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Kevin Bacon e o Dia em que Foi Considerado “Intransável” em Hollywood (e Quase Dançou Fora de Footloose)

A História do Dia em que Kevin Bacon Não Era Sexy o Bastante para Hollywood

Imagine ser Kevin Bacon — astro de Footloose, dono de uma das danças mais icônicas dos anos 80 — e descobrir que, segundo uma executiva da Paramount, você era simplesmente “intransável”. Sim, esse foi o diagnóstico de Barbara Steel, uma mulher que aparentemente achava que “charme de galpão” não vendia ingresso.

Na época, Bacon ainda estava se libertando do rótulo de ator secundário em Diner, filme em que interpretava um alcoólatra deprimido de 20 e poucos anos — um papel que, curiosamente, o público de Hollywood confundiu com a própria pessoa. Porque se há algo que o cinema adora, é transformar talento em tipo físico: faça um bêbado bem demais e pronto, você é o novo garoto-propaganda da ressaca.


“Você Não é Transável” — A Frase que Quase Enterrou Footloose

Em 1983, quando o estúdio estava caçando o próximo astro de Footloose, Kevin Bacon estava longe da lista dos mais desejados. O problema não era talento, juventude ou coordenação motora — era “falta de transabilidade”.

Bacon contou ao The Guardian que ouviu da executiva:

“Você não é fuckable. E se você não é fuckable, não é um leading man.”

Parece uma piada, mas era só Hollywood sendo Hollywood: um lugar onde o talento é medido em feromônios e a profundidade emocional de um personagem é inversamente proporcional ao tamanho da camiseta do protagonista.


O Teste Que Mudou Tudo (e Salvou a Dança)

Felizmente, o diretor Herbert Ross não comprou a tese de que Bacon era um deserto erótico. Ele decidiu fazer um teste prático: vestir o ator como o rebelde Ren McCormick, ligar uma música e deixá-lo dançar.

Sim, o destino de Footloose foi decidido num test drive de jeans justos. E adivinha? Quando Bacon começou a se mover ao som do rock, os executivos viram o que todos veríamos depois: um ícone suado, desafiando a lei do tédio e da castidade cinematográfica.

Ah, e o detalhe que o universo adora: o papel havia sido oferecido antes a Tom Cruise — o rei da “dança de cueca”. Quando ele recusou, Bacon deslizou para o centro do palco. Karma, baby.


O Filme Que o Tornou Ícone (Mesmo que Ele Tenha Odiado Isso)

Footloose estreou e arrebentou bilheterias: foi o sétimo filme mais lucrativo de 1984, atrás apenas de Ghostbusters e Beverly Hills Cop. Críticos torceram o nariz, claro — porque se algo é divertido, dançante e cheio de música pop, a crítica dos anos 80 automaticamente chamava de “lixo”.

Mas o público não quis saber de jornalismo cultural: Kevin Bacon virou símbolo sexual, poster de parede, e o motivo de muita gente ter decidido fazer aula de dança… e talvez terapia depois.


A Ironia Final: o Homem Que Não Queria Ser Sexy

O mais curioso é que Bacon odiou esse rótulo. Ele queria ser visto como ator sério, não como o “galã que dança”. Então, passou quase uma década fugindo da própria sombra, recusando papéis parecidos — até se reencontrar em JFK e Questão de Honra.

Mas cá entre nós, Kevin: ninguém acredita que um homem que dança daquele jeito num galpão vazio não sabia o poder que tinha.


Moral da História

Hollywood pode até dizer que você não é “fuckable”, mas se você tiver talento, atitude e um jeans bom, o mundo dança no seu ritmo.

E Kevin Bacon provou isso — um passo de dança de cada vez.