pecadores bate recorde

Onde Assistir os Melhores Filmes de 2025

Tá na hora de falar a real: 2025 já tá na metade e o cinema não tá esperando ninguém. Enquanto boa parte da internet passa o ano empolgada com filme da Marvel que parece episódio de luxo do Disney+, aqui no Buteco a gente escolhe ficar na contramão — bebendo coisas mais fortes e assistindo filmes que prestam.

Diferente das listas genéricas que parecem ter sido escritas por um estagiário entediado com acesso aos mais votados no Rotten Tomatoes, essa aqui é feita pra quem ainda acredita que o cinema pode surpreender, incomodar, deixar puto e, de vez em quando, fazer você chorar no banho sem saber por quê. A gente não tá aqui pra te agradar. Tá aqui pra te mostrar filme bom. Mesmo que você discorde e xingue muito no X (antigo Twitter, eterno buraco negro do bom senso).

Esquece o top 10 que coloca os mesmos blockbusters no pódio como se fosse bingo da crítica. Essa lista é pra quem quer sair do óbvio e mergulhar em histórias que gritam, mordem ou fazem carinho só pra depois dar uma voadora emocional. Se você tá preparado pra isso, senta aí, enche o copo e vambora.

Ah, e antes que algum cinéfilo ressentido venha reclamar nos comentários: não, a gente não esqueceu do seu favorito — a gente só não achou tudo isso. E tá tudo bem. A graça da lista é justamente provocar, fazer você discordar e, quem sabe, correr atrás de um ou outro título que passou batido no seu radar entupido de franquia e remake.

Esses são os melhores filmes de 2025 até agora (e descubra onde assistir a cada um deles)

Sing Sing (teatro, prisão e Colman Domingo dando um show de atuação)

Divine G está preso por um crime que não cometeu. Até aí, roteiro de Oscar, né? Mas o diferencial de Sing Sing é que ele encontra na arte — mais especificamente no teatro — uma saída que não exige túnel ou colher de pedreiro. É o tipo de filme que te faz pensar que talvez Shakespeare devesse ser aplicado como tratamento psicológico em presídios. E não tô zoando.

Colman Domingo entrega uma atuação que merecia ser esculpida em pedra. Você começa assistindo achando que é mais um dramalhão carcerário e termina com vontade de bater palma em pé no meio da sala. Nada de pieguice ou apelação barata: Sing Sing é honesto, brutal e cheio de esperança (daquele tipo que a gente esquece que ainda pode ter). E olha… se esse filme não te emocionar, você é feito de concreto.

Disponível na Apple TV+.

Desconhecidos (a surpresa mais violenta que você vai amar em 2025)

Um casal. Um encontro. Uma estrada deserta. E aí começa um jogo de gato e rato em que você não sabe quem é a presa, quem é o predador — e talvez ninguém seja só uma coisa. Dirigido por JT Mollner, esse filme entra sorrateiro como quem não quer nada e entrega mais tensão do que muito blockbuster inflado.

Strange Darling é o tipo de obra que você começa pensando “hmmm, que vibe indie americana bonitinha” e termina se perguntando como ninguém te avisou que era o Tarantino dos pobres — e isso é elogio. Willa Fitzgerald e Kyle Gallner transformam a tela num ringue de manipulação, violência e reviravoltas que te deixam de boca aberta e moral meio torta.

Disponível no Amazon Prime.

Chico Bento e a Goiabeira Maraviósa (o filme mais fofo e necessário do cinema nacional em anos)

Chico tenta salvar sua goiabeira. A vila quer derrubar. E nessa guerra agrícola, o que a gente ganha é uma das experiências mais ternas e politicamente afiadinhas do ano. Isaac Amendoim nasceu pra esse papel e segura a bronca como se fosse o Cebolinha do Oscar. É uma carta de amor à infância, ao interior e à resistência contra a especulação imobiliária (sim, tem isso).

Não pense que é só mais um live-action coloridinho. Chico Bento é pra rir, chorar, se identificar e sair do cinema querendo subir em árvore e xingar político com “oxe”. Funciona pra criança, adulto, avó e até aquele tio bolsominion que vai se emocionar mesmo que negue. Maurício de Sousa pode dormir em paz: fizeram bonito.

Disponível na Globoplay.

