crítica infidelidade

Clube do Filme CdB #20 | INFIDELIDADE: quando o desejo não pede licença

Adrian Lyne nunca escondeu sua fixação: sexo como faísca de tragédia. Em Infidelidade (2002), ele volta à fórmula que o consagrou em Atração Fatal, mas com mais calma, mais classe e um soco ainda mais forte.

A trama é aparentemente simples: Connie (Diane Lane), casada com Edward (Richard Gere), vive uma vida estável e previsível em Nova York. Até que uma ventania — e um francês sedutor de livraria (Olivier Martinez) — viram sua rotina pelo avesso. A partir desse encontro acidental, Lyne mostra que desejo não bate na porta: ele arromba.

O primeiro ato é pura mise-en-scène erótica: um corte na perna vira convite, um livro esconde um telefone, uma ida inocente à biblioteca se transforma em jogo de sedução. E então vem a famosa cena no banheiro do restaurante — tesão, vergonha e liberdade comprimidos entre quatro paredes frias. Ali, o espectador entende: o filme não vai ser sobre moral, vai ser sobre carne.

Só que todo adultério é um romance de prazo curto. Edward, o marido, percebe. Sempre percebe. E o que começa como drama conjugal vira suspense psicológico quando o presente romântico se transforma em arma e a sala de estar vira cena de crime. Lyne não entrega vilões nem mocinhos: apenas pessoas comuns empurradas para extremos.

Diane Lane entrega a atuação da carreira — cada olhar, cada respiração, cada soluço entre prazer e culpa é uma confissão. Gere segura a raiva com a elegância de quem já foi galã, mas aqui é só um homem esmagado pelo peso da traição. E Martinez? É a fantasia com endereço, função dramática mais do que personagem, e cumpre bem o papel de catalisador.

No fim, Lyne não dá sermão nem manual de casal. Ele entrega febre, cicatriz e silêncio. Infidelidade é sobre o espaço entre o que prometemos e o que desejamos — e sobre o preço que pagamos quando a conta chega.

A pergunta que não quer calar:
Infidelidade é só um melodrama erótico… ou um espelho incômodo do que acontece quando o amor encontra o abismo?

⚠️ Importante: não exibimos o filme durante a live.

A proposta aqui não é pirataria, é debate cinéfilo com personalidade. A experiência funciona assim: você assiste ao filme por conta própria e depois cola com a gente no YouTube para trocar ideias, levantar teorias, rir, discordar e até brigar (com carinho) sobre o que assistiu.

Clube do Filme CdB | O espaço para falar (e surtar) sobre cinema

Toda segunda-feira, às 20h, o Cinema de Buteco abre as portas virtuais para o Clube do Filme CdB — uma live dedicada a discutir o filme da semana com análises afiadas, provocações divertidas e, claro, muita interação com o público.

O Clube do Filme CdB nasceu da vontade de transformar a paixão por cinema em uma conversa aberta, quase como aquela mesa de bar depois da sessão em que todo mundo acha que entendeu melhor o filme que o outro.

A cada semana, um filme diferente.
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Sempre no YouTube do Cinema de Buteco.
Sempre às segundas, 20h.

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