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Review Rampage: Destruição Total: Dwayne Johnson contra o zoológico do apocalipse em um filme que faz o seu cérebro pedir demissão por justa causa.

Se existe algo que a civilização moderna aprendeu, é que não se pode dar uma folha de papel e uma caneta para executivos de Hollywood sem que eles tentem transformar um jogo de fliperama de 1986 em um épico de 120 milhões de dólares. Rampage: Destruição Total é o resultado dessa pira industrial, um filme que não apenas ignora as leis da física, mas parece ativamente cuspir na cara de qualquer um que tenha terminado o ensino médio. É uma obra que ostenta Dwayne Johnson como protagonista, o que é apropriado, já que ele é o único ator no planeta cujo bíceps tem mais profundidade dramática do que o roteiro inteiro.

O filme abre com uma estação espacial pegando fogo — porque, claro, ciência de verdade só acontece no vácuo onde ninguém pode ouvir seus gritos de desespero burocrático. Uma cientista tenta salvar amostras genéticas de um “super-rato” mutante. Sim, começamos com um rato espacial bombado em uma nave caindo em direção à Terra. É o tipo de premissa que faria os roteiristas de Sharknado dizerem: “Talvez a gente precise ir com calma”. As amostras, obviamente, caem em três lugares estratégicos, transformando um lobo, um crocodilo e George, um gorila albino que é o melhor amigo de Davis Okoye (Johnson), em máquinas de guerra do tamanho de blocos de apartamentos.

Dwayne Johnson interpreta Davis com o mesmo “modo piloto automático carismático” de sempre. Ele é um primatologista que prefere animais a pessoas, o que é a maneira preguiçosa do roteiro dizer: “Não nos demos ao trabalho de escrever uma personalidade para ele, então apenas imagine que ele é o Dr. Dolittle com esteroides”. A relação entre Davis e o gorila George é o coração emocional do filme, o que é preocupante, já que o gorila digital exibe uma gama de expressões faciais muito mais convincente do que a vilã de Malin Akerman. Akerman e Jake Lacy interpretam os irmãos donos da corporação maligna de praxe, e suas atuações são tão insossas que você começa a torcer para que o prédio caia logo em cima deles, não por sadismo, mas por tédio.

Onde o filme realmente brilha é na celebração da destruição gratuita. Quando os monstros finalmente chegam a Chicago, o diretor Brad Peyton decide que a sutileza é um pecado mortal. É um festival de criaturas esmagando tanques como se fossem feitos de Lego e saltando em helicópteros como se estivessem brincando de pegar moscas. É o tipo de caos que faria o King Kong de 1933 sentir uma pontada de inveja tecnológica, embora o gorila original tivesse algo que falta aqui: alma. Rampage é um espetáculo de pixels colidindo com outros pixels. É divertido? Às vezes, da mesma forma que ver um vídeo de demolição controlada no YouTube é divertido por três minutos. Mas, como o cinema se recusa a durar apenas três minutos, somos obrigados a suportar diálogos que parecem ter sido escritos por uma inteligência artificial que só consome filmes de ação da década de 90 e suplementos pré-treino.

Jeffrey Dean Morgan aparece para salvar o que resta da nossa sanidade, interpretando um agente do governo com um sotaque sulista carregado e uma fivela de cinto que provavelmente tem seu próprio código postal. Ele entrega cada linha de diálogo com um olhar de “eu sei que isso é ridículo, você sabe que isso é ridículo, então vamos apenas pegar o cheque e ir para casa”. Ele é o nosso guia espiritual através dessa selva de CGI, a única pessoa em cena que parece entender que está em um filme baseado em um jogo onde o objetivo era comer civis e socar janelas.

No grande esquema das coisas, Rampage é o sucessor espiritual de filmes como Terremoto: A Falha de San Andreas, mas com mais pelos e escamas. Ele não tenta ser arte, o que é sua maior virtude e seu maior defeito. Ele se contenta em ser apenas “barulhento”. É uma refeição de calorias vazias que deixa você satisfeito por dez minutos e com uma azia existencial logo em seguida. Como diria o velho George Carlin, os americanos adoram uma boa explosão para não terem que pensar na própria vida, e Perry… digo, Peyton, entrega isso com pás de escavadeira. No fim das contas, se você quer ver The Rock trocando socos figurativos com um crocodilo gigante enquanto Chicago é reduzida a pó, este é o seu filme. Mas se você busca algo que não ofenda sua inteligência, talvez seja melhor voltar para o fliperama. Pelo menos lá, você gasta apenas uma ficha para ser enganado.