No Cinema de Buteco, a gente sempre diz que um bom protagonista só brilha se tiver alguém à altura para lhe dar o “choque de realidade”. Em “Magnum“ (Wonder Man), a nova aposta da Marvel Television que estreou neste 27 de janeiro no Disney+, esse papel cabe à espetacular X Mayo.
Enquanto Yahya Abdul-Mateen II navega pelas crises de ego e pela busca de legitimidade de Simon Williams, X Mayo entra em cena como Janelle Jackson. Ela não é apenas uma coadjuvante; ela é a âncora que impede a série de flutuar para longe da realidade, transformando-se silenciosamente na “MVP” (Most Valuable Player) dessa sátira hollywoodiana.
Uma Marvel Sobre o “Corre”, Não Sobre a Capa
Magnum se diferencia de tudo o que vimos no MCU recentemente por ser uma série “sem lição de casa”. Você não precisa de um fluxograma ou de ter assistido a 30 filmes para entender o que está acontecendo. A série troca as apostas cósmicas por apostas emocionais, focando no moedor de carne que é a indústria do entretenimento.
Nesse cenário de audições frustradas e assessores de imprensa surtados, a Janelle de X Mayo surge como a figura essencial. Ela é a agente de Simon, mas, acima de tudo, é o seu teste de sanidade. Janelle é aquela pessoa que vê a desilusão se formando na mente do ator e a corta pela raiz antes que o estrago seja maior.
Quem é Janelle Jackson?
Diferente do estereótipo de “agente de Hollywood” gananciosa e caricata, Janelle é retratada com uma mistura de autoridade e calor humano que parece extremamente real. Ela acredita no talento de Simon, mas se recusa a mentir para ele sobre o esforço necessário para chegar ao topo.
X Mayo traz para a personagem uma bagagem de quem conhece as regras do jogo. Em cena, Janelle não precisa dominar o espaço com gritos ou gestos largos; ela controla o ambiente simplesmente por ser a pessoa mais preparada e estratégica da sala. É uma performance que não implora por atenção, mas a conquista em cada diálogo afiado.
O DNA do Improviso como Diferencial
Se a dinâmica de Janelle parece tão natural, é porque o histórico de X Mayo no improviso e na comédia de esquetes está trabalhando pesado nos bastidores. O improviso ensina a ouvir e, principalmente, a elevar a cena sem precisar “roubá-la” para si.
Essa habilidade transparece constantemente em Magnum. As reações de Mayo são tão impactantes quanto suas falas. O timing dela dá ritmo às cenas, e sua contenção dá credibilidade ao tom satírico da série. Trabalhando ao lado de um peso-pesado como Yahya Abdul-Mateen II, ela consegue equilibrar a ambição espiral de Simon, trazendo-o de volta à Terra com precisão cirúrgica.
Por que Janelle Importa para o MCU
É fácil subestimar a importância de Janelle baseando-se apenas no tempo de tela, mas isso seria um erro crasso. Ela funciona como o estabilizador moral da série. Quando Magnum mergulha na sátira ácida, Janelle a aterra. Quando a série se torna vulnerável, ela a torna mais aguda.
A performance de X Mayo nos lembra que a representatividade na Marvel não se resume a quem ganha superpoderes ou veste um uniforme colorido. Trata-se de quem recebe agência, competência e complexidade psicológica. Janelle Jackson tem o controle de sua vida e de sua carreira, e essa competência é sua maior força.
O Veredito do Buteco
Magnum prova que o poder da Marvel em 2026 não vem apenas dos efeitos especiais, mas de performances que entendem o “briefing”. X Mayo não é barulhenta nem espalhafatosa; ela é eficaz. Em uma série construída em torno de identidade e ambição, Janelle Jackson é, sem dúvida, a arma secreta que faz a engrenagem girar.