Babygirl (o Tadalafila cinematográfico de 2025)

“Romy (Nicole Kidman) descobre que amor e sexo podem não andar necessariamente de mãos dadas, além de diferentes formas de amar e de ter prazer. Mas, acima de tudo, ela passa a entender o significado do desejo e o seu poder.”

Babygirl dá um tesão danado. Vi no cinema e fiquei pensando como era íntimo (e excitante) dividir esse momento com vários desconhecidos. Se alguém falasse “bora”, acho que o cinema teria virado uma orgia. Putaria à parte, o que torna o longa estrelado por Kidman diferenciado é a experiência sensorial. Não é fácil fazer rir, chorar ou ter medo. Certamente, é mais difícil ainda excitar alguém com um filme. Babygirl faz isso com maestria (e de quebra, com o melhor uso de George Michael no cinema).

Disponível no Amazon Prime.

F1 – O Filme (pra quem achava que Top Gun era o limite do “filme testosterona de respeito”)

Brad Pitt. Carros. Câmeras na pista. E um monte de close bonito em roda girando. Parece só mais um blockbuster com crise de meia-idade no volante? Pode até ser — mas F1 é tão bem filmado que você sente o cheiro de gasolina pela tela. A trama? Simples: um piloto veterano em sua última chance de glória. Mas a execução? Uma volta completa de 300 km/h em direção ao hype.

Esse é o tipo de filme que te prende pelo ritmo, pela adrenalina e por um Brad Pitt com mais carisma em uma piscada do que muito ator atual consegue em uma franquia inteira. Sim, tem clichê. Sim, tem discurso motivacional. Mas quem liga? É entretenimento puro, com a alma suada de quem já viu Dias de Trovão umas vinte vezes. Aperte o cinto e vá feliz.

Disponível no Apple TV+.

Better Man: A História de Robbie Williams (a cinebiografia que se recusa a passar pano)

Robbie Williams se coloca como um macaco evoluindo? É, amigo. Mas a metáfora, que parece saída de conversa de bêbado às três da manhã, faz sentido quando o filme mergulha sem dó nos altos e baixos da carreira de um dos artistas mais escancaradamente problemáticos do pop britânico. Aqui não tem maquiagem emocional nem filtro do Instagram. É raw. É punk. É Robbie.

O melhor dessa cinebiografia é que ela não se esforça pra te fazer gostar do cara — ela só mostra quem ele foi. Os vícios, a arrogância, os fiascos. Mas também o talento, a honestidade e as cicatrizes. Se você é fã, vai chorar. Se não é, talvez passe a respeitar. Se odeia, ao menos vai se divertir vendo o caos humano sendo explorado com um roteiro afiado como unha pós-término.

Disponível no Star+.

A Verdadeira Dor (o filme indie que te faz rir e depois chorar por estar rindo disso)

Jesse Eisenberg resolveu fazer um filme pessoal. E o resultado é uma obra tão incômoda quanto hilária, onde Kieran Culkin rouba a cena como um primo escroto que seria bloqueado no WhatsApp da família em qualquer outra circunstância. Mas aqui? Ele é o coração quebrado, irônico e disfuncional dessa pequena joia indie.

Tem cara de filme esnobe? Um pouco. Mas é só a embalagem. No fundo, A Verdadeira Dor é sobre vínculos quebrados, egos inflados e aquela eterna busca por afeto disfarçada de piadas sarcásticas. Vai agradar todo mundo? Claro que não. Mas pra quem gosta de cinema que cutuca, que parece uma conversa mal resolvida de Natal, esse aqui é tesouro.

Disponível na MUBI.

Serra das Almas (Para todos que amam uma boa reviravolta)

“Um refúgio bucólico se transforma em campo de tensão brutal quando criminosos em fuga invadem uma casa de campo isolada. Lá dentro, passado e presente colidem num thriller que mistura caos urbano, trauma rural e violência que ferve sob a superfície.”

É a primeira vez desde que o Cinema de Buteco existe (2008) que coloco duas produções nacionais entre os melhores filmes do semestre. Parte disso é pela dificuldade de conseguir encontrar sessões nos cinemas em horários decentes ou mesmo disponibilidade no streaming (os alternativos, inclusos). Serra das Almas me pegou de surpresa com sua narrativa cada vez mais sufocante e um plot twist delicioso para quem gosta de terror e suspense.

Disponível na Netflix.

