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Review Premonição 6 – Laços de Sangue: Como morrer com estilo em 2025

Você está andando tranquilamente pela rua, ouve uma música da Kelly Clarkson e de repente um bonde desgovernado, uma moeda jogada do alto da torre e um ventilador de teto decidem que hoje é o seu último dia na Terra. Não, isso não é um pesadelo ou um episódio perdido de “Looney Tunes”. Isso é Premonição 6: Bloodlines, o retorno mais gloriosamente insano da franquia que nos ensinou a ter medo de tudo — até de um copo d’água.

Depois de dez anos de silêncio (ou melhor, dez anos nos quais ficamos espiando nossas janelas com medo de aviões, escadas e carrinhos de supermercado), a saga da Morte com TOC voltou. E voltou como quem não tem nada a perder — afinal, quem tem algo a perder quando a Morte tá literalmente te stalkeando como se fosse seu ex tóxico com um machado?


A trama: Família, traumas e torres que não deviam existir

O filme abre nos anos 50, com um casal fofo que decide jantar num restaurante no alto de uma torre inspirada na Space Needle. Spoiler: a torre não aguenta. E nem você, porque a sequência de abertura é um balé do caos, com closes dramáticos em parafusos soltos, cordas trêmulas e garrafas estrategicamente posicionadas como quem diz “vou cair sim, e vou levar uma jugular comigo”.

Corta para o presente, onde a neta da sobrevivente (ou será que não?) revive o trauma num looping de pesadelos com mais metáforas que um álbum da Taylor Swift. A Morte, claro, não superou e volta para cobrar o que ficou pendente no carnê espiritual da família. Porque se tem uma coisa que a Morte odeia mais que gente que escapa dela… é gente que escapa dela por gerações.


As mortes: Chekhov virou açougueiro

Bloodlines é um desfile de “objetos do dia a dia que vão te matar”. O roteirista claramente abriu a despensa, apontou aleatoriamente e pensou: “isso pode virar um assassino?”. E a resposta foi sim — mil vezes sim.

Tem garrafa de cerveja assassina, piercing vingativo, halógena que cospe fogo, trampolim demoníaco, rake assassino, água gelada que vira lâmina e, claro, o bom e velho caminhão de toras, agora patrocinado diretamente pelos pesadelos coletivos de 2003.

O filme respeita a audiência como um gato respeita um copo em cima da mesa: absolutamente nada. Ele sabe que a gente sabe como tudo vai acabar, então transforma cada cena em um jogo sádico de “adivinha quem vai morrer e como?”. A resposta? Todo mundo, do jeito mais criativo possível.


O elenco: gente bonita e azarada

Temos a novata Stefani, sua família disfuncional (incluindo um tio com vibe de quem guarda segredos e um primo com cara de quem morre cedo), e uma avó misteriosa que talvez seja a chave de tudo. Ou só mais um motivo pra Morte pensar: “hmm, essa árvore genealógica precisa ser podada.”

E sim, Tony Todd está de volta — em sua última e inesquecível participação. O homem transforma cada frase em poesia mórbida, mesmo parecendo que está prestes a virar fumaça. Um adeus digno de aplausos. E de lágrimas. Mas de medo também.


Filosofia de bar com sangue na parede

Lá no fundo (bem no fundo), Premonição 6 quer te fazer pensar sobre destino, livre arbítrio e essa coisa de “você pode mudar o futuro ou tudo já tava escrito no roteiro de Quentin Tarantino?”. Mas relaxa, se você não quiser filosofar, o filme te recompensa com uma cabeça decepada e uma piada com música brega.

A trilha sonora, inclusive, merece um parágrafo só dela: tem Air Supply cantando “I can’t liiiiive”, enquanto alguém literalmente não consegue viver. É o tipo de humor negro que faria o Tim Burton dizer: “ok, calma lá”.


Conclusão: Premonição 6 é um troço lindo

É o melhor da franquia? Talvez. É o mais estiloso? Com certeza. Bloodlines honra o legado dos filmes anteriores com requinte de crueldade, timing cômico apurado e mortes tão criativas que você vai desconfiar até da sua chaleira elétrica.

E se você acha que filmes de terror perderam a graça… Premonição 6 te mostra que ainda tem muita forma idiota, criativa e absurda de morrer no cinema. E isso é um elogio.


Nota final: 4.5 moedas assassinas de 5. E uma advertência: se você ver uma garrafinha tremendo sozinha, NÃO ENCOSTA. Só corre.