o ônibus perdido

Review O Ônibus Perdido: Paul Greengrass dirige Matthew McConaughey em história real

O CINEMA DE BUTECO ADVERTE: A review de O Ônibus Perdido possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação. 

 

poster the lost busPAUL GREENGRASS É UM CINEASTA POUCO BADALADO FORA DO MUNDO CINÉFILO, embora tenha feito (reconhecidamente) alguns dos melhores filmes de ação dos anos 2000, como A Supremacia Bourne e O Ultimato Bourne. Seu estilo inconfundível faz o espectador se sentir parte da narrativa. O resultado sempre é angustiante, deixando um sentimento de exaustão pós-sessão. 

Em O Ônibus Perdido (The Lost Bus, 2025), produzido direto para a Apple TV, Greengrass usa o que tem de melhor: uma história inspirada em fatos, um homem comum disposto a virar herói, e a câmera fotojornalística, que é o que realmente causa a imersão completa do público nas suas narrativas. Recriando o incêndio de Camp Fire, em 2018, o desastre mais mortal da história da Califórnia, o longa apresenta a história de Kevin McKay (Mathew McConaughey) e Mary Ludwig (America Ferrera), que garantiram a sobrevivência de 20 moleques catarrentos. 

McConaughey retoma após um período de férias para viver o tradicional homem em busca do sonho americano depois de descobrir que é tudo uma grande lorota. Deprimido com suas escolhas e diminuído pelo peso da vida, McKay tenta equilibrar seu trabalho com os cuidados com a mãe e o relacionamento difícil com o filho. Não é como se o roteiro realmente quisesse se esforçar para construir um drama, mas é bom o suficiente para criar o contexto do conflito e fortalecer as motivações do personagem. 

Ao lado dele temos Ferrera, que brilha como uma professora cerquinha branca e com a maior calma do mundo. Seus minutos iniciais são extremamente irritantes — mérito da atriz, que conseguiu encarnar uma autêntica reação diante uma situação extrema. Aos poucos, na medida em que o fogo consome boa parte do que assistimos, Mary cai na real e precisa manter as aparências para não traumatizar (mais) as crianças.

O fogo, aliás, é uma entidade sobrenatural, praticamente. Greengrass, em um exagero estilístico ou vontade de falar foda-se, mostra a ação do vento e do fogo como se dirigisse uma sequência de qualquer longa da franquia Invocação do Mal. Ele espreita com velocidade, chegando sem dar a menor chance para os humanos. Só faltou um leitmotiv para escancarar as referências. 

Ainda que não seja uma produção espetacular, O Ônibus Perdido acerta onde importa. São várias sequências tensas, em que os personagens vivem momentos perigosos enquanto lutam contra a fúria da natureza e de outras pessoas. Vale pela técnica do cineasta e sua qualidade em prender nossa atenção (e respiração). Há também um pequeno espaço político para apontar o dedo para os verdadeiros culpados pelos incêndios, mas é pouco para falar de um tema tão sério.