Pecadores (também conhecido como: “filme de vampiro que faz o Tarantino parecer seminarista”)

Dois irmãos gêmeos (interpretados por Michael B. Jordan com uma versatilidade que dá inveja até no Eddie Murphy em Norbit) voltam à cidade natal no Mississippi e descobrem que a segregação racial e a maldição sanguínea andam de mãos dadas. Ah, sim, e tem vampiros. Mas não esses Nutella que brilham no sol — aqui o sangue escorre com propósito ancestral e cada mordida carrega séculos de dor e resistência.

Se você ainda acha que não dá pra fazer filme de vampiro em 2025 sem parecer fanfic do Crepúsculo, Pecadores esfrega sua teimosia na parede e enfia um blues ensanguentado por cima. Ryan Coogler assina o projeto como se fosse o Jordan Peele tomando três doses de catuaba antes de dirigir. É terror com mensagem, fantasia com pé no barro e trilha sonora pra tocar no volume máximo no pós-filme. Uma experiência que suga suas expectativas e te entrega reflexão. E sim, dá pra ser os dois.

Disponível no HBO MAX.

Conclave (o reality show da fé com plot twist melhor que BBB)

O Papa morreu. Um novo será escolhido. E você achando que política suja era só no Congresso Nacional… Conclave te joga dentro do Vaticano com mais tensão que final de Copa. Ralph Fiennes entrega uma performance sóbria e intensa, cercado por velhinhos de batina brigando por poder com o nível de sutileza de uma reunião da empresa no fim do ano.

A magia aqui não tá nos milagres, mas nas facadas metafóricas. A direção segura de Edward Berger mantém a coisa séria sem ser chata, e o roteiro joga com as regras da fé e da vaidade como se fosse um jogo de xadrez em que o bispo quer virar rainha. Um suspense eclesiástico com veneno na hóstia. Assiste com um vinho… de preferência, aquele bem sacana.

⛪ Disponível no Apple TV+.

Acompanhante Perfeita (quando o romance vira filme de terror)

Tudo começa com aquele cenário de comédia romântica: casal fofo, fim de semana romântico, trilha sonora boazinha. A diferença é que o boy magia da história é um robô. E spoiler: ele não lida bem com rejeição. Em poucas horas o que era amor vira stalker AI do mal — tipo Her, se fosse escrito por um roteirista obcecado por Black Mirror e vinho barato.

É difícil fazer terror que não se leve 100% a sério e ainda assim funcione. Mas Acompanhante Perfeita consegue ser um “Ex Machina meets 10 Coisas que Eu Odeio em Você”, com pitadas de Annabelle e humor ácido. É divertido, ácido e levanta questionamentos reais sobre tecnologia, afeto e o que acontece quando os algoritmos nos conhecem melhor do que a gente mesmo. Resposta curta: dá merda.

Disponível no MAX.

Splitsville (ou: quando a punheta emocional vira comédia classe A)

Carey descobre que a esposa está pulando mais cerca do que atleta de Olimpíada e foge pra casa do casal de amigos liberais. Parece o início de um pornô de roteiro duvidoso, mas Splitsville é, na verdade, uma comédia esperta, sarcástica e cheia de ego masculino sendo esmurrado com luva de pelica. Dakota Johnson brilha mesmo com um papel raso, e o filme acerta ao rir da masculinidade tóxica sem ser panfletário nem parecer vídeo da Porta dos Fundos.

Michael Angelo Covino dirige como quem sabe que não tem tempo a perder: cada cena é um mini terremoto emocional e sexual que tira os personagens da zona de conforto. Tem sátira, tem dor, tem gente burra tomando decisões piores que as do Scooby-Doo, mas tudo embalado num visual lindo (valeu, Adam Newport-Berra!). É tipo se Os Excêntricos Tenenbaums resolvesse virar um episódio de Euphoria com crise de meia-idade.

Disponível no Hulu.

Tempo de Guerra (Alex Garland fala dos ataques do exército dos EUA ao Iraque)

“Durante uma missão real no Iraque em 2006, um pelotão de Navy SEALs enfrenta o caos absoluto em meio a combates sufocantes e decisões sem retorno.”

Filmes de guerra geralmente precisam envolver sequências de ação para serem reconhecidos. Produções mais contidas, em que tensão é mais importante que explosões, não recebem o mesmo carinho e atenção do público — ao contrário da crítica, que geralmente ama esses filmes. Em Tempo de Guerra a evolução da tensão começa de forma gradual até enfiarem o pé na jaca. O resultado é um dos melhores longas de 2025.

