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Tela quente hoje: Mandioca Frita existe mesmo? A comédia brasiliense que prova que gentileza também muda destino

Será que vale a pena ver o filme da Tela Quente hoje? Se você acha que a televisão aberta não guarda mais surpresas — e que toda segunda-feira é só um intervalo entre o BBB e o sono — Mandioca Frita aparece para contrariar essa lógica com uma história pequena, humana e surpreendentemente potente.

Exibido nesta segunda-feira, 09/02, às 23h10, logo após o Big Brother Brasil 26, o telefilme integra o Cine BBB e o projeto Telefilmes Regionais, iniciativa da Globo que vem jogando luz sobre produções nacionais fora do eixo Rio–São Paulo. Desta vez, quem ocupa o horário nobre é Brasília, com seus vazios, encontros improváveis e personagens que parecem invisíveis — até não serem mais.


📽️ Sobre o que é Mandioca Frita?

A trama acompanha Dirley (Rômulo Braga), um motorista de ônibus solitário, mal-humorado e claramente cansado da própria vida. Daqueles personagens que já desistiram de esperar algo bom do dia seguinte. Em uma noite qualquer, ele encontra Julio (Murilo Grossi), um idoso confuso, sem memória e sem destino, que acaba passando a noite no ônibus.

O que deveria ser apenas um gesto de abrigo vira uma odisseia urbana por Brasília, com a ajuda da cobradora Edinalva (Isabella Baroz). A busca pela identidade daquele senhor vai revelando não só quem ele é, mas também tudo o que Dirley deixou de ser.

Quando a verdade vem à tona, o filme muda de chave: Julio não é apenas um idoso perdido — ele é Mandioca Frita, palhaço lendário das ruas de Brasília, responsável por espalhar riso, afeto e arte popular por décadas.

É aí que o filme mostra sua real ambição: não é sobre memória perdida, é sobre humanidade reencontrada.


🎯 Para quem é?

  • Para quem gosta de comédias sensíveis, que fazem rir sem vergonha de emocionar.

  • Para quem curte histórias de encontros improváveis que transformam vidas ordinárias.

  • Para quem acredita que o Brasil real — fora dos cartões-postais — ainda rende cinema bonito.

Agora, um aviso honesto:
👉 Se você espera piada atrás de piada ou ritmo de sitcom, talvez estranhe.
👉 Se você gosta de filmes que respiram, observam e confiam no silêncio, esse é o seu lugar.


🎬 Quem está no elenco?

  • Rômulo Braga entrega um Dirley contido, áspero por fora e frágil por dentro — um retrato preciso do brasileiro que segue vivendo no automático.

  • Murilo Grossi brilha ao equilibrar humor, doçura e melancolia, sem transformar o palhaço em caricatura.

  • Isabella Baroz funciona como eixo moral da história, lembrando que empatia também é ação cotidiana.

O elenco inteiro trabalha em chave baixa — e isso é um elogio.


🔍 Mandioca Frita existe na vida real?

Sim.
E essa é uma das partes mais bonitas do filme.

O personagem é inspirado em Julio Cesar, conhecido como Mestre Mandioca Frita, pioneiro da palhaçaria em Brasília. Atuante há mais de 30 anos, ele transformou o Parque Ana Lídia (Parque do Foguetinho) em um verdadeiro picadeiro a céu aberto, hoje chamado Teatro Mandioca Frita.

Ali, ele promove oficinas, espetáculos e encontros circenses que atravessam gerações. O filme não tenta “explicar” o artista — prefere homenagear sua existência.


🎥 Produção regional que importa

Gravado integralmente no Distrito Federal, com equipe e elenco locais, Mandioca Frita é um exemplo claro do que o projeto Telefilmes Regionais acerta:
quanto mais específica a história, mais universal ela se torna.

Brasília aparece não como cartão-postal político, mas como cidade viva — feita de trabalhadores, solidões, rotinas e pequenos milagres cotidianos.


🔍 Veredicto: Mandioca Frita é bom?

É delicado, sincero e necessário.
Não tenta reinventar o cinema brasileiro, mas faz algo talvez mais difícil: olhar com carinho para quem costuma passar despercebido.

Assistir a Mandioca Frita é como encontrar alguém interessante no ponto de ônibus quando você menos espera — e sair dali um pouco diferente.

Vale o play?
Vale. Especialmente numa segunda-feira em que o mundo parece pesado demais.


📌 Onde assistir

  • Tela Quente: segunda-feira, 09/02, às 23h10, na TV Globo

  • Globoplay: disponível logo após a exibição