A manhã de 22 de janeiro de 2026 entrou para os anais do cinema. Com o anúncio dos indicados à 98ª edição do Oscar, o terror visceral Pecadores não apenas confirmou seu favoritismo, mas pulverizou recordes ao garantir 16 indicações — o maior número já recebido por um único filme na história da Academia, superando as 14 nomeações de clássicos como Titanic e La La Land.
A reação da dupla dinâmica por trás do projeto, Ryan Coogler e Michael B. Jordan, reflete o peso desse momento para a cultura e para a indústria.
“Um Momento Surreal”: Michael B. Jordan celebra o legado
Para Michael B. Jordan, indicado na categoria de Melhor Ator, o sentimento é de choque e gratidão. Em entrevista ao Deadline, o ator descreveu a sensação de ver o projeto ser cimentado na história do cinema.
“Fazer parte de um projeto que viverá na história do cinema ao lado dos filmes que me inspiraram como artista… é um sentimento realmente surreal”, afirmou Jordan.
Ele destacou que o sucesso é um testemunho de cada “peça do quebra-cabeça” que compôs a obra. Jordan, que acompanha Coogler desde Fruitvale Station e passou por sucessos como Creed e Black Panther, vê em ‘Sinners’ o ápice de uma parceria que sempre buscou unir entretenimento de massa com integridade artística.
Ryan Coogler: O Maestro do Coração e da Técnica
Ryan Coogler, que acumulou indicações individuais em Melhor Direção e Melhor Roteiro Original, manteve a postura humilde que o caracteriza. Falando à Variety, o diretor admitiu que a notícia ainda não “assentou”.
“Estou muito impressionado com o que meus colaboradores fizeram todos os dias. Obviamente sou suspeito, mas acho que as pessoas com quem trabalho são as melhores do mundo”, comentou Coogler. A satisfação do diretor reside no fato de ‘Sinners’ ter sido reconhecido em absolutamente todas as categorias técnicas e de artesanato, além do elenco principal (com indicações para Wunmi Mosaku, Delroy Lindo e Miles Caton).
O Impacto Cultural de ‘Sinners’
Wunmi Mosaku, também indicada, reforçou que o sucesso de ‘Sinners’ vai além dos prêmios: é sobre o retorno do público às salas de cinema para ver um filme de terror com classificação indicativa R (para maiores). Com uma bilheteria de US$ 368 milhões e uma aprovação de 97% no Rotten Tomatoes, o filme provou que o “coração” — como Mosaku define o trabalho de Coogler — é a ferramenta mais poderosa de marketing.
O Que Esperar de 15 de Março?
Com o recorde de indicações em mãos, a pergunta que fica é: ‘Sinners’ conseguirá converter essas nomeações em estatuetas de Melhor Filme e Direção? A cerimônia, apresentada por Conan O’Brien, promete ser o palco da consagração definitiva de uma geração que mudou a cara de Hollywood.
Independente do resultado final, o abraço da Academia a ‘Sinners’ já é uma vitória para a representatividade e para o cinema autoral de grande escala. Como disse Michael B. Jordan, o filme agora pertence à história.
As 16 indicações ao Oscar de Pecadores
Aqui estão as 16 categorias em que ‘Sinners’ está concorrendo, detalhando o porquê de cada uma ser um pilar para esse recorde histórico:
Categorias Principais (Elite)
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Melhor Filme
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Melhor Direção – Ryan Coogler
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Melhor Ator – Michael B. Jordan
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Melhor Atriz Coadjuvante – Wunmi Mosaku
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Melhor Ator Coadjuvante – Delroy Lindo
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Melhor Roteiro Original
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Melhor Seleção de Elenco
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Melhor Direção de Arte
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Melhor Fotografia
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Melhor Figurino
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Melhor Montagem
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Melhor Maquiagem e Cabelo
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Melhor Som
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Melhores Efeitos Visuais
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Melhor Trilha Sonora Original
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Melhor Canção Original – “I Lied to You”
Análise: Wagner Moura vs. Michael B. Jordan
A disputa pelo Oscar de Melhor Ator em 2026 promete ser uma das mais equilibradas da década. De um lado, temos o “Hype” absoluto de Michael B. Jordan em um filme que quebrou recordes de indicações. Do outro, o prestígio internacional e a atuação sutil de Wagner Moura em O Agente Secreto.
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O Trunfo de Jordan: Ele está no “filme do ano”. Quando um filme tem 16 indicações, a tendência é que os votantes façam o chamado “sweep” (varredura), votando no filme em várias categorias por arrasto. Jordan representa a face de um projeto histórico.
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O Trunfo de Moura: A Academia tem valorizado atuações em língua não-inglesa que demonstram contenção e profundidade (como vimos nos últimos anos). Moura é o favorito do bloco europeu e dos votantes internacionais da Academia, que hoje representam uma fatia decisiva dos votos.