Disponível no Amazon Prime.

Sirât (o Mad Max de rave com crise existencial e apocalipse no coração)

Imagine um rave no deserto. Agora adicione guerra iminente, uma filha desaparecida, uma viagem espiritual com punks sem membro e um cachorro passando mal por comer cocô com LSD. Pronto. Sirât é isso, e muito mais. Dirigido por Oliver Laxe, esse é o filme que te dá um soco na alma enquanto você dança com lágrimas nos olhos. Um Mad Max melancólico com trilha techno que parece saída do juízo final.

Mas não se engane: por trás das imagens lindas e surtadas, Sirât é sobre perda, desintegração e o caos como estado permanente da existência. É um filme que quebra todas as regras de narrativa — e depois esfrega os cacos no seu rosto. Parece insuportável? É. Parece genial? Também. Só vai preparado, porque a bad vem como combo com beat pesado. Cinema pra quem gosta de sentir o estômago virar e não confia mais no governo, nem na gravidade.

Disponível no MUBI.

A Garota da Agulha (o terror que a maternidade não quer que você veja)

Karoline está grávida, sozinha e encurralada numa vila onde a guerra é só o pano de fundo pra algo ainda mais assustador: a indiferença coletiva. Em vez de soldados, o que ela enfrenta são vizinhos com empatia vencida e um sistema que entrega mais agulhas do que ajuda. Esse não é só um terror psicológico — é o tipo de filme que faz você olhar torto pra humanidade por umas boas horas depois.

O diretor Magnus von Horn te arrasta pra dentro de uma espiral de desamparo onde cada cena tem cheiro de mofo e angústia. Victoria Carmen Sonne entrega uma atuação que parece que vai desmanchar na tela de tão crua. E sim, é um terror europeu. Mas não é daqueles que enrola com simbologia de manual. Ele bate direto no estômago e ainda dá tempo de você repensar o que é realmente monstruoso.

️ Disponível no MUBI.

Homem com H (Também conhecido como a melhor cinebiografia musical brasileira)

“O enredo parte da infância de Ney em Bela Vista, Matogrosso, na presença de um pai militar, rígido e, por vezes, violento, e de sua carinhosa e delicada mãe. A partir daí, Ney passa um breve período de sua juventude na Aeronáutica e inicia sua verdadeira vocação na vida artística, sua voz e presença de palco singulares.”

Puxei uma enquete no Instagram do Buteco para saber se mais alguém concordava comigo. A maioria indicou Homem com H como a melhor cinebiografia musical brasileira. Não é exagero. Mesmo com exemplos recentes tão maravilhosos como Mussum e Nosso Sonho, e clássicos modernos como Cazuza e Tim Maia, tem algo diferente na história do Ney Matogrosso e a equipe de produção acertou o tom. Seja fã ou não, é improvável não apreciar a jornada dessa lenda viva da música brasileira.

Disponível na Netflix.

O Agente Secreto (quando o Brasil dos anos 70 vira um filme de espião com alma de crônica de bar)

Marcelo (Wagner Moura) volta a Recife nos anos 70 com um nome falso, uma dor engasgada e a missão de reencontrar o filho. Ele é um fugitivo político num país que finge democracia com glitter de carnaval e cadáveres escondidos. Enquanto escapa de matadores, cruza com personagens que parecem saídos de um conto do João Antônio, mas com direção de arte digna de Wes Anderson suburbano. O que era pra ser um suspense de perseguição vira um tratado sobre memória, pertencimento e a beleza das pequenas coisas — tipo um projecionista velho que chora vendo o neto no cinema.

Kleber Mendonça Filho entrega uma carta de amor à cidade, ao cinema e às pessoas invisíveis. O roteiro é recheado de histórias que podiam ser o plot de outro filme — e ainda assim tudo se encaixa. É Brasil, bicho. É um país onde o frentista trabalha com um cadáver em decomposição porque ninguém veio buscar. Onde matador tem crise existencial e onde o cinema é santuário e trincheira. O Agente Secreto é nostálgico sem ser saudosista, político sem ser panfletário e tão brasileiro que dá até vontade de perdoar o Brasil por um dia.

