Kevin Smith nunca foi conhecido pela sutileza. Mas em Dogma (1999) ele decidiu chutar o balde do altar e entregar um dos filmes mais polêmicos (e inteligentes) da sua carreira: uma comédia teológica que mistura filosofia de boteco, crítica religiosa e… um monstro de cocô. Sim, isso mesmo.
A trama gira em torno de Loki (Matt Damon) e Bartleby (Ben Affleck), dois anjos caídos que descobrem uma brecha burocrática capaz de levá-los de volta ao Céu. Só tem um problema: se eles conseguirem, provam que Deus é falível e a existência inteira colapsa. Para impedir o apocalipse teológico, entra em cena Bethany (Linda Fiorentino), última descendente de Jesus, convocada pelo anjo Metatron (Alan Rickman) para salvar o universo. E, claro, ela não vai sozinha: Jay e Silent Bob aparecem para lembrar que até a fé precisa de um pouco de besteirol.
O elenco é um deleite: Alan Rickman no auge da ironia britânica, Salma Hayek como musa stripper, Jason Lee como demônio debochado e até Alanis Morissette como Deus — provavelmente a escalação mais WTF da história do cinema.
Smith equilibra piadas de banheiro com discussões sérias sobre fé, hipocrisia da Igreja e representatividade (Chris Rock como o 13º apóstolo esquecido pela história). O resultado é uma comédia existencial que nunca desrespeita a fé dos personagens — pelo contrário, trata tudo com a seriedade necessária para que a sátira funcione.
A pergunta que não quer calar:
Dogma é heresia ou apenas a melhor catequese que o cinema já produziu?
Quando? Segunda-feira, 20h
Onde? YouTube do Cinema de Buteco
Filme da semana: Dogma (1999)
️ Apresentação: Tullio Dias

