy percebe que usava as viagens como um “modo avião” emocional: uma versão dela que aparece, brilha, foge e não precisa sustentar o depois. O final diz: amor de verdade é quando você topa o “depois” — a rotina, a escolha, o risco de dar errado.
E é por isso que a última vitória não é o beijo. É a frase implícita que ela finalmente aceita viver: “não dá pra amar alguém de longe e chamar isso de prudência”.
Onde assistir De Férias com Você?
O filme está disponível na Netflix.