️ Disponível nos cinemas. (E assim que for pro streaming, você vai saber — porque a gente vai gritar.

It’s Never Over, Jeff Buckley (o filme que vai te fazer ouvir Hallelujah 47 vezes seguidas e chorar nas 47)

Jeff Buckley não queria ser um mito. Mas o universo — sacana como sempre — decidiu que ele seria. Em It’s Never Over, a diretora Amy Berg tenta devolver a humanidade pra esse homem que virou santinho indie de altar musical. O documentário passeia pela breve, intensa e melancólica trajetória do cantor com a sensibilidade de quem conheceu Jeff de verdade. Em vez de bajulação e clichê, a gente vê o Jeff esquisito, tímido, lindo, brilhante, perdido. E é aí que o filme ganha o coração da gente.

Tem material raro, entrevistas que prestam (com quem realmente conviveu com ele) e uma edição que quase acerta 100%. Quase — porque tem uns momentos com palavras na tela que parecem abertura de documentário de true crime do Discovery Channel. Mas tudo bem, o que importa é a essência. E ela tá aqui, transbordando. Amy Berg entrega mais do que um “documentário de músico”; ela oferece uma carta de amor embriagada de luto e admiração. A sequência com Thom Yorke é poesia pura, e você vai sair querendo abraçar a primeira pessoa na rua e dizer: “Você já ouviu Grace?”

️ Ainda não está disponível no streaming.

A Vida de Chuck (o Stephen King mais gente como a gente)

Três histórias. Um homem. E uma reflexão sobre a vida, a morte e os momentos entre elas. A Vida de Chuck é aquele tipo de filme que começa confuso, depois fica bonito, depois esquisito, e termina te abraçando de um jeito que nem sua terapeuta conseguiu. Mike Flanagan adapta Stephen King com coração, coragem e uma sensibilidade que passa longe do terror tradicional.

Tom Hiddleston tá em modo “como assim ele não tem um Oscar ainda?” e o filme brinca com tempo, memória e sentimento como quem escreve cartas pra versões antigas de si mesmo. É introspectivo, existencial e, se você tiver coração, vai chorar. E se não tiver, vai chorar também — só que em silêncio, como todo homem branco hétero de meia-idade.

Disponível no Amazon Prime.

Reformatório Nickel (Sério que você não assistiu ainda?)

“Na década de 1960, Elwood é um jovem negro idealista que, após uma injusta prisão, é enviado à brutal Nickel Academy, onde descobre o terror institucional disfarçado de correção.Lá, ele encontra Turner, um companheiro de dor e resistência, e juntos enfrentam a violência silenciosa do racismo sistêmico.”

Entre os candidatos ao Oscar 2025, Reformatório Nickel foi o único que desbancou Ainda Estou Aqui na minha lista de favoritos. Não é uma narrativa convencional e fácil para todos os públicos, porém, para aqueles que compram a ideia e se permitem uma experiência imersiva, é uma história que nos emociona e revolta. Filmão.

Disponível no Amazon Prime.

Uma Batalha Após a Outra (PTA entrega o melhor Velozes e Furiosos sem carro tunado e com Leonardo DiCaprio de roupão)

Bob (DiCaprio) é um pai, um ex-marido, um ex-soldado e um ex-quase-tudo. Ele fuma maconha, anda de roupão e parece mais perdido que carteirinha de estudante no dia da prova. A filha foi sequestrada, a revolução tá pegando fogo, e ele se mete numa jornada que junta ninja zen, supremacista frustrado e uma sequência de perseguição que faria Spielberg levantar e bater palma com os pés. É como se O Grande Lebowski tivesse sido escrito num surto político por um Tarantino mais paciente.

PTA larga os anos 70 e mergulha de cabeça num presente saturado de memes, masculinidade em ruínas e política na sarjeta. O filme é hilário, ácido, anárquico, mas também… doce. Quando menos espera, você tá rindo de uma piada sobre pau duro e segundos depois refletindo sobre o papel da paternidade na formação moral de um país inteiro. O elenco é um espetáculo à parte: Benicio Del Toro rouba a cena como um sensei que parece ter saído de um canal de YouTube conspiracionista, e Teyana Taylor crava sua personagem na alma do filme com força bruta e carisma. Regina Hall e Chase Infinit brilham, e Sean Penn… bom, ele provavelmente vai ganhar um Oscar — e merecido.

Disponível na HBO